🔴 UM SALÁRIO MÍNIMO DE RENDA TODO O MÊS COM DIVIDENDOS? – DESCUBRA COMO

Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Início da alta

Como ficam os investimentos com a Selic em 2,75% – quem ganha, quem perde e onde investir

Com alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, é o caso de mexer na carteira de investimentos? Veja também como fica o retorno da renda fixa conservadora neste cenário.

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
18 de março de 2021
5:33 - atualizado às 12:09
Homem sobe escada
Ibovespa futuro sobe após abertura e dólar cai - Imagem: Shutterstock

Pela primeira vez após quase seis anos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou ontem a taxa básica de juros (Selic), passando-a de 2,00% para 2,75% ao ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Antes desta alta de 0,75 ponto percentual, a Selic permanecia estacionada na mínima histórica desde agosto do ano passado. A elevação já era esperada pelo mercado, que se dividia entre a expectativa de alta de 0,75 ou de 0,50 ponto percentual.

De fato, a alta recente nos juros futuros já apontava para a necessidade de o Banco Central retomar o ciclo de alta, dadas as pressões inflacionárias que temos presenciado.

E o BC optou logo pelo aperto mais duro. Apesar de admitir que o atual momento da pandemia pode retardar a recuperação econômica, a autoridade monetária disse que a atividade já mostra sinais de reação e preferiu não arriscar em relação à inflação.

Com efeito, a expectativa do mercado, de acordo com o último Boletim Focus do Banco Central, é de que o ciclo de alta continue, levando a taxa básica a terminar 2021 em 4,50%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Banco Central também apontou nesse sentido, ao comunicar, na sua decisão de política monetária, que novo aumento de 0,75 já deve vir na próxima reunião, levando a Selic para 3,50%.

Leia Também

Tanto o mercado quanto o governo já esperam uma inflação acima do centro da meta de 3,75% em 2021. A estimativa, segundo o Focus, é de 4,60%, enquanto para o governo, o IPCA de 2021 deve ficar em 4,40%.

Tudo nos conformes

Apesar de as apostas do mercado terem ido mais para o lado do 0,5 ponto percentual de alta, o aumento de 0,75 não foi inesperado e estava também dentro das expectativas. Sendo assim, até poderemos ver reações na bolsa, nos juros e no câmbio, mas nada como se tivesse sido surpreendente.

O Copom, portanto, atendeu às expectativas do mercado, que já estava precificando um aumento dos juros de tal magnitude. É fácil verificar isso pelo retorno dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação (Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+, com ou sem juros semestrais).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a alta recente dos juros futuros, as taxas de remuneração prefixadas desses papéis vêm aumentando desde o início do ano, enquanto seus preços vêm recuando, que é o que acontece com os títulos de taxa prefixada sempre que a expectativa é de alta nos juros.

"A alta de hoje, assim como as próximas que devem ocorrer, mudam pouco o cenário para investimentos no curto prazo. Mudaria mais se o BC fosse obrigado, por exemplo, a subir os juros acima do que já está precificado", explica Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos.

Sendo assim, não necessariamente veremos uma queda na bolsa, que é o que tende a ocorrer quando os juros sobem, uma vez que a subida de juros era vista como necessária pelo mercado e foi atendida.

Afinal, a inflação também é um risco, e uma perspectiva de inflação mais controlada por uma alta de juros moderada é melhor para os ativos de risco do que uma inflação sem controle que obrigue um aumento de juros mais forte.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, uma alta de juros que ainda deixe o juro brasileiro num patamar historicamente baixo pode acabar sendo benéfica para o investimento em ações.

"Se o Copom tivesse feito menos, talvez fosse até negativo. O mercado poderia começar a precificar que se tratou de um erro de política monetária e que o Banco Central poderia acabar obrigado a aumentar o juro de maneira muito forte lá na frente. Assim, a curva de juros poderia abrir ainda mais, prejudicando os investimentos de risco", diz Kawa.

Um mercado que talvez veja uma reação mais significativa é o de câmbio. O juro no chão por tempo prolongado contribuiu para uma forte depreciação do real, dado que os estrangeiros foram deixando de achar vantajoso investir nos títulos públicos brasileiros. Pela pequena diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos países ricos, o risco tupiniquim deixou de valer a pena para o gringo.

Mas uma alta na Selic, sobretudo um ajuste mais forte como foi o de ontem, pode ajudar a conter a depreciação do real, conferindo um alívio à cotação do dólar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sua reserva de emergência continua rendendo pouco

A alta na Selic dá uma melhorada no retorno das aplicações pós-fixadas, aquelas cuja remuneração está atrelada à própria Selic ou ao CDI. Mas 2,75% ainda é um juro baixo, então não espere grandes retornos naquelas aplicações mais conservadoras, ou mesmo na sua reserva de emergência.

É claro que, com a tendência de alta na Selic, o esperado é que a remuneração desses investimentos vá subindo ao longo do ano, o que não é ruim para quem é mais conservador. Se a Selic de fato chegar perto de 5% no fim do ano, como espera o mercado, isso poderá significar uma volta das aplicações pós-fixadas ao páreo da diversificação, e não só mais como reserva de emergência.

Segundo Dan Kawa, como a alta de ontem já estava dentro das expectativas do mercado e já vinha sendo precificada, não seria o caso de o investidor fazer grandes mudanças na sua carteira neste momento.

A única coisa que ele acha que realmente mudou, neste sentido, por enquanto, é que agora os fundos de crédito privado high grade - isto é, aqueles que investem em títulos de renda fixa privada de baixo risco de crédito e boa classificação de risco - voltam a fazer sentido na carteira do investidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os fundos que investem majoritariamente em papéis cuja remuneração é atrelada ao CDI passarão a ter um retorno mais alto. São fundos que costumam dar retornos equivalentes a CDI + 0,5%, CDI + 1% ou CDB + 2%.

Como ficam os investimentos conservadores com a Selic em 2,75% ao ano

Agora, vamos a ela: a simulação de como fica a remuneração dos principais investimentos conservadores, atrelados à Selic e ao CDI. Desde agosto do ano passado que não vemos essa comparação.

Eu fiz uma simulação de rentabilidade com quatro aplicações pós-fixadas no novo cenário de juros: caderneta de poupança, Tesouro Selic (LFT), fundo de renda fixa e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Considerei Selic constante de 2,75% ao ano e o CDI constante de 2,65%, um pouco abaixo, como costuma acontecer.

Vale frisar aqui que o retorno do Tesouro Selic é um pouco maior do que o que aparece na tabela, pois aplicações de até R$ 10 mil nesse título são isentas da taxa de custódia cobrada pela B3, de 0,25% ao ano. Aplicações superiores a este valor sofrem cobrança dessa taxa apenas sobre o que exceder os R$ 10 mil.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para montar a tabela, eu considerei aportes de R$ 1.000, mas a calculadora do Tesouro Direto, utilizada para fazer as contas do Tesouro Selic, ainda não foi atualizada com os novos parâmetros para a taxa de custódia.

Parâmetros

A poupança atualmente paga 70% da taxa Selic mais Taxa Referencial (TR), que no momento encontra-se zerada. Não tem taxas nem imposto de renda, e sua rentabilidade é mensal, apenas no dia do aniversário.

Já o Tesouro Selic é um título público que paga, no vencimento, a Selic mais um ágio ou deságio. Se vendido antes do vencimento, o retorno é levemente sacrificado em função de uma diferença entre as taxas de compra e venda do papel (spread).

O rendimento é diário, e há cobrança de IR e de uma taxa de custódia obrigatória de 0,25% ao ano, paga à B3, apenas sobre o que exceder o saldo investido de R$ 10 mil. Na simulação acima, eu considerei, ainda, que a corretora utilizada para operar no Tesouro Direto não cobra taxa de agente de custódia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para simular o retorno do fundo de renda fixa, considerei um fundo que só invista em Tesouro Selic e não cobre taxas. Supus, portanto, que seu retorno represente a variação do CDI no período menos o imposto de renda. Seria similar, por exemplo, para um CDB, RDB ou conta de pagamentos que pagasse 100% do CDI.

Por fim, simulei o retorno da LCI porque se trata de um título isento de taxas e de IR. Considerei um papel que pague 100% do CDI (às vezes surge uma dessas por aí), apenas para você ver que 100% do CDI, atualmente, não é lá grande coisa.

Escolhi quatro prazos de forma a contemplar as quatro alíquotas de IR possíveis, no caso das aplicações tributadas (Tesouro Selic e fundos). Usei datas reais para poder usar o simulador do Tesouro Direto para calcular o retorno do Tesouro Selic, de modo a incluir a taxa de custódia e o spread nos cálculos no caso de uma venda antes do vencimento.

Para calcular o retorno da poupança utilizei os prazos em meses e anos. Já para simular os retornos do fundo e da LCI, levei em conta o número de dias úteis entre as duas datas reais consideradas em cada prazo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
RENDA FIXA

Tesouro Direto: prefixado curto dá adeus aos 13% ao ano — atrelados à inflação começam a perder taxa de 7%

11 de novembro de 2025 - 14:01

Surpresa da divulgação do IPCA de outubro foi gatilho para taxas do Tesouro Direto se afastaram dos níveis mais altos nesta terça-feira (11)

CARTEIRA RECOMENDADA

Renda fixa para novembro: CRAs da Minerva e CDB que paga IPCA + 8,8% são as estrelas das recomendações do mês

7 de novembro de 2025 - 14:21

BTG Pactual, BB Investimentos, Itaú BBA e XP recomendam aproveitar as rentabilidades enquanto a taxa de juros segue em 15% ao ano

RENDA FIXA

Onda de resgates em fundos de infraestrutura vem aí? Sparta vê oportunidade nos ativos isentos de IR listados em bolsa

6 de novembro de 2025 - 16:40

Queda inesperada de demanda acende alerta para os fundos abertos, porém é oportunidade para fundos fechados na visão da gestora

DEBÊNTURES INCENTIVADAS

A maré virou: fundos de infraestrutura isentos de IR se deparam com raro mês negativo, e gestor vê possível onda de resgates

3 de novembro de 2025 - 6:04

Queda inesperada de demanda por debêntures incentivadas abriu spreads e derrubou os preços dos papéis, mas movimento não tem a ver com crise de crédito

DE OLHO NOS RENDIMENTOS

Ficou mais fácil: B3 passa a mostrar posições em renda fixa de diferentes corretoras na área do investidor

23 de outubro de 2025 - 17:50

Funcionalidade facilita o acompanhamento das aplicações, refletindo o interesse crescente por renda fixa em meio à Selic elevada

DEBÊNTURES EM RISCO

Novo “efeito Americanas”? Títulos de dívida de Ambipar, Braskem e Raízen despencam e acendem alerta no mercado de crédito

23 de outubro de 2025 - 6:05

As três gigantes enfrentam desafios distintos, mas o estresse simultâneo nos seus títulos de dívida reacendeu o temor de um contágio similar ao que ocorreu quando a Americanas descobriu uma fraude bilionária em 2023

SIMULAÇÃO

Tesouro IPCA+ com taxa de 8%: quanto rendem R$ 10 mil aplicados no título do Tesouro Direto em diferentes prazos 

22 de outubro de 2025 - 6:30

Juro real no título indexado à inflação é histórico e pode mais que triplicar o patrimônio em prazos mais longos

RENDA FIXA

Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ com taxa a 8% é oportunidade ou armadilha? 

22 de outubro de 2025 - 6:02

Prêmio pago no título público está nas máximas históricas, mas existem algumas condições para conseguir esse retorno total no final

ANBIMA

Até o estrangeiro se curvou à renda fixa do Brasil: captação no exterior até setembro é a maior em 10 anos

20 de outubro de 2025 - 17:35

Captação no mercado externo neste ano já soma US$ 29,5 bilhões até setembro, segundo a Anbima

NOVO TESOURO NA BOLSA

Com renda fixa em alta, B3 lança índice que acompanha desempenho do Tesouro Selic

16 de outubro de 2025 - 15:50

Indicador mede o desempenho das LFTs e reforça a consolidação da renda fixa entre investidores; Nubank estreia primeiro produto atrelado ao índice

ESTRATÉGIA APERTADA

Fim da ‘corrida aos isentos’: gestores de crédito ficam mais pessimistas com as debêntures incentivadas com isenção de IR garantida

9 de outubro de 2025 - 17:41

Nova pesquisa da Empiricus mostra que os gestores estão pessimistas em relação aos retornos e às emissões nos próximos meses

CARTEIRA RECOMENDADA

Renda fixa recomendada para outubro paga IPCA + 8,5% e 101% do CDI — confira as opções de debêntures isentas, CDB e LCA

9 de outubro de 2025 - 16:02

BTG Pactual, BB Investimentos, Itaú BBA e XP recomendam travar boa rentabilidade agora e levar títulos até o vencimento diante da possibilidade de corte dos juros à frente

AINDA NÃO SERÁ DESTA VEZ

LCI, LCA, FII e fiagro mantêm isenção de imposto de renda; veja as novas mudanças na MP 1.303/25, que deve ser votada até amanhã (8)

7 de outubro de 2025 - 13:00

Tributação de LCIs e LCAs em 7,5% chegou a ser aventada, mantendo-se isentos os demais investimentos incentivados. Agora, todas as isenções foram mantidas

RENDA FIXA CORPORATIVA

Problemas de Ambipar (AMBP3) e Braskem (BRKM5) podem contaminar títulos de dívida de outras empresas, indica Fitch

3 de outubro de 2025 - 19:34

Eventos de crédito envolvendo essas duas empresas, que podem estar em vias de entrar em recuperação judicial, podem aumentar a aversão a risco de investidores de renda fixa corporativa, avalia agência de rating

RENDA FIXA

Tesouro Direto: retorno do Tesouro IPCA+ supera 8% mais inflação nesta quinta (2); o que empurrou a taxa para cima?

2 de outubro de 2025 - 18:21

Trata-se de um retorno recorde para o título de 2029, que sugere uma reação negativa do mercado a uma nova proposta de gratuidade do transporte público pelo governo Lula

APETITE ESTRANGEIRO

Brasil captou no exterior com menor prêmio da história este ano: “há um apetite externo muito grande”, diz secretário do Tesouro 

24 de setembro de 2025 - 16:15

Em evento do BNDES, Rogério Ceron afirmou que as taxas dos títulos soberanos de cinco anos fecharam com a menor diferença da história em relação aos Treasurys dos EUA

DEMANDA RENOVADA

Isentas de imposto de renda ou não, debêntures incentivadas continuarão em alta; entenda por quê

24 de setembro de 2025 - 6:03

A “corrida pelos isentos” para garantir o IR zero é menos responsável pelas taxas atuais dos títulos do que se pode imaginar. O fator determinante é outro e não vai mudar tão cedo

A HORA É AGORA

Renda fixa: Tesouro IPCA+ pode render 60% em um ano e é a grande oportunidade do momento, diz Marília Fontes, da Nord

21 de setembro de 2025 - 13:03

Especialista aponta que as taxas atuais são raras e que o fechamento dos juros pode gerar ganhos de até 60% em um ano

SIMULAÇÃO

Quanto rendem R$ 10 mil na renda fixa conservadora com a Selic estacionada em 15% — e quais são os ativos mais atrativos agora

18 de setembro de 2025 - 13:17

Analistas de renda fixa da XP Investimentos simulam retorno em aplicações como poupança, Tesouro Selic, CDB e LCI e recomendam ativos preferidos na classe

AGF DAY

Tesouro Selic deve ser primeiro título do Tesouro Direto a ter negociação de 24 horas, diz CEO da B3

18 de setembro de 2025 - 12:02

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, também falou sobre o que esperar do próximo produto da plataforma: o Tesouro Reserva de Emergência

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar