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2021-03-18T08:57:07-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.
fim da mínima histórica

Banco Central aumenta taxa básica de juros para 2,75% e prevê novo reajuste em maio

Copom elevou a Selic em 0,75 pontos percentuais; próximo reajuste deve levar a taxa a 3,50%, mas decisão ainda depende da evolução da atividade econômica, balanço de riscos, além de projeções e expectativas de inflação

17 de março de 2021
18:48 - atualizado às 8:57
Roberto Campos Neto, durante solenidade de lançamento do crédito imobiliário com taxa fixa e sem correção, da Caixa Econômica Federal (CEF), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

O Banco Central acaba de iniciar um ciclo de ajuste na taxa básica de juros, diante do avanço das expectativas de inflação. A autoridade monetária aumentou em 0,75 ponto percentual a Selic, acima da expectativa majoritária do mercado, que era de 0,50 ponto.

Com isso, a taxa básica passa de 2% para 2,75%. A decisão foi unânime entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom). Na avaliação do grupo, o ajuste deve reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, "assim como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos".

"Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social", diz o grupo em comunicado.

É a primeira vez que o Copom eleva a Selic em quase seis anos. O ciclo atual, de reduções, começou em 2016 e foi intensificado pela pandemia de covid-19. A doença, que em março do ano passado impôs restrições de circulação e desacelerou a atividade, agora não é motivo suficiente para o BC manter a Selic na mínima histórica.

Copom já prevê Selic a 3,50%

Para a próxima reunião, que acontece em 4 e 5 de maio, o Copom prevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude.

No entanto, o grupo ressalta que a decisão vai depender da evolução da atividade econômica, balanço de riscos e projeções e expectativas de inflação.

A inflação tem subido nos últimos meses por conta de, entre outras razões, a elevação do preço de commodities internacionais, especialmente o petróleo - que afeta os preços dos combustíveis.

O Copom comenta que, "apesar da pressão inflacionária de curto prazo se revelar mais forte e persistente que o esperado, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue atento à sua evolução".

O BC considera que há uma recuperação "consistente" da economia, levando em conta o PIB do quarto trimestre, mas lembra que ainda não estão claros os efeitos da piora da pandemia no país neste ano. "O agravamento da doença pode atrasar o processo de recuperação econômica, produzindo trajetória de inflação abaixo do esperado", diz.

"Por outro lado, um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco".

O Copom comenta que o cenário pode ser desafiador para economias emergentes como o Brasil por conta também de um eventual reprecificação dos ativos financeiros causada por questiomentos do mercado a respeito dos riscos inflacionários em economias desenvolvidas.

Inflação a 5% para 2021

As projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022, considerando câmbio de R$ 5,70. A expectativa para o final deste ano é classificada como "surpreendente" pela economista-chefe da gestora Armor Capital, Andrea Damico.

Ainda assim, a especialista ressalta que a dinâmica inflacionária é mesmo ruim e que o IPCA em 12 meses deve escalar até a metade do ano, para desacelerar e chegar ao final do em um patamar mais baixo.

O indicador chegaria a 4,60% ao final deste ano, segundo a edição mais recente do Boletim Focus. O centro da meta estabelecida para 2021 é de 3,75% — com o teto em 5,25%.

O principal instrumento do BC para perseguir a meta de inflação é taxa de juros. A alta da Selic desestimula o crédito e o consumo, o que impacta a alta dos preços. Hoje, as instituições acreditam que o BC vai aumentar a Selic até chegar 4,50% no final deste ano, de acordo com o Focus.

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