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Instituição financeira encabeça o processo de encontrar investidor para o clube mineiro e pressiona por mudança no estatuto para cessão de controle
O Cruzeiro, um dos clubes mais vitoriosos e tradicionais do futebol brasileiro, vive dias decisivos.
Ao contrário das decisões em campo de um passado nem tão distante assim, entretanto, o futuro próximo do Cruzeiro está prestes a ser definido nos bastidores.
O Conselho Deliberativo do clube vai se manifestar nos próximos dias sobre a proposta de alteração de estatuto que o transformaria em um Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Os conselheiros relutam, porém, em ceder o controle acionário do clube a um investidor externo.
No que depender da XP Investimentos, o Cruzeiro tem até sexta-feira para aceitar ceder o controle do clube a um investidor.
Caso contrário, a instituição financeira vai se retirar da coordenação do processo.
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O alerta foi feito hoje por Pedro Mesquita, sócio da XP e head do banco de investimentos, em uma série de mensagens divulgadas pelo Twitter.
Na sequência, ele vai além:
O estatuto do Cruzeiro já prevê a participação de sócios externos. Entretanto, a área social do clube é obrigada a manter participação de pelo menos 51%.
Diante disso, o Conselho Deliberativo foi chamado a votar uma proposta de alteração do estatuto que autorizará a venda de até 90% das ações do clube a um investidor externo.
O acrônimo refere-se à Sociedade Anônima de Futebol.
A lei que institui o mecanismo passou no Congresso em julho e foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro dias antes da contratação da XP pelo Cruzeiro para a condução do processo de busca por um investidor.
A legislação oferece estímulos para que os clubes deixem de ser entidades sem fins lucrativos.
Um deles é permitir que a SAF emita debêntures como forma de se financiar. Os clubes que aderirem ao modelo também poderão lançar ações em bolsa e atrair fundos de investimento.
Para tanto, além da cessão de controle, o clube deve cindir o departamento do futebol da área social.
Em dezembro, o ministro da economia, Paulo Guedes, disse que investidores árabes teriam manifestado interesse na compra de dois clubes de futebol do Brasil. O comentário deu margem a especulações de que o Cruzeiro seria um deles.
A vida da torcida cruzeirense não anda fácil. Enquanto o Cruzeiro vive seu inferno futebolístico - 2022 será o terceiro ano seguido do clube na Série B -, seu maior rival encontra-se na ponta dos cascos.
O Atlético-MG acaba de conquistar o Campeonato Brasileiro, encerrando um jejum de meio século.
O Galo também abriu vantagem de quatro gols no jogo de ida da final da Copa do Brasil diante do Athletico-PR.
A situação do Atlético Mineiro só não é melhor porque o clube caiu para o Palmeiras na semifinal da Libertadores pelo critério de gol fora de casa e não vai disputar o próximo Mundial de Clubes da Fifa.
Grande parte do recente sucesso em campo do Atlético-MG deve-se a seus 4 Rs.
São eles Rubens e Rafael Menin, da MRV, Renato Salvador, do Hospital Mater Dei, e Ricardo Guimarães, dono do Banco BMG.
É esse fanático quarteto de empresários que vem garantindo estabilidade financeira a um Atlético-MG que, como praticamente todos os demais gigantes do futebol brasileiro, tem uma dívida que não pode ser chamada de pequena.
Todos eles investem no clube como pessoa física, mas suas empresas também entram em campo.
A MRV é um dos patrocinadores da camisa desde sempre. O BMG é outra figurinha carimbada entre os patrocinadores do manto atleticano.
Além disso, o terreno do futuro estádio do Galo foi doado pela MRV, detentora de seus naming rights.
Já o Mater Dei mantém uma parceria médica com o Galo.
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