Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2021-10-05T08:01:18-03:00
Agência Brasil
Olhar de fora

Perfuração levou à tragédia em Brumadinho, diz universidade catalã

Financiado pela Vale, resultado do estudo foi divulgado pelo Ministério Público Federal

5 de outubro de 2021
7:53 - atualizado às 8:01
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho - Imagem: Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

O relatório final de um estudo conduzido pela Universidade Politécnica da Catalunha, divulgado ontem pelo Ministério Público Federal (MPF), associa uma perfuração em um ponto crítico da barragem da Mina Córrego do Feijão à tragédia ocorrida em 25 de janeiro de 2019 na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais.

O procedimento, que estava sendo realizado no momento da ruptura, é considerado o potencial gatilho da liquefação, processo em que os sedimentos sólidos passam a se comportar como fluidos e sobrecarregam a estrutura.

Com sede em Barcelona, na Espanha, a Universidade Politécnica da Catalunha realizou um trabalho de modelagem e simulação por computador para identificar as causas do rompimento da barragem, que deixou 270 mortos e provocou degradação ambiental em diversos municípios mineiros.

Universidade catalã foi escolhida pelo MPF

A instituição foi escolhida pelo MPF com base em sua expertise, e o estudo foi custeado pela Vale, conforme ficou estabelecido em um acordo firmado com a mineradora.

“Sob condições de tensão e hidráulicas semelhantes às do fundo do furo B1-SM-13 durante a perfuração, as análises numéricas mostram que, usando o modelo constitutivo e os parâmetros adotados para os rejeitos, pode ocorrer a liquefação local devido à sobrepressão de água e sua propagação pela barragem”, diz o relatório.

De acordo com o estudo, o perfil do solo no local da perfuração era especialmente desfavorável. Os modelos que sugerem o procedimento como responsável por desencadear o rompimento mostraram-se consistentes com as imagens captadas no momento da tragédia.

"O mecanismo de colapso obtido mostra uma ruptura dentro da barragem começando na crista e se estendendo até um local logo acima do dique de partida."

Investigação em diversas frentes

Investigações sobre a tragédia foram feitas em diversas frentes. Comissões parlamentares de inquérito (CPIs) foram abertas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A Polícia Civil também realizou um inquérito que serviu de base para a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), aceita pela Justiça em fevereiro de 2020. Por meio dela, 16 pessoas tornaram-se rés – 11 funcionários da Vale e cinco da Tüv Süd, empresa alemã que assinou a declaração de estabilidade da barragem.

Em todas as frentes de investigação, reconheceu-se que o rompimento ocorreu após um processo de liquefação. No entanto, como este é um fenômeno que pode ter múltiplas origens, diversas hipóteses foram levantadas, desde fortes chuvas até abalos sísmicos artificiais provocados por detonações na mina. O estudo da universidade catalã buscou compreender melhor o que de fato aconteceu.

Análise tem mais de 500 páginas

A investigação foi conduzida pelo Centro Internacional de Métodos Numéricos em Engenharia da instituição espanhola e resultou em uma análise de mais de 500 páginas.

“É incontroverso que o rompimento da Barragem I envolveu o fenômeno do fluxo por liquefação. A liquefação é um processo associado ao aumento da poropressão, pelo qual a resistência ao cisalhamento é reduzida à medida que a tensão efetiva no solo se aproxima de zero. Apenas materiais contráteis estão sujeitos à liquefação. A liquefação está intrinsecamente relacionada ao comportamento frágil não drenado do solo”, diz o relatório.

Para viabilizar um modelo computacional verossímil, foi feita uma campanha de coleta de amostras dos rejeitos que foram examinados para que se compreendessem suas características geotécnicas. "Eram fofos, contráteis, saturados e mal drenados e, portanto, altamente suscetíveis à liquefação”. Procurada pela Agência Brasil, a Tüv Süd informou que não fará comentários sobre o relatório neste momento.

O que diz a Vale

Já a Vale destacou que o estudo da instituição catalã reforça o entendimento de que não houve nenhum indicativo prévio à ruptura da estrutura.

"[O estudo] também atesta que teria havido uma conjugação particularmente desfavorável de circunstâncias no momento e no local em que se fazia a perfuração do 13º poço vertical por uma empresa especializada, operação essa que se destinava à instalação de equipamentos mais sofisticados para leitura do nível de água no interior da barragem e à coleta de amostras, sendo que, sem essa perfuração, a barragem, nas condições específicas em que se encontrava (inclusive paralisada há mais de dois anos), segundo as simulações matemáticas realizadas para um período de 100 anos, permaneceria estável", afirmou a mineradora.

As conclusões da Universidade Politécnica da Catalunha coincidem com constatações do laudo de engenharia assinado por peritos da Polícia Federal (PF).

Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Domando o dragão

Campos Neto volta dizer que BC fará o que for preciso para trazer inflação para a meta em 2022

O presidente do Banco Central acredita que a escalada dos preços já atingiu seu ponto máximo no mês passado; agora a tendência é convergir.

Fiscalização em alta

Empresas ligadas à quinta maior criptomoeda do mundo, são multadas por comissão nos Estados Unidos

As empresas irmãs são acusadas de fazerem “declarações falsas ou enganosas” e de “omitirem fatos relevantes” para o mercado sobre a stablecoin tether

AO VIVO

O que muda com a compra da Mosaico (MOSI3) pelo Banco Pan (BPAN4)? CEO do banco e fundador da empresa de tecnologia respondem em live com Felipe Miranda

Para entender o racional da negociação, o sócio-fundador e CIO da Empiricus conversa hoje (15) com Carlos Eduardo Pereira Guimarães e Guilherme Pacheco

Efeito dominó

Mais uma incorporadora chinesa deixa de pagar seus credores; China rompe o silêncio sobre a crise no setor imobiliário

A China Properties Group informou que não fez o pagamento de US$ 226 milhões referentes a uma emissão de notas seniores que vencia hoje

Exile on Wall Street

Dia do professor: cinco lições sobre fundos de investimento para o primeiro dia de aula

Dos brinquedos à maçã (virtual), comemora-se nesta semana as datas dos dois agentes de mudanças mais importantes de uma sociedade. Crianças têm, claro, suas aptidões naturais por exatas, humanas, ciências biológicas e artes em todas as suas formas de expressão. Mas são os professores que catalisam e alavancam esse interesse pelo conhecimento, ensinam a pensar […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies