Vale (VALE3) lucra US$ 3,9 bilhões, mas passa longe das estimativas para o terceiro trimestre; preços do minério pesaram no balanço da companhia
Porém, mesmo com a queda nos lucros, a geração de caixa seguiu robusta e permitiu o pagamento de US$ 13,5 bilhões em dividendos

Na noite de gala da temporada de balanços das empresas brasileiras — a Petrobras (PETR4) divulgou seus resultados mais cedo —, a Vale (VALE3) mostrou que a pressão sobre os preços do minério de ferro atingiu com força seus números e impediu que a empresa mais valiosa da B3 correspondesse às expectativas dos analistas.
A receita líquida ficou em US$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, acima dos US$ 10,7 bilhões vistos no mesmo período do ano passado. O número, porém, é cerca de 24% inferior ao resultado do trimestre anterior e não alcançou a projeção média de US$ 13,5 bilhões dos três bancos consultados pelo Seu Dinheiro.
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A queda também foi observada no lucro líquido de US$ 3,9 bilhões entre julho e setembro, que passou longe — a 48,7% de distância, para ser mais exata — dos US$ 7,5 bilhões registrados no segundo trimestre e US$ 5 bilhões projetados.
O indicador que mais se aproximou das expectativas foi o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) proforma, que exclui despesas com Brumadinho e com a covid-19. Foram US$ 7,7 bilhões no trimestre, US$ 4,1 bilhões a menos do que no 2T21.
As quedas na comparação trimestral podem ser explicadas pela desvalorização do principal produto da Vale. O preço médio de referência do minério de ferro 62% Fe recuou 19% no período, para US$ 162,9/dmt.
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Esse recuo, por sua vez, é resultado principalmente da pressão do estoque de minério de ferro nos portos da China sobre os preços. Veja aqui quanto a Vale produziu e vendeu da matéria-prima do aço no terceiro trimestre.
Dividendos robustos
Porém, mesmo com a queda nos lucros, a geração de caixa seguiu apresentando robustez, com US$ 7,7 bilhões. A soma supera o último trimestre em 18% e mantém o ritmo que, segundo a mineradora, “permitiu o pagamento de dividendos históricos em 2021”.
Apenas em setembro foram cerca de US$ 7,4 bilhões em proventos referentes aos resultados do primeiro semestre. No acumulado anual, US$ 13,5 bilhões já foram parar no bolso dos acionistas.
“Com a manutenção da nossa estratégia de ‘value over volume’ e otimização de custos, continuaremos a criar e compartilhar valor com nossos acionistas.”, comentou, em nota, o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo.
Brumadinho
O balanço da companhia também destacou as indenizações e reparações da tragédia de Brumadinho.
Segundo a empresa, foram selados acordos individuais e de indenizações trabalhistas com 11.400 pessoas. No total, são R$ 2,7 bilhões comprometidos e R$ 2,5 bilhões já pagos às famílias.
Apesar do tom otimista no comunicado, a conta para a Vale pode subir. Uma decisão da 5ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho de Betim (MG), da qual a empresa recorre, condenou a mineradora a pagar indenização de R$ 1 milhão por dano moral para cada trabalhador morto no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão.
Recompra de ações
Além dos resultados financeiros, a companhia também anunciou hoje um programa de recompra de até 200 milhões de ações nos próximos 18 meses. A Vale emenda o novo plano no programa vigente, que está prestes a ser encerrado com saldo de 268 milhões de papéis adquiridos.
O montante estabelecido para compra, que inclui os ADRs — recibos de ações negociados no exterior — representa, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quinta-feira (28), 4,1% do número total de ativos em circulação.
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