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Banco inicia cobertura da rede de atacarejo vendo bastante espaço para ela crescer e retornar valor aos acionistas
Agora protagonista de sua história, depois de ter sido separada da estrutura do Pão de Açúcar (PCAR3) no começo de março, a rede de atacarejo Assaí (ASAI3) vem entregando o desempenho esperado pelos investidores.
Com lucro de R$ 1 bilhão em 2020, as ações da companhia acumulam alta de 9% desde o início de março, quando estreou na B3. E as boas perspectivas de negócios que ela apresenta podem levar os papéis a valorizarem mais de 33%.
A análise é do Bank of America (BofA), que iniciou nesta segunda-feira (5) a cobertura das ações da empresa, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 100,00.
Em dia de alta do Ibovespa, a notícia ajudou a dar um empurrãozinho a mais nas ações, que fecharam em alta de 3,25%, a R$ 77,50.
O preço-alvo calculado pelos analistas Robert Aguilar, Melissa Byun e Vinícius Strano pressupõe um múltiplo de 17 vezes para o lucro por ação previsto para 2022, um prêmio em relação a outros operadores de supermercados no país, que crescem a um ritmo mais lento, mas com os papéis ainda descontados na comparação com seus pares internacionais, por conta de problemas envolvendo sua governança. No caso, as questões com seu controlador, o grupo francês Casino, que está bem endividado, podendo resultar em piora no âmbito administrativo.
Olhando para os aspectos positivos do Assaí, os analistas do BofA avaliam que ele tem bastante espaço para crescer, mesmo que o segmento de atacarejo tenha expandido mais de 20% ao longo dos últimos cinco anos. Ajuda o fato de que o preço dos alimentos deve continuar subindo nos próximos anos, pelo menos até 2022, em torno de 5%.
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“O conceito do atacarejo continuou crescendo a um ritmo acelerado no começo de 2021, em meio às novas restrições relacionadas à covid-19 nos principais mercados e à contínua inflação dos alimentos. Embora as vendas da indústria devam moderar ao longo do ano, quando as bases de comparação se tornam cada vez maiores, vemos potencial para este conceito continuar crescendo a um ritmo robusto”, diz trecho do relatório.
Os analistas afirmam ainda que as unidades do Assaí são bastante produtivas, com receita líquida anual por metro quadrado de mais de R$ 48 mil, com uma margem bruta de cerca de 16,4%, considerada “relativamente estreita”, e uma estrutura de despesas enxuta. Eles calculam que as unidades, após cinco anos de funcionamento, apresentam uma taxa interna de retorno de 20% e um retorno sobre o capital investido (Roic, na sigla em inglês) de 36%.
Assim como outros atacarejos, o Assaí foi lento em adotar as vendas pela internet – na verdade, foi uma escolha deliberada, segundo afirmou o CEO da companhia, Belmiro Gomes, citando os custos envolvidos.
Mas o rápido crescimento do e-commerce de alimentos, com os rivais realizando investimentos neste lado, e os efeitos da cisão com o Pão de Açúcar devem levar a empresa a desenvolver este modelo de negócios.
No primeiro momento, a expectativa dos analistas do BofA é de que o Assaí atue em parceria com plataforma de entrega, mas ele deve desenvolver sua própria estrutura, que pode estar pronta em 12 a 24 meses, segundo as estimativas do banco.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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