‘Equidade racial se tornou prioridade dentro da Vivo’, diz presidente
Dentro da extensa agenda ESG, que concentra ações ambientais, sociais e de governança, a Vivo aposta na equidade racial

A agenda ESG - que concentra ações ambientais, sociais e de governança - é extensa, mas, na Telefônica/Vivo, líder de setor no País, há uma prioridade clara no momento: a equidade racial. Para Christian Gebara, presidente da gigante das telecomunicações do Brasil, já passou da hora de se fazer essa reparação histórica: "Não é algo de um dia para o outro, mas é uma jornada em que entramos de cabeça".
Para isso, é preciso estabelecer metas, diz o executivo, tanto na porta de entrada quanto nas posições de liderança. O próximo programa de estágio da companhia, em setembro, estabeleceu que metade das 750 vagas deverá ser ocupada por negros. E a meta é ter 30% de negros na liderança até 2024, ante os atuais 19,5%.
"Somos uma empresa que fala muito para fora (sobre diversidade) e temos de transmitir isso para que as pessoas acreditem que estamos investindo nessa pauta", disse o executivo ao Estadão. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
A temática ESG é muito abrangente. Dentro desse assunto, qual é hoje a prioridade da Vivo?
As questões ambiental e de diversidade estão na lista prioritária. É uma necessidade dos nossos clientes, da sociedade e uma demanda dos nossos colaboradores. Não consigo, por exemplo, ver a cultura de uma empresa como inovadora se não incluirmos diversidade como algo inerente ao dia a dia de trabalho. A diversidade traz mais inovação e colaboração. Não atuo em um único segmento de cliente, em apenas uma região do Brasil. A Vivo é democrática, tem desde cliente que consome R$ 10 por mês até as maiores empresas do Brasil.
Estamos em todas as cidades do País e, se você não representa nem dentro da sua própria empresa o que é a sociedade brasileira, não consegue capturar o Brasil nos produtos. A diversidade é pilar da companhia. No tema raça, é uma reparação de um desequilíbrio estrutural. Acreditamos que temos de fazer nossa parte nessa reparação. Não é algo de um dia para o outro, mas é uma jornada em que entramos de cabeça.
Como são essas cotas?
No nosso programa de trainee, colocamos uma cota de 30% para negros e acabamos contratando 43%. Agora, no programa de estagiários, vamos ter 750 vagas, a partir de setembro. E colocamos a meta de contratar 50% de negros. Tiramos a necessidade de inglês como pré-requisito e vamos ajudar quem chega a ter essa formação. E nos conectamos com várias instituições que nos ajudam nessas contratações. Nossa meta é que nossa empresa tenha 30% de negros em 2024, hoje são 28,5%.
Leia Também
Levaremos a mesma meta para a liderança, queremos ter 30% - hoje estamos em 19,5%. Em todas as vagas de coordenação é preciso ter ao menos um negro como finalista. Somos uma empresa que fala muito para fora (sobre diversidade) e temos de transmitir isso para que as pessoas acreditem que estamos investindo nessa pauta.
As medidas relativas à pauta ESG são percebidas pelos consumidores?
Internamente eu preciso mostrar para os meus colaboradores que acredito nisso. Reduzimos muito, por exemplo, o consumo de plástico. As pessoas veem a Vivo como uma empresa que fornece internet, que chega pelo smartphone ou computador. Mas criamos um movimento de reciclagem, que não tem a ver com nosso serviço.
Abrimos todas nossas lojas e pontos de coleta para reciclar eletrônicos que as pessoas não usam mais. Não somos nós que fabricamos, mas achamos que era o momento de o consumidor associar que essa empresa é "eco-friendly", ela está preocupada com o meio ambiente. E isso é verdadeiro e acredito que o consumidor vai exigir da empresa.
Houve um recente caso de racismo em uma loja da Vivo, na qual um funcionário foi ofendido. Como foi lidar com isso?
Soubemos de um caso com um funcionário com dez anos na Vivo em uma loja em Niterói. Era um cliente desequilibrado. O funcionário ficou abalado com o acontecido, foi algo que sensibilizou a todos. É inaceitável. A polícia foi chamada, o cliente foi preso, mas solto depois de pagar a fiança.
Como a empresa está trabalhando a questão ambiental e a de energia renovável?
Em relação ao meio ambiente, não somos uma indústria, mas somos uma empresa emissora de CO2, com veículos que trabalham para a Vivo e os ares-condicionados das centrais. E nos sentimos na obrigação e na responsabilidade de compensar essas emissões e reduzi-las. Somos uma empresa carbono neutro porque reduzimos a emissão ou compensamos, por meio de créditos. E temos um projeto bem grande no caminho de concretizar o uso de energia limpa. Até o próximo ano vamos criar mais 70 plantas de energia limpa, entre biogás, hídrica e solar.
O projeto como um todo vai abastecer 28 mil unidades da empresa, centrais telefônicas, todas nossas lojas e todos os prédios administrativos. É um movimento importante nosso. Se hoje somos carbono neutro, queremos ir mais longe e temos o objetivo de conseguir ser carbono zero até 2025. E temos uma outra meta, muito mais ambiciosa, que é em 2040 ser carbono zero em toda a nossa cadeia de valor, que será o grande desafio.
A Vivo é uma empresa com uma ampla cadeia de fornecedores. Como incentivar que todos sigam esse caminho?
Vira um critério de seleção de fornecedor e passa a ser uma exigência. E os requerimentos que você vai ter para cada fornecedor serão diferentes. Estamos hoje avaliando o grau de maturidade de cada um deles, e haverá um plano de ação para cada um, dependendo da natureza do negócio. E hoje existe, no geral, um maior grau de consciência por parte deles.
Como se diferenciar de empresas que usam o ESG apenas como marketing?
Temos uma atuação nacional em um país continental como o Brasil. Somos uma empresa que fala em digitalizar para aproximar. Não falar de ESG, por mais que possa parecer que estamos falando das mesmas coisas que outras empresas, seria uma falta de responsabilidade do nosso lado. E, talvez, não falávamos muito do que sempre fizemos porque o interesse fosse menor.
Por exemplo: a Fundação Telefônica Vivo é uma das fundações mais atuantes no Brasil. Temos um orçamento anual de R$ 60 milhões dedicados à educação em que atuamos no Brasil inteiro, além de um dos maiores programas de voluntariado do País. Agora, como existe mais interesse, temos falado de maneira mais forte.
É claro que tem algumas tendências nessa sigla ESG que foram cada vez mais relevantes para a sociedade em geral nos últimos anos, e temos atuado de acordo com essa relevância.
Uma pesquisa recente, publicada pelo 'Estadão', mostra que presidentes de empresas brasileiras estariam menos animados com a agenda ESG do que os de outros países. Uma das explicações era que o ambiente no Brasil é mais difícil, com o governo indo na direção contrária nessas questões. Como o sr. vê esse tema?
Nosso programa e nossa atuação são independentes. A meta para a questão ambiental está desenhada há mais de dois anos, e vamos atrás desse plano. Temos autonomia, e o tema diversidade é algo em que acreditamos. Com um entorno polarizado, podem ocorrer críticas, e estamos abertos a elas. A polarização acaba gerando críticas mais duras.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
DO BRASIL PARA O MUNDO?
Nubank estreia nos EUA, lança aposta para dinheiro sem fronteiras e testa se sua fórmula pode ganhar o mundo
10 de setembro de 2026 - 13:41CARA OU COROA?
BB Seguridade (BBSE3) pode subir pouco, mas cair muito: o risco que fez o Citi recomendar a venda das ações
10 de setembro de 2026 - 11:33NÃO SÃO OS PANDAS QUE VOCÊ IMAGINA
Vale (VALE3) pode abraçar os panda bonds? Veja o que o CFO disse sobre a emissão de títulos na China
10 de setembro de 2026 - 10:52EMPRESAS DE TELEFONIA
É o fim dos planos de celulares de R$ 20? Por que as operadoras estão deixando ofertas ultrabaratas para trás
9 de setembro de 2026 - 17:57SEMANA CHEIA
Maior queda de hoje: Tenda (TEND3) cai mais de 6% após mudança de comando e estreia no Ibovespa
9 de setembro de 2026 - 15:48ALOCAÇÃO DE CAPITAL
O que o Banco do Brasil (BBAS3) está vendo na Argentina para continuar colocando dinheiro no país?
9 de setembro de 2026 - 14:27ALTA DOS PREÇOS
Fim da crise no agro está próximo? JP Morgan elege ação favorita no setor, que pode subir até 36,5%
9 de setembro de 2026 - 11:17MUDANÇAS NA BOLSA
INBR32 dá adeus à B3: Inter prepara mudança nos BDRs e deixa uma decisão importante para os investidores
9 de setembro de 2026 - 9:39CRESCIMENTO BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) tem mais dinheiro em caixa — vêm mais dividendos por aí? Entenda os planos da empresa para gerar mais retorno
9 de setembro de 2026 - 6:11FAXINA NO ARMÁRIO
Enjoei (ENJU3) vai desapegar dos centavos com grupamento de ações na razão de 10 para 1
8 de setembro de 2026 - 20:04TROCA DE GUARDA
Marcos Cruz assume oficialmente como CEO da Tenda (TEND3); saiba o que muda na construtora
8 de setembro de 2026 - 19:15TESOURA NAS ESTIMATIVAS
BofA corta apostas em bancos, mas vê espaço para alta em Itaú, BTG e mais 3 ações; veja quais
8 de setembro de 2026 - 18:24EXPANSÃO INTERNACIONAL
Inter chega à Argentina com conta em dólar e acesso a Wall Street; veja o que está por trás da estratégia
8 de setembro de 2026 - 16:23ASSÉDIO ELEITORAL?
“Vocês vão ter que arranjar outro emprego”: a frase que levou o MPT para cima do “Véio da Havan”.
8 de setembro de 2026 - 11:11INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Sucessor de Warren Buffett diz como Berkshire Hathaway vai ganhar dinheiro com IA (a resposta não está só na bolsa)
7 de setembro de 2026 - 15:35FILHA DO DIVÓRCIO
Farm vale mais que a Azzas (AZZA3) na bolsa? Marca deve receber propostas neste mês após ruptura entre Arezzo e Soma, diz jornal
7 de setembro de 2026 - 10:35FALÊNCIA
190, 192 e 193: Anatel autoriza venda da telefonia fixa da Oi (OIBR3) por R$ 60 milhões
7 de setembro de 2026 - 9:20DE OLHO NAS DÍVIDAS
Adeus, CSN Cimentos? Novo CEO da CSN (CSNA3) prepara venda de ativos bilionários, diz jornal
6 de setembro de 2026 - 12:55PODCAST TOUROS E URSOS
Por que tantas empresas estão quebrando no Brasil?
6 de setembro de 2026 - 11:15AGENTES DE IA