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Gilson Finkelsztain, presidente da B3, se diz preocupado com a falta de regulação das criptomoedas, mas vê espaço para dona da bolsa brasileira “tokenizar” ativos que não são digitais, como imóveis
Até mesmo para os padrões de um alto executivo, podemos dizer que a manhã de 19 de outubro foi agitada para Gilson Finkelsztain, CEO da B3 (B3SA3), dona da bolsa de valores brasileira.
O dia começou com o anúncio da aquisição da Neoway, um negócio de R$ 1,8 bilhão, que foi seguido de uma teleconferência com analistas para detalhar a operação. Logo na sequência, ele participou do evento de lançamento de um novo índice de ações na bolsa.
Foi apenas durante um deslocamento de táxi a caminho de outro encontro na agenda — ainda antes da hora do almoço — que Finkelsztain encontrou um tempo para concluir a entrevista para o Seu Dinheiro, iniciada na semana anterior.
A correria do CEO acontece em um momento difícil para as ações da B3, que também é uma empresa listada na única bolsa de valores brasileira — fruto da união da antiga Bovespa com a BM&F e posteriormente com a Cetip.
O fantasma da entrada de um concorrente, que vira e mexe assombra a dona da bolsa brasileira, é um dos fatores que pesam sobre os papéis, que acumulam uma queda da ordem de 40% em 2021.
O mercado também teme que a alta dos juros prejudique os resultados futuros da bolsa, que recebeu quase 3 milhões de novos investidores nos últimos anos.
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“É claro que eu sou enviesado, mas entendo que o nosso papel está muito barato. Não vejo nenhum grande indicador que me faça crer que vai haver uma desaceleração no negócio.”
Gilson Finkelsztain, CEO da B3
Finkelsztain diz não ver problema para a companhia em ter um ou mais concorrentes, desde que o mercado brasileiro cresça. “Para a B3 é melhor ter 80% de um mercado que seja o dobro do atual do que 100% de um mercado pequeno.”
Para ele, a oportunidade para um competidor surge quando o incumbente — no caso, a B3 — não se antecipa no lançamento de novos produtos no mercado, o que não é o caso da bolsa.
Nesse sentido, ele destaca o lançamento frequente de novos produtos, entre eles as iniciativas no novo e efervescente universo das criptomoedas, como os fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês). Pouco mais de seis meses após o lançamento, os ETFs já contam com mais de 160 mil investidores.
Negociar criptomoedas na bolsa traz a vantagem de trazer esse mercado para um ambiente regulado, uma das preocupações de Finkelsztain, que não poupa críticas às plataformas de negociação das moedas digitais (exchanges). Ele nega, por exemplo, que essas empresas façam um trabalho parecido com o de uma bolsa como a B3.
“Elas na verdade são corretoras de criptomoedas, que não têm absolutamente nenhuma regulação. O custo de operação é muito mais alto, e a proteção para o investidor é muito menor.”
Muito se fala sobre a possibilidade de a tecnologia das criptomoedas ameaçar o negócio da B3, mas Finkelsztain não vê esse risco porque as ações de empresas já são negociadas de forma digital, inclusive fracionada.
Dentro da estratégia de investir nas “adjacências” do negócio de bolsa, ele entende que a tecnologia por trás das criptomoedas pode ser uma oportunidade para a dona da bolsa “tokenizar” ativos que não são digitais.
“Comprar o token de um ativo que não é digital, como uma obra de arte, um imóvel ou um carro, é interessante e é algo que a B3 tem que olhar.”
Na conversa com o Seu Dinheiro, que durou quase duas horas no total e custou o atraso em outra reunião, Finkelsztain falou sobre o que pensa da ameaça de concorrência para a B3, os planos de crescimento via aquisições, perspectivas para as ofertas iniciais de ações (IPOs) e até sucessão presidencial.
Leia a seguir os principais trechos:
“Dentro da estratégia de crescer nas adjacências do negócio da B3, essa é uma operação que tem um ponto estratégico, que é investir em negócios de análise de dados para diversos negócios. Então a gente vê muita sinergia nessa operação. Leia mais detalhes sobre a compra da Neoway.
Também estamos olhando para outros negócios no entorno do que a gente já faz, como energia, carbono, seguros e outros. Estamos comprometidos em investir e temos o incentivo de acionistas para olhar novas oportunidades.”
“Os movimentos na bolsa são assim, exacerbados. Existe muita incerteza do que serão os próximos 18 meses até as eleições, uma combinação de incertezas macro que impactam muito o negócio.
Mas as pessoas subestimam um pouco a nossa capacidade de performar bem quando o vento está contra. A beleza da nossa operação e de criar a B3, ao juntar os negócios de Cetip e BM&FBovespa, foi deixar o negócio mais resiliente.
É fato que o mercado de ações foi a grande queridinha do mercado, e a B3 chegou em um patamar em que se questiona se ainda vai crescer muito mais. Eu não tenho a resposta.
Essa combinação de inflação mais alta, juro de dois dígitos, eleições e incerteza fiscal trouxe essa nuvem cinza. Mas a gente continua com a visão de que a B3 está performando superbem.”
“Quando eu olho 2015-16, ainda no segundo governo Dilma [Rousseff], a gente tinha 500 mil investidores em renda variável. Hoje a B3 tem quase 3,5 milhões de pessoas físicas. Lá, a gente tinha os bancos públicos sufocando a atividade de mercado de capitais.
Hoje a gente não tem esse desenho. O mercado está andando sozinho, seja nas captações locais ou externas. Mudou a discussão de patamar.
A velocidade de desenvolvimento do mercado de renda variável pode desacelerar? Talvez sim, porque o juro é mais alto. Então as pessoas talvez migrem de ações e IPOs para fundos imobiliários e debêntures. Mas para a B3 isso é ótimo.”
“Eu remeto a uma conversa que tive com um investidor estrangeiro, quando comentei que é cruel o brasileiro ter que escolher entre Lula e Bolsonaro. A gente merecia ter mais alternativas, no mínimo. Ele então me respondeu que pelo menos os dois não são mais desconhecidos e não são nenhum bicho papão.
Em algum momento em 2002 ninguém sabia explicar o que era o Lula. Em 2018, ninguém sabia explicar o que era o Bolsonaro. O resumo dessa história talvez seja que já passamos por momentos piores.”
“O mercado está mais seletivo, mas o investidor segue buscando novas alternativas em uma série de modalidades, como os criptoativos que estamos trazendo para a bolsa e novos produtos, como o Fiagro.
No caso dos IPOs, as empresas que estão chegando no processo de listagem têm um desafio de saber se há fluxo suficiente para o mercado absorver novas emissões.
Então isso explica um pouco desses adiamentos, e eu não acho isso de todo ruim. Não sou daqueles que acha necessariamente bom que todas as empresas consigam fazer IPO.
No médio prazo, você pode descobrir que talvez tenha antecipado alguns movimentos de empresas que não deveriam vir a mercado, seja pela governança, seja pela maturidade do negócio.”
“A gente obviamente é contra o aumento de carga tributária nas empresas. Então a taxação de dividendos não é uma pauta que a B3 goste. Agora, o governo foi claro ao dizer que não está buscando um aumento de carga tributária, e sim um rebalanceamento, taxando o dividendo e diminuindo o imposto de renda da pessoa jurídica.
Sob essa ótica, de combater o que o governo tem chamado de “injustiças tributárias”, o projeto tem mérito. É claro que não fico muito feliz com a tributação. A B3 é uma grande pagadora de dividendos, então não é positivo pra gente. Mas acho que a reforma não compromete a agenda das empresas crescerem e se listarem na bolsa.”
A gente ficou superincomodado em 2018, quando os poucos IPOs que aconteceram foram para a Nasdaq ou para a Nyse. Foi o caso de PagSeguro, Stone, pouco depois a XP. Mas desde então houve várias mudanças regulatórias positivas.
A primeira delas foi a regulamentação dos BDRs [recibos de ações de empresas listadas em bolsas estrangeiras], que permitiu que essas empresas pudessem ter os papéis negociados aqui.
A gente também mostrou nesse ciclo de quase 70 IPOs nos últimos 18 meses que não há restrição por parte dos investidores de comprar bons projetos no mercado local.
Então não tenho mais essa preocupação de que o mercado inteiro vai ser exportado. Para poucas empresas faz sentido listar lá fora, e nesses casos a gente tem que perseguir que elas façam dupla listagem.
A segunda vitória que nós tivemos foi a aprovação do voto plural [que permite que uma empresa tenha ações com direito a “supervoto” para os fundadores]. Com isso, diminuiu a arbitragem regulatória. A B3 está inserida em um cenário de competição global, e essa questão trazia uma desvantagem competitiva.
O projeto, que já está em vigor, não ficou maravilhoso, mas me surpreendeu positivamente. Se você me perguntasse no começo do ano quando essa questão entraria na agenda, com uma mudança na Lei das S/A, responderia que ainda levaria alguns anos.
“A B3 é inserida em um mercado em que a competição é global, então esse não é um tema novo. A gente sempre atuou como se houvesse competição em todos os mercados. É bom que a gente volte a falar nisso, porque é um sinal de que o mercado está amadurecendo.
O mais importante é o mercado se desenvolver. Para a B3 é melhor ter 80% de um mercado que seja o dobro do atual do que 100% de um mercado pequeno.
A B3 se prepara para esse potencial cenário desenvolvendo novos produtos. O incumbente normalmente perde market share e há demanda por um novo entrante quando não é capaz de atender as necessidades do mercado. E a gente tem um olhar muito atento a isso.”
“Um tema que apareceu foi o da competição vinda de corretoras. Esse é um tema técnico, mas surgiu a história de que a internalização de ordens, com os dark pools, seria uma forma de trazer competição para a bolsa. Mas isso é uma grande falácia.
As experiências mostram que os dark pools são muito danosos para a formação de preços e só funcionam para mercados muito grandes. Por isso, comparar o mercado brasileiro com o americano, que é 100 vezes maior, não é adequado. Lá os dark pools são permitidos, e o regulador tem falado cada vez mais que é preciso rever isso.”
A B3 quer mostrar que a bolsa agrega muito mais valor trazendo programas de maior liquidez das ações ou de derivativos do que [diminuindo] a cobrança.
A gente vai começar a mostrar que existe um conceito de custo total do trading — e o custo da bolsa é uma fração disso. O mais importante é que o ativo tenha bastante liquidez. Então, o maior incentivo que a B3 pode dar é investir em trazer mais liquidez para os nossos mercados.
“A gente está trazendo vários produtos de cripto para dentro da B3. Já temos mais de 160 mil investidores nos cinco ETFs, e estamos estudando o lançamento de derivativos de criptomoedas.
Mas é preciso dizer que as empresas que atuam nesse mercado se vendem como bolsa [exchanges], mas na verdade não são bolsa, porque não têm regra nenhuma.
Elas na verdade são corretoras de criptomoedas, e que não têm absolutamente nenhuma regulação. O custo de operação é muito mais alto, e a proteção para o investidor é muito menor. Custa umas 50 vezes mais caro operar criptomoedas do que ações. E depois dizem que a bolsa é cara…”
“Dentro das chamadas finanças descentralizadas (Defi), não acho interessante explorar o token de ações, porque isso já existe. É fácil comprar uma ação ou uma fração de ação da Vale.
Agora, comprar o token de um ativo que não é digital, como uma obra de arte, um imóvel ou um carro, é interessante e é algo que a B3 tem que olhar.
Qualquer ativo que tem um custo alto de transação tem um viés de simplificação da negociação se você traz para o mundo digital. A gente viveu isso nos últimos anos com os ativos cartulares, como o CRI [certificado de recebível imobiliário].
Sob essa ótica, as finanças descentralizadas podem trazer inovação, e as corretoras de criptoativos têm provocado isso, então a B3 tem um aprendizado nesse sentido. Mas me preocupa a falta de regulação das criptomoedas, porque a história mostra que os inocentes acabam pagando caro por isso.”
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