Entre pandemia e custos de reestruturação, Cogna fecha 2020 com prejuízo bilionário
Grupo de educação diz que concentrou efeitos da reestruturação no ano passado para garantir retomada do crescimento do Ebitda em 2021

O ano de 2020 foi bem duro para as empresas de educação, com as medidas adotadas para controlar a pandemia de covid-19 resultando no fechamento de escolas e faculdades, com a migração dos alunos para o ambiente virtual.
Para a Cogna (COGN3), a maior companhia do ramo, a situação foi particularmente ruim no ano passado em função do processo de reestruturação no qual embarcou, e ela não fez questão de esconder isso no relatório da administração, que acompanha as demonstrações financeiras padronizadas (DFP).
Segundo ela, a combinação da significativa redução de receita de alunos com bolsas do programa federal Fies, um dos vetores de crescimento nos últimos anos, junto com a piora da economia ocasionada pela pandemia, impactou fortemente os resultados da companhia.
A Cogna sofreu com a pressão negativa sobre a receita no ensino superior e o menor volume de vendas ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) em 2020. E teve ainda que realizar um complemento nas provisões para crédito de liquidação duvidosa (PCLD) no valor de R$ 415 milhões no quarto trimestre, diante dos ajustes nos cálculos das contas a receber.
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Todo este turbilhão, mais as consequências da reestruturação sendo promovida no sistema de ensino superior, que forçou a realização de baixas contábeis bilionárias, e outros itens não recorrentes, resultaram num prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões em 2020 para a Cogna, revertendo o lucro de R$ 241,6 milhões de 2019, e de R$ 4 bilhões no quarto trimestre, acima da perda de R$ 168,3 milhões do mesmo período do ano anterior. Sobre o prejuízo bilionário, a Cogna destacou que ele não tem efeito em caixa, cuja geração, por sinal, cresceu 17% em 2020.
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Em termos ajustados, o prejuízo da Cogna somou R$ 589,2 milhões no quarto trimestre e R$ 907,4 milhões em 2020, revertendo lucro nos dois casos – R$ 51,6 milhões e R$ 771,9 milhões, respectivamente.
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) no quarto trimestre foi negativo em R$ 3,7 bilhões, revertendo o lucro do quarto trimestre de 2019, fechando 2020 negativo em R$ 4 bilhões.
O Ebitda recorrente no trimestre também foi negativo, só que num montante menor (R$ 100,5 milhões), enquanto em 2020 ele foi positivo, em R$ 689,6 milhões, queda de 70,7%.
A queda no número de alunos Fies e nas vendas ao governo levou a receita consolidada a recuar 15% no quarto trimestre e 16,1% em 2020, para R$ 1,6 bilhão e R$ 5,9 bilhões, respectivamente.
Arrancando o curativo de uma vez
Não havia como a Cogna escapar dos impactos da pandemia e da queda da receita de alunos Fies, mas ela poderia ter adiado algumas das medidas amargas que tomou, como a reestruturação do ensino superior e os ajustes nas contas a receber, que resultou no aumento do PCLD. Mas a opção foi de arrancar logo o curativo.
“Tínhamos a opção de tentar mitigar esses impactos em 2020 ou sermos agressivos para fazer as mudanças necessárias que trariam a companhia para uma nova trajetória de geração de valor já em 2021. Ficamos com a segunda opção”, diz trecho do relatório.
Ela concluiu no final do ano passado a reestruturação da Kroton. Por meio da unificação de unidades e de transferência de unidades a parceiros, ela reduziu seus campi em 45 unidades. Adicionalmente, realizou 81 otimizações imobiliárias, envolvendo redução de espaço físico. Ela calcula que as medidas resultarão em uma economia de R$ 155 milhões por ano.
“Aliado à redução no custo de ocupação, implementamos outras iniciativas que nos dão segurança de que a Kroton entregará crescimento de Ebitda em 2021 mesmo com queda na receita”, diz trecho do balanço.
Outro ponto da reestruturação, e que pesou no resultado de 2020, foi a adoção de um novo modelo de provisionamento para os alunos da Kroton, “mais assertivo e mais conservador”. Adicionalmente, em função dos efeitos da pandemia, a empresa adotou um critério mais conservador em relação à recuperação de contas a receber já baixadas (vencidas há mais de 360 dias). Tudo isso, mais a revisão de premissas em programas de parcelamento, resultaram no impacto de R$ 415 milhões.
Segundo a Cogna, os ajustes relevantes foram encerrados e não há necessidade de adicional de ajuste extraordinário em nenhum bloco do contas a receber.
“Encerramos 2020 com a operação e o balanço mais leves, e reafirmamos que em 2021, apesar da queda de receita, tanto Kroton quanto Cogna apresentarão crescimento de Ebitda, retomando, já neste ano, sua trajetória de geração de valor.”, diz trecho do balanço.
As mudanças, porém, ainda devem demorar para fazer a empresa voltar a ser o que era. Em dezembro, a Cogna indicou que deve levar cinco anos para recuperar os níveis de Ebitda obtidos em 2019.
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