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Fabricante de aeronaves diminui prejuízo no 4º trimestre e registra reversão de itens que pesavam em seu desempenho, mas o que interessa é o curto prazo
A Embraer (EMBR3) demonstrou no quarto trimestre que o tempo ruim que encobre a empresa está começando a melhorar, um alento depois de toda a turbulência que enfrentou nos últimos anos, começando pelo fim do acordo com a Boeing e chegando aos efeitos da pandemia de covid-19.
A fabricante de aviões ainda não saiu do vermelho, como mostra o prejuízo de R$ 3,6 bilhões em 2020, alta de 2,7 vezes ante à perda de 2019. Mas nos últimos três meses do ano passado, o prejuízo foi de apenas R$ 7,7 milhões, muito menos que os R$ 867,8 milhões apurados no quarto trimestre de 2019.
O desempenho foi considerado positivo pelos analistas, mas o que importa agora são as perspectivas para o curto prazo. O BTG Pactual – cuja recomendação para os recibos de ações (ADRs) é neutro, com preço-alvo de US$ 8,00 – disse que o resultado do quarto trimestre veio acima do esperado, mas que os investidores estão de olho no ritmo de recuperação do mercado aéreo.
"Devido à incerteza relacionada à pandemia de covid-19, as metas financeiras e para entregas em 2021 permanecem suspensos por ora", diz trecho do relatório assinado pelos analistas Lucas Marquiori e Fernanda Recchia. "Com o fracasso do acordo com a Boeing, a possibilidade de novas parcerias com outras fabricantes permanece sendo o principal upside da nossa tese de investimento."
Além disso, o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, afirmou que novos contratos dependem da velocidade de vacinação ao redor do mundo.
"Estamos conversando com companhias aéreas, mas a conclusão dos contratos depende do progresso da vacinação nos países", afirmou o executivo em teleconferência com analistas.
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Por conta disso, as ações da Embraer chegaram a cair mais de 2%, mas se recuperaram e fecharam o dia em alta de 4%, a R$ 14,51. Acompanhe a cobertura de mercados do Seu Dinheiro.
No final do ano passado, a receita líquida da Embraer atingiu R$ 9,8 bilhões, crescimento de 14% em relação ao quarto trimestre de 2019, principalmente em função da variação cambial no período.
O recuo de 3% da receita de aviação comercial, a maior unidade da Embraer e que quase foi vendida para a Boeing, foi compensada pelo crescimento da receita nas demais áreas de negócio, em especial em Defesa & Segurança que apresentou aumento de 121%.
Nesse período, a Embraer entregou um total de 71 aviões, sendo 28 jatos comerciais e 43 jatos executivos, menos que as 81 unidades registradas em 2019, mas acima das 28 aeronaves apuradas no terceiro trimestre. Com isto, ela fechou o ano com 130 jatos entregues, abaixo dos 198 registrados em 2019.
“As entregas da Embraer de 2020 foram negativamente impactadas principalmente pela pandemia da covid-19, que continua afetando o mundo e especialmente as viagens aéreas comerciais. As entregas anuais da aviação comercial caíram 51% em 2020 quando comparadas às 89 entregas de 2019, enquanto as entregas da aviação executiva foram menos impactadas caindo 21% em relação às entregas do ano anterior que foram de 109 jatos (62 jatos leves e 47 jatos grandes)”, diz trecho do balanço.
A Embraer conseguiu fechar o quarto trimestre com um lucro operacional de R$ 548,1 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 277 milhões do ano passado, com a ajuda de itens especiais, como a reversão de provisão para perdas de crédito esperadas durante a pandemia e das baixas contábeis realizadas feitas nos ativos das três divisões, e uma variação positiva na participação dela na Republic Airways Holdings.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 924,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 23,5 milhões do quarto trimestre de 2019. No acumulado de 2020, o saldo permaneceu negativo, em R$ 177,1 milhões, enquanto no ano anterior houve lucro de R$ 431,4 milhões.
A geração livre de caixa ajustado da Embraer somou R$ 3,7 bilhões, enquanto no terceiro trimestre houve uso de R$ 3 bilhões. O resultado de 2020 mostrou um uso de R$ 4,7 bilhões, enquanto em 2019 o gasto foi de R$ 434,6 milhões. Já a dívida líquida cresceu de um ano para o outro, de R$ 2,4 bilhões para R$ 8,8 bilhões.
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