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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

De volta ao radar

Bradesco BBI volta a cobrir Gafisa após o longo inferno astral da construtora, com recomendação neutra

Depois de quase quebrar e sair do radar dos analistas, Gafisa volta a ser notada, mas turnaround ainda é considerado incompleto

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
23 de julho de 2021
17:55 - atualizado às 10:29
Logo da incorporadora Gafisa em meio aos prédios da cidade de São Paulo
Logo da incorporadora Gafisa em meio aos prédios da cidade de São Paulo - Imagem: Montagem Andrei Morais/Shutterstock

Após uma sucessão de crises e de quase ter ido à bancarrota após ter sido tomada de assalto pelo investidor coreano Mu Hak You, a Gafisa finalmente está voltando a ser notada pelos analistas de ações.

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O Bradesco BBI emitiu um relatório anunciando o reinício de cobertura da construtora especializada nos segmentos de médio/alto padrão, destacando o seu bem-sucedido turnaround, mas ainda assim mantendo uma recomendação apenas neutra para os papéis (GFSA3).

Ainda assim, o preço-alvo estimado pelos analistas do Bradesco BBI para a ação da Gafisa é de R$ 5,50, ou seja, com um potencial de alta de 34% frente ao seu preço atual.

"Nós acreditamos que a relação risco-retorno da ação está bem equilibrada neste momento, daí nossa recomendação neutra. Mas reconhecemos que evolução positiva em direção aos objetivos de turnaround dos administradores, embora ainda seja cedo para considerá-los atingidos", diz o relatório.

Os analistas retomaram a cobertura dado o aumento do volume médio de negociação dos papéis, atualmente em R$ 21 milhões por dia. Após a derrocada da empresa em 2018, com o episódio Mu Hak, a Gafisa foi saindo do radar dos analistas.

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Hoje, no site de Relações com Investidores da companhia, há apenas duas casas cobrindo o papel: a Planner, que detém participação relevante na incorporadora, e a Nord Research, casa de análise independente.

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Para o Bradesco, de fato os executivos que assumiram na era pós-Mu Hak tiveram "conquistas notáveis" à frente da construtora, mas ainda há muito a ser feito para "reconstruir" a empresa.

Os analistas destacam que a relação entre dívida e patrimônio líquido da Gafisa caiu de 162% em 2019 para apenas 40% atualmente, um endividamento muito mais fácil de manejar.

Mas que uma recomendação de compra ainda demandaria alguns "gatilhos": uma retomada efetiva dos lançamentos residenciais, a entrega da sua estratégia de fusões e aquisições e a diversificação para propriedades geradoras de renda - "todos os quais factíveis, mas não óbvios", dizem.

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Em termos de preço e na situação atual, os analistas do Bradesco BBI enxergam Gafisa no mesmo patamar que outras ações de construtoras que eles cobrem, como Moura Dubeux e Helbor, porém com mais riscos de execução na estratégia de fusões e aquisições.

Da frigideira para o fogo

Desde 2008, quando decidiu comprar a Tenda, a Gafisa já passava por momentos difíceis. Após problemas de integração com sua subsidiária de imóveis populares e uma forte crise econômica em 2015 e 2016 que pegou o mercado imobiliário de jeito, a companhia ficou frágil e os preços das suas ações despencaram.

Como a Gafisa não tinha controlador definido, após a queda dos preços dos papéis, o investidor coreano Mu Hak You, por meio da sua gestora GWI, passou a comprar ações da construtora em bolsa até conseguir assumir o controle.

Mu Hak já era bem conhecido pelo seu jeito temerário de tocar os negócios, e sua entrada na Gafisa, mudando toda a alta administração e fazendo uma série de barbeiragens com o caixa da empresa, deixou o mercado de cabelo em pé.

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A passagem do furacão coreano pela construtora foi breve: começou no fim de 2018 e terminou no início de 2019. Mas foi o suficiente para fazer um tremendo estrago que, com pandemia no meio do caminho, ainda por cima, levaria anos para ser consertado.

Com a saída da GWI, que precisou vender sua participação, a Planner, que representa um grupo de investidores, se tornou a principal acionista do negócio. Pouco tempo depois, o empresário Nelson Tanure, conhecido pela sua atuação à frente de empresas em apuros, como a Oi, passou a integrar o conselho de administração da Gafisa. Com isso se iniciou o longo turnaround, ainda em curso.

Os analistas do Bradesco BBI chamam atenção para a redução do endividamento e por quase toda a dívida da empresa ser, hoje, relacionada a seus projetos. Mas lembram que ainda há muito a se fazer, como a compra de terrenos, o aumento dos lançamentos e a aceleração do crescimento via fusões e aquisições.

Para considerar o turnaround completo e, assim, ter uma visão mais positiva em relação à empresa, o Bradesco considera necessário, ainda, que a Gafisa atinja margens mais saudáveis, além de conseguir integrar negócios que venha a adquirir.

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