Bancões terão ciclo de crescimento nos próximos anos e podem subir mais de 30%, diz Credit Suisse
Melhora no controle de custos, expectativa de alta dos juros e operações que podem gerar valor são alguns dos gatilhos citados pelos analistas

Os grandes bancos brasileiros já viveram dias melhores. No último ano, o crescimento da concorrência, com a proliferação de fintechs, e os desdobramentos da crise causada pelo coronavírus tiveram um reflexo negativo no lucro das principais instituições financeiras do país.
Com bilhões de reais em provisões, a expectativa do mercado é que o lucro combinado dos bancões seja de R$ 63,9 bilhões em 2020, uma queda de 26% com relação a 2019.
A queda é expressiva, mas, aparentemente, não assusta os analistas do Credit Suisse, que projetam um ciclo de alta para as receitas do Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBSA3), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) nos próximos anos.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (01), os analistas Marcello Telles, Otavio Tanganelli, Alonso Garcia e Juliana Alonso reafirmaram suas expectativas positivas para o setor e elevaram os preços-alvos para todas as ações. Segundo o Credit, a perspectiva de uma alta de juros em breve, o crescimento de até 8% no crédito e um controle de custos forte e bem-sucedido deve levar a um crescimento de 27% nos lucros em 2021 e de 15% em 2022.
Com a revisão e baseados nos preços de fechamento das ações na última sexta-feira (29), os analistas esperam uma alta de 37,66% para os papéis do Itaú Unibanco (para R$ 39), 35,85% para o BB (para R$ 46), 37,42% para o Bradesco (para R$ 34) e 34,99% para o Santander Brasil (para R$ 53).
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Razões para sorrir
Na visão do banco suíço, as provisões bilionárias feitas durante a pandemia foram essenciais para que os ativos sofressem menos do que o esperado com a crise. Assim, a recuperação deve ser mais rápida. O Credit acredita que o retorno sobre patrimônio deve acelerar em média 17% no ano que vem (bancos privados podem chegar a 18%).
Para 2021, os analistas acreditam que os balanços devem trazer menos provisões contra a inadimplência — que atingiu o seu ápice no segundo trimestre de 2020. Essa mudança, aliada ao crescimento do crédito no varejo, elevação da taxa de juros e retorno do crédito rotativo, pode levar a um crescimento de receita de 2% já neste ano. Para 2022, a projeção é de um avanço de 9%.
"Acreditamos que a margem de crédito deve cair no 4T20 e melhorar posteriormente com um melhor mix de empréstimos. Vemos nossa previsão de crescimento de receita para 2021 como conservadora e com a melhora esperada para 2022, o resultado pode ser potencialmente antecipado" - Credit Suisse
A pandemia também teve alguns impactos positivos no controle de custos por parte das empresas do setor financeiro. No relatório, os analistas destacam que a digitalização, uso mais intenso de armazenamento em "nuvem", home office e outros avanços na área tecnológica trazem oportunidades de corte de despesas, que podem mitigar em partes a pressão causada pela concorrência das fintechs, possibilitando uma melhora na proposta de valor (com corte de taxas) e melhora da sua lucratividade.
Para os analistas, as expectativas positivas superam as negativas no setor. Além do novo ciclo de alta previsto para os próximos anos, os bancos também se encontram em um patamar descontado perante seus pares estrangeiros, cerca de 30%, sendo assim oportunidades atrativas de investimento.
O crescimento de receita e margem não é o único aspecto que pode gerar valor ao acionista. O Credit Suisse também destaca operações como a cisão da participação do Itaú na XP Investimentos e da Getnet do Santander Brasil, o crescimento do banco digital Next, do Bradesco, e uma melhora da gestão de ativos do Banco do Brasil.
A melhor opção
Todas as ações citadas seguem classificadas como "outperform", ou seja, acima da expectativa do mercado. Dentro do setor, a preferência dos analistas é pelos bancos privados já que a instituição vê um maior espaço para surpresas positivas nos lucros, com os papéis do Itaú Unibanco sendo os favoritos.
"O Itaú Unibanco continua sendo nossa principal escolha, pois acreditamos que o banco é o mais atraente, já precificando a criação de valor gerada da cisão da participação na XP" - Credit Suisse
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