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Não sei o quanto você já refletiu sobre os seus sonhos.
Não digo sonhos do tipo "quero evoluir na minha carreira de modo a alcançar um posto de C-Level" ou "desejo uma nova BMW M3 Competition Track", que são falsos sonhos.
Refiro-me a descobrir-se vestido apenas com meias escocesas no centro do pátio da escola ou abrir uma lata de molho de tomate e encontrar um chip de computador lá dentro.
Quem nunca?
A primeira coisa que me vem à mente quando eu me lembro dos meus sonhos malucos é:
"Cara, como é que minha cabeça pode produzir narrativas que eu sou incapaz de compreender?".
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Tenho certeza de que você é dominado por essas mesmas indagações enquanto pratica sua corrida matinal, fuma um cigarro ou toma uma xícara de café.
Sonhos são mediadores entre a ordem e o caos. Não podemos compreendê-los literalmente, pois eles se encontram sobre a fronteira entre esses dois mundos.
Aliás, a mesma fronteira cuidadosamente habitada pelas ações oníricas.
Ações oníricas também se situam entre a ordem e o caos. Elas não proporcionam a paz de espírito das ações que vivem inteiramente na ordem, e não dependem de turnarounds, como as ações que vivem mergulhadas no caos.
É o caso, por exemplo, de Eletrobras.
ELET distribui um provento decente (5% de yield), gera caixa, setor regulado, mas sua porrada mesmo depende de um evento onírico: a privatização.
Antes uma questão de "SE", agora a privatização da Eletrobras virou uma questão de "QUANDO", o que faz muito mais sentido.
Quando vai acontecer?
É dificílimo adivinhar se vamos ou não vamos sonhar nesta noite específica de quinta-feira.
Muito mais fácil seria apostar que sonharemos o sonho mais lindo em alguma das muitas noites daqui até dezembro.
A maioria dos investidores de Bolsa prefere fazer contas em vez de sonhar.
Antes da prova de matemática, eu tenho essa mania de sonhar acordado.
Então toca o sinal do fim do recreio, não há mais tempo.
Tiro o chip de dentro e uso a lata para cobrir minha genitália, enquanto caminho em direção à sala de aula.
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