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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Bitcoin no mundo

Sem meio termo: bitcoin pode virar moeda universal ou implodir, afirma Citibank

Entre as dificuldades de adoção da moeda, estão a melhoria dos sistemas digitais e a alta especulação em torno do ativo

Renan Sousa
Renan Sousa
2 de março de 2021
8:14
Fachada da sede do Citi
Fachada da sede do Citi - Imagem: Shutterstock

O Citibank afirmou, por meio de um relatório de mais de 100 páginas, que o Bitcoin pode transformar o mercado de uma maneira tão diferente que, no futuro, pode ser usado como uma moeda global.

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Os analistas que assinam o relatório afirmam que produtos parecidos com o Bitcoin, como as “stablecoins” (moedas utilizadas para reduzir a volatilidade de criptoativos) e outras moedas digitais, poderiam dar mais legitimidade e até facilitar o uso de criptomoedas pelo público. 

O relatório destacou o aumento do uso de criptomoedas por empresas como PayPal, Mastercard e Tesla, comparando o Bitcoin ao “ouro digital”. "Nesse cenário, o bitcoin pode estar perfeitamente posicionado para se tornar a moeda preferida para o comércio global", disse uma equipe de analistas do Citi liderada por Sandy Kaul, chefe global dos serviços de consultoria de negócios.

Há um porém

Como nem tudo são flores e bytes do mundo digital, os analistas do Citi destacam ainda que existe uma especulação muito alta em torno do Bitcoin, o que gera um “ponto de inflexão” para a adoção mais abrangente da moeda.

Para Bernardo Teixeira, CEO da BitcoinTrade, ainda há um caminho a ser percorrido para a adoção mais ampla do Bitcoin. "Na prática, [o Bitcoin] ainda tem características muito peculiares, e sua adoção em massa depende da resolução desses 'defeitos'. Coloco os defeitos entre aspas, pois na prática estamos avaliando o Bitcoin e comparando-o ao dólar, mas o Bitcoin não deve, à princípio, se propor a ser um substituto ao dólar", comenta.

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Ao longo do relatório, são destacados pontos como melhoria dos sistemas e uma adoção de regras menos rígidas, que podem fazer do bitcoin uma moeda possível de ser usada em larga escala. Além disso, é preciso retirar o caráter especulativo da moeda para que ela possa ser adotada de maneira mais segura. 

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"Ele ainda é muito volátil. Isso impede que seja largamente utilizada como forma de pagamento no dia a dia, pois obrigaria a todos que ficassem remarcando os preços de acordo com a cotação", afirma Bernardo. "Quando o objetivo é fazer uma remessa internacional com milhões de dólares, esperar 10 ou 20 minutos pode não ser um problema. Mas sentado à mesa de um restaurante esperando para ir embora, por exemplo, 5 minutos já é tempo demais".

Boas perspectivas

"[o bitcoin] É imune à política fiscal e monetária, evita a necessidade de transações de câmbio transfronteiriças, permite pagamentos quase instantâneos e elimina preocupações sobre inadimplências ou cancelamentos, pois as moedas devem estar na carteira do pagador antes que a transação seja iniciado", afirma o relatório.

O Citi destaca que os futuros do bitcoin são desconhecidos. Entretanto, o “desenvolvimento de novas tecnologias no curto prazo podem equilibrar a especulação com a maior aceitação da moeda”, afirma o banco.

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Bons ventos

Enquanto você não pode usar bitcoins para pagar uma pizza, a moeda segue sendo um investimento atrativo. Apesar da difícil semana passada, em que a criptomoeda caiu mais de 20%, o Bitcoin teve uma valorização de 400% só neste ano e, às 8h13 de hoje, operava em US$ 48.774.

Valorização do Bitcoin na última semana. Fonte: CoinMarketCap

*Com informações do Business Insider

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