Bolsa ignora exterior e encosta nos 123 mil pontos puxada pelas commodities metálicas; dólar recua
Enquanto a cauela prevalece no exterior, a bolsa brasileira tem mais uma alta patrocinada pelas commodities

As preocupações com a disparada da inflação em escala global e o novo crescimento do número de casos da covid-19 na Ásia segue derrubando os índices pelo mundo. O medo da disparada da inflação americana é o principal. Na semana passada, o indicador de preços ao consumidor subiu acima do esperado e assustou os investidores.
Assim, depois de engatar uma recuperação nos últimos pregões, os principais índices do mundo operam com cautela durante a manhã desta segunda-feira (17). As principais bolsas da Europa chegaram a abrir com ganhos, mas passaram a recuar junto com Nova York que, há pouco, renovou as mínimas, colocando pontualmente o Ibovespa no vermelho.
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Os mercados da Ásia conseguiram escapar da aversão ao risco. Os principais índices fecharam sem direção única, reagindo aos dados de produção industrial da China, que vieram acima do esperado.Mesmo com o clima ruim no exterior, o Ibovespa encontra forças para avançar e opera em alta de 0,89%, aos 122.942 pontos por volta das 16h27. O índice chegou a superar a marca dos 123 mil pontos, indo a 123.074 na máxima do dia. Depois de começar o dia em alta, o dólar à vista tem leve queda de 0,27%, a R$ 5,2565.
Com a agenda esvaziada, o mercado de juros futuros opera em leve queda nesta tarde. Confira as taxas do dia:
- Janeiro/2022: de 4,95% para 4,93%
- Janeiro/2023: de 6,77% para 6,72%
- Janeiro/2025: de 8,27% para 8,21%
- Janeiro/2027: de 8,85% para 8,79%
O que ajuda a bolsa brasileira a ir na direção contrária dos seus pares americanos é mais uma vez o bom desempenho das commodities metálicas. Depois de um dia de correção, o minério de ferro voltou a subir forte e encerrou o dia com uma alta de 4,30%, aos US$ 217,77 por tonelada. Esse resultado está impulsionando as ações do setor na B3 e também reflete o otimismo com a recuperação industrial chinesa. Confira as maiores altas do dia:
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| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 54,20 | 3,99% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 20,99 | 3,40% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 35,20 | 2,89% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 48,34 | 2,85% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 3,71 | 2,77% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| ELET3 | Eletrobras ON | R$ 39,05 | -1,98% |
| ITUB4 | Itaú Unibanco PN | R$ 28,48 | -1,79% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 39,24 | -1,56% |
| ITSA4 | Itaúsa PN | R$ 10,49 | -1,41% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 21,46 | -1,33% |
Um sopro de esperança
Os Bancos Centrais passaram a injetar dinheiro nas economias dos países atingidos pela covid-19. Entretanto, com o avanço da vacinação e a retomada das atividades, esses incentivos passaram a influenciar diretamente nos preços dos produtos, com o aumento da temida inflação.
O que pode melhorar o humor dos investidores é a ata do Federal Reserve na quarta-feira (19). O Banco Central americano deve anunciar uma alteração na sua política monetária para se adequar aos novos tempos.
O Fed deve encerrar sua política de compra de ativos e estímulos monetários no curto prazo. Mas pensando para frente, a expectativa é de um aumento da taxa de juros, o que gera certo desconforto nas autoridades.
O Federal Reserve já anunciou que não pretende aumentar os juros neste ano. Entretanto, os novos dados da inflação americana devem alterar os planos.
CPI da Covid
O cenário interno não deve ficar parado até quarta, mesmo com a ausência de novos indicadores econômicos. A partir de terça-feira (18) começam novos depoimentos na CPI da Covid. Mais precisamente, Ernesto Araújo, ex-chanceler do governo, e o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da saúde.
Ambos os depoimentos devem respingar na bolsa brasileira. Tanto Araújo quanto Pazuello são responsabilizados por não agirem ou mesmo atrapalhar a condução do combate à pandemia.
Entre as perguntas que devem ser feitas, estão o atraso na compra de vacinas, tensões desnecessárias com a China e indicação do uso de cloroquina e outros medicamentos para o tratamento precoce. Estudos publicados já à época indicam que não existe tratamento preventivo contra à covid-19.
Além disso, Pazuello deverá dar explicações sobre a crise do oxigênio no Amazonas. Os depoimentos do ex-chanceler e do ex-ministro estão marcados para terça-feira (18) e quarta-feira (19) respectivamente.
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