Mercado espera Selic subindo e inflação alta ainda para este ano
Conforme divulgado no Boletim Focus nesta segunda-feira (8), a expectativa de crescimento do PIB caiu em relação à semana passada, enquanto o IPCA teve alta para o mesmo período

O relatório semanal do Banco Central trouxe uma piora dos índices de inflação e atividade econômica para esta semana.
Conforme divulgado no Boletim Focus nesta segunda-feira (8), a expectativa de crescimento do PIB caiu em relação à semana passada, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta para o mesmo período, consolidando cinco semanas seguidas de avanço.
Confira os principais destaques:
Inflação
A expectativa dos economistas para o índice oficial de inflação do País foi revisada para cima pela quinta vez consecutiva. Desta vez, passou de 3,53% para 3,60%.
A bandeira amarela para a cobrança da conta de luz deve impulsionar ainda mais a inflação dos próximos meses. Com o baixo nível dos reservatórios, o uso de termelétricas encarece a produção de energia, o que afeta diretamente o consumidor final.
Para 2022, a projeção passou de 3,49% para 3,48%.
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Já o IGP-M, índice tradicionalmente usado para reajustar os contratos de aluguel, teve um salto em relação ao relatório do mês passado, subindo de 4,60% para 6,65%.
Dólar
A moeda norte-americana deve fechar o ano ainda na casa dos R$ 5,00 (R$ 5,01, para ser mais exato) e deve seguir assim até o final de 2022.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, já afirmou que o câmbio alto é “bom para todo mundo” e que dólar alto e juros baixo vieram para ficar. Quando a moeda americana se valoriza, as exportações ficam mais rentáveis e as importações menos interessantes, como é o caso de carros e outros produtos importados.
Em tese, essa troca favorece o mercado nacional, mas o que acaba acontecendo é que itens dolarizados, como farinha e outros insumos, encarecem para o mercado interno.
Selic
Após renovar as mínimas históricas a 2,00% ao ano, o mercado está esperando uma elevação na taxa básica de juros ainda para este ano.
Já é a segunda semana seguida que o Boletim Focus traz reajuste positivo da estimativa para a Selic. Ela passou de 3,25%, esperado há um mês, para 3,50%.
Para o próximo ano, a expectativa é de que ela atinja os 5% e chegue aos 6% em 2023, mantendo esse patamar até 2024.
O Banco Central costuma fazer alterações na Selic para controlar a inflação. Quanto menor o valor da taxa básica de juros, mais fácil é a tomada de crédito, o que injeta dinheiro na economia.
Recentemente, o BC retirou o "forward guidance", que indicava que a taxa seria mantida baixa por um longo tempo. Mas com a inflação seguindo para valores acima da meta, a instituição não deve ficar presa a uma Selic tão baixa.
PIB
O PIB teve a projeção de crescimento reajustado para baixo, de 3,50% há uma semana para 3,47%, o que ainda é mais alto do que a expectativa de um mês atrás, de 3,41%.
A meta para os próximos anos até 2024 é de manter o crescimento a 2,50%, mas tudo dependerá da retomada da economia após forte crise econômica, que se aprofundou após a pandemia de coronavírus.
A expectativa é de que a produção industrial suba no mesmo período, para 5%. Para o próximo ano, as expectativas seguem sendo de um crescimento de 2,50%, com uma leve queda na inflação (de 3,50% para 3,49%, nesta projeção semanal).
Resultado primário
O relatório também trouxe novidades para o resultado primário do PIB. Para 2020, houve uma diminuição da queda em relação às últimas quatro semanas, indo de 3% para 2,70%, enquanto o resultado para os próximos anos devem reduzir ainda mais a diferença, chegando a uma queda de 1% em 2024.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública.
Já o resultado nominal do PIB reflete o saldo após o pagamento de juros. Neste caso, a queda fica em 7% para este ano e 5,75% para 2024, também caindo progressivamente durante o período.
Dívida do setor
Um dos pontos mais preocupantes para os analistas segue sendo a dívida do setor público em relação ao PIB. A expectativa é de que ela chegue a 64% da produção total do país até o final deste ano, uma queda em relação às especulações da última semana (64,45%) e do último mês (64,95%).
Entretanto, esse valor deve aumentar para 2022 e chegar a até 65,80% do PIB. Mesmo antes dos gastos com a pandemia, a dívida pública já era alta, por volta de 60% do PIB em março de 2020, mesmo com o teto de gastos.
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