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Ainda que as bolsas americanas não tivessem passado o dia oscilando entre perdas e ganhos e a variante delta não colocasse uma pulga atrás da orelha dos investidores, o dia já raiou predestinado a ser de muita cautela para o Ibovespa e todo o ambiente de negócios brasileiro.
O noticiário corporativo está movimentado, com dezenas de balanços sendo digeridos pelos investidores. O segundo trimestre de 2021 foi delicado e mostrou o impacto da segunda onda da covid-19 nas empresas brasileiras — cada linha importa e os detalhes fazem toda a diferença na reação dos investidores.
Mas de pano de fundo temos uma cautela tipicamente made in Brazil — a preocupação com o compromisso do governo em cumprir as regras fiscais e evitar o superendividamento do país, os atritos políticos que não dão garantia de base de sustentação para o governo Bolsonaro e a demora para a tramitação de reformas.
E a falta de consenso entre os parlamentares fez mais uma vítima hoje. Depois de um acordo entre os líderes da Câmara, o texto da Reforma Tributária, que estava previsto para ser votado nesta quinta, ficou para outro elemento tipicamente brasileiro - a semana que vem (17). Celso Sabino deve aproveitar o tempo extra para protocolar uma nova versão para acatar as sugestões de mudanças dos deputados.
Com o S&P 500 e o Dow Jones ganhando fôlego, o Ibovespa até ensaiou uma recuperação pegando carona nos balanços e chegou a zerar a queda do dia, mas o atraso mais uma vez pegou mal. O principal índice da bolsa brasileira fechou a quinta-feira com um recuo de 1,11%, aos 120.700 pontos, mais uma vez deixando a B3 longe dos seus pares internacionais.
Lá fora, nem tudo foram boas notícias. Um novo indicador de inflação americano mostrou a pressão da elevação nos preços e fez o dólar operar em alta. Por aqui, a divisa até chegou a cruzar para o campo negativo quando ainda havia esperanças de que a reforma do IR pudesse ser votada hoje, mas não deu pra segurar. A moeda americana fechou o dia em alta de 0,67%, a R$ 5,2564.
O desenho do novo Bolsa Família e as mudanças no pagamento de precatórios também seguem ali, gerando mais ruídos e cautela. A PEC dos precatórios, que prevê o parcelamento de quase R$ 40 bilhões em dívidas judiciais federais em 2022, voltou a ser defendida nesta manhã pelo ministro Paulo Guedes. Como o mercado ainda busca pistas do comprometimento do governo em diminuir o endividamento, os principais contratos de DI avançaram mais um dia.
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