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Bolsa hoje: as idas e vindas da taxa de juros

Confira os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior

23 de setembro de 2021
9:14
A dança da política monetária: Fed deu o tom de seus próximos passos / Imagem: Perfume de Mulher (1992)

Os mercados estão tranquilos com as informações de que a Evergrande, a incorporadora imobiliária detentora de US$ 300 bilhões em dívidas, resolveu seu pagamento de cupom com vencimento mais curto.

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Isso acalmou os temores de um colapso iminente e de um contágio chinês mais amplo – as notícias de intervenção por parte do governo chinês também ajudam o humor dos mercados.

Internacionalmente, as ações globais trabalham esta manhã no positivo, diante da sinalização do Fed de que começaria a reduzir suas compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos.

O comitê responsável pela decisão nos EUA lançou as bases para uma redução gradual em novembro.

Lá fora, as principais bolsas asiáticas subiram nesta quinta-feira (23) – Hong Kong, Xangai, Austrália e Taiwan tiveram um dia de alta, mas Coreia do Sul e Malásia sofreram um pouco (Tóquio não abriu).

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No ocidente, a abertura dos mercados europeus e os futuros americanos têm uma manhã positiva.

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Digerindo o nosso comitê

Na noite de ontem (22), o Comitê de Política Monetária cumpriu o que o mercado esperava e subiu a Selic em 100 pontos-base, para 6,25% ao ano, contratando um novo aumento de mesma magnitude (1 ponto percentual) para a próxima reunião, marcada para 27 de outubro.

Foi a quinta vez seguida que o comitê subiu a Selic, que alcançou seu maior nível desde julho de 2019.

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O processo de normalização de juros deve seguir nesse ritmo até algo ao redor de 8% ao final de 2021 – algumas projeções mais agressivas entendem como provável uma Selic de 9% no primeiro trimestre de 2022, mas não são unânimes.

Nas últimas semanas, inclusive, o mercado chegou a aumentar sua expectativa para a elevação da Selic, antecipando até uma provável alta de até 150 pontos-base depois que os dados mais recentes da inflação mostraram um IPCA acumulado de 9,68% em 12 meses até agosto.

Contudo, o próprio presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, ajudou a alinhar novamente as expectativas, explicando que não alteraria o plano de voo do Banco Central, levando em conta dados de alta frequência.

A preocupação do BC não é mais a inflação de 2021, mas a ancoragem das expectativas para 2022, admitindo um horizonte de convergência em 2023 – há preocupação com o nível de emprego.

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Novembro está logo aí

Depois que o Banco Central Europeu (BCE) anunciou o início da redução do nível de compra de ativos, ainda que de forma tímida, foi a vez de o Federal Reserve sugerir sua redução nas compras de títulos, começando seu processo em novembro e concluindo-o em meados de 2022.

Como o estoque de poupança do consumidor americano está sendo gasto na economia mais rapidamente que na Europa, a demanda por liquidez é reduzida mais rapidamente, justificando o movimento acelerado do Fed, ainda que se mantenha cauteloso.

Agora, a expectativa é que o “tapering” seja anunciado após a conclusão da próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), nos dias 2 e 3 de novembro.

As autoridades do Fed também sinalizaram a possibilidade de taxas de juros mais altas virem mais rápido do que se pensava anteriormente, mesmo que Powell tenha deixado claro que, quando começassem o "tapering", ainda estariam bem longe de elevar juros. O ritmo do ajuste, porém, ainda permanece desconhecido.

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De todo modo, em seu resumo trimestral de projeções econômicas, o Fed revelou que metade dos 18 participantes do Fomc agora espera aumentar as taxas de juros pelo menos uma vez em 2022.

Essa é uma mensagem hawkish, com certeza. Consequentemente, segundo estimativas do mercado, há agora uma chance de 71,7% de pelo menos um aumento de taxa até a reunião do Fed de 14 de dezembro de 2022

Risco de contágio mitigado

Durante sua coletiva, Powell descartou um contágio forte da crise de liquidez e de crédito na China sobre os EUA. Como sabemos, a gigante imobiliária chinesa Evergrande poderia causar turbulência global se não pudesse pagar suas obrigações, uma vez que falamos aqui da segunda maior incorporadora imobiliária da China, com um valor de mercado de US$ 30 bilhões e mais de US$ 300 bilhões em dívidas.

Pelo menos os US$ 83 milhões em pagamentos devidos nesta quinta-feira (23) foram endereçados, sem que houvesse um calote da companhia.

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A Evergrande entrou no mercado imobiliário logo depois que a China adotou a propriedade de casa própria em 1998, quando as casas se tornaram um símbolo da classe média em expansão.

Mas a companhia dependeu de grandes empréstimos para crescer, o que levou a uma crise de caixa quando os reguladores começaram a controlar o endividamento nos últimos anos.

Um default generalizado não pode acontecer porque a companhia emprega centenas de milhares de pessoas, além de afetar diversas comunidades – estima-se que 4 milhões de pessoas poderiam ser afetadas diretamente com a quebra da companhia, sem falar nos mais de 1.300 projetos ainda em andamento e 1,4 milhão de compradores esperando que seus apartamentos pré-adquiridos sejam construídos.

Neste momento, ao que tudo indica, o governo vai agir para salvar a companhia. Não seria o primeiro resgate da China, que fique bem claro.

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Os reguladores assumiram o outrora próspero grupo de seguros Anbang há três anos. No fundo, falamos do tradicional “too big to fail” (grande demais para falir), em que os reguladores deixaram a Evergrande renegociar os prazos de pagamento no início deste mês, sinalizando sua vontade de manter a empresa viva.

Fontes próximas ao governo chinês informaram sobre um acordo que fará a reestruturação da Evergrande em três entidades separadas.

A reestruturação está sendo finalizada pelo Partido Comunista Chinês e deve ser anunciada dentro de alguns dias.

Anote aí!

Por aqui, a comissão especial da reforma administrativa pode votar o parecer do relator, enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado discute o projeto que cria a Lei de Responsabilidade Social (LRS), que, entre outros pontos, prevê metas para a redução da pobreza em três anos após a publicação da lei.

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A taxa geral de pobreza deverá cair para 10%, e a taxa de extrema pobreza, para 2%.

Entre os dados, a Receita Federal divulga o resultado da arrecadação de agosto, que permitiu ao governo melhorar a previsão do déficit primário para este ano, enquanto o Tesouro faz leilão de prefixados.

Lá fora, destaque para o Banco da Inglaterra, que dá sua decisão de política hoje. Turquia e África do Sul também divulgam sua decisão de política monetária, podendo afetar o mercado de câmbio.

Nos EUA, teremos os tradicionais pedidos iniciais de benefícios de desemprego do estado para a semana encerrada em 18 de setembro. Além disso, vale acompanhar os índices instantâneos de gerentes de compras para manufatura e serviços em setembro.

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Muda o que na minha vida?

Um tema que já tratamos aqui, mas que voltou ao radar, é a questão da sucessão no banco central dos EUA. Por lá, Jerome Powell é claramente o favorito para outro mandato como presidente do Federal Reserve, mas ele não tem garantia de um segundo mandato.

Os presidentes do Fed cumprem um mandato de quatro anos após serem indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado. Eles podem servir por vários mandatos (consecutivamente ou não), com William McChesney Martin alcançando o recorde com o mandato mais longo de 1951 a 1970 e Alan Greenspan em segundo lugar.

Powell foi nomeado pelo então presidente Trump em 2 de novembro de 2017 e empossado em 5 de fevereiro de 2018. Assim, mesmo o mandato de Powell termine em fevereiro de 2022, espera-se que Biden tome sua decisão no início do quarto trimestre.

Embora Powell tenha o apoio de Janet Yellen e assessores da Casa Branca, o presidente Biden pode escolher deixar sua marca no Fed, especialmente com a ala progressista de seu partido exigindo medidas econômicas mais inclusivas – o foco pode mudar para as perspectivas eleitorais, objetivos políticos e percepções sobre a economia.

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Muitos estão apontando para Lael Brainard, a única democrata no Conselho de Governadores do Fed e a única não nomeada por Trump.

Brainard se opôs a Powell em várias ocasiões, inclusive em questões de supervisão de grandes bancos, e encontrou um caminho para lidar com a mudança climática por meio da missão de estabilidade financeira do Fed.

Ela também defendeu a necessidade de tornar o sistema financeiro mais inclusivo e é vista como uma aposta segura na continuidade da política de taxas de juros de Powell.

A questão definirá a política monetária da maior economia do mundo nos próximos anos.

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