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Bolsa hoje: paracundê da atividade econômica brasileira

Lá fora, os mercados asiáticos sobem com entusiasmo derivado da possibilidade de fusão no mercado de semicondutores. A Europa acompanha o bom humor, depois de já ter entregado bons resultados ontem (14) com o otimismo global. O mesmo pode ser dito dos futuros americanos, que também sobem nesta manhã

15 de outubro de 2021
9:44 - atualizado às 13:09
cena do filme "Pequena Miss Sunshine"
IBC-Br, proxy do PIB, vai se apresentar hoje - Imagem: Pequena Miss Sunshine (2006)

Bom dia, pessoal!

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Lá fora, os mercados asiáticos sobem com entusiasmo derivado da possibilidade de fusão no mercado de semicondutores. As ações da maior fabricante de chips do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (ou apenas TSMC para os íntimos), subiram mais de 4% depois que seu CEO confirmou relatos de que planeja abrir uma joint venture no oeste do Japão com a Sony Corp.

Diante da escassez de semicondutores, a união nos parece adequada para o longo prazo. Os bons resultados da companhia estimularam uma alta no resto da região. A Europa acompanha o bom humor, depois de já ter entregado bons resultados ontem (14) com o otimismo global. O mesmo pode ser dito dos futuros americanos, que também sobem nesta manhã.

A ver...

·         Se eu largar o freio, você não vai me ver mais...

Assim como foi temido para a China no pregão de quinta-feira (14), o Brasil flerta hoje com a perspectiva de estagflação, à medida que temos dados de inflação e de atividade para colhermos hoje. Pelo menos, as expectativas para o IGP-10, a ser divulgado nesta manhã, são de deflação no mês de outubro até agora (prévia) – fato que ajuda a mitigar esta preocupação, mas não esvazia os receios de inflação.

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Nesta semana, vale lembrar, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou negativamente as projeções de crescimento para o Brasil, apesar de ter melhorado as estimativas das contas públicas brasileiras de forma expressiva ante o estimado em abril – o país pode registrar superávit primário em 2024, melhor do que o ano de 2026 anteriormente previsto.

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Sobre o crescimento, vale acompanhar hoje o IBC-Br de agosto, que também deve desacelerar. Já em relação ao fiscal, as secretarias estaduais da Fazenda temem o efeito do novo ICMS para combustíveis aprovado nesta semana, que poderá ter um impacto de R$ 24 bilhões para as finanças estaduais e de R$ 6 bilhões para os municípios. As duas discussões se dão em meio aos esforços do BC para estabilizar o câmbio, evitando que ele se converta em mais inflação.

·         Ressaca de um bom dia... É outro bom dia?

As ações americanas tiveram um bom desempenho na quinta-feira (14), com o S&P 500 entregando seu maior ganho em um dia desde a primeira semana de março – os 11 setores do índice fecharam pelo menos 1% acima ontem. Enquanto isso, o Dow Jones Industrial Average fechou apenas 2% abaixo de seu recorde histórico de meados de agosto, e o Nasdaq teve seu maior ganho em um dia desde maio, tendo subido quase 2,5% em apenas dois dias.

Apesar da força positiva recente, a alta parece continuar. Os fatores que motivam tal movimento são: i) dados econômicos robustos, como o menor patamar de pedidos de auxílio-desemprego semanais desde o início da pandemia; ii) inflação ao produtor mais fraca do que o esperado, o que alivia a pressão sobre os juros dos títulos do Tesouro; e iii) continuidade da temporada de resultados em níveis de entrega satisfatórios por parte dos grandes bancos.

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Para hoje, mais resultados são aguardados de nomes pesados, como Goldman Sachs. Além disso, dados de vendas no varejo e o índice Empire State de atividade estão previstos para serem apresentados. Sobre o primeiro, os gastos do consumidor devem cair 0,1% em relação a agosto, para US$ 618 bilhões. Excluindo automóveis, as vendas no varejo devem aumentar 0,6% na comparação mensal, o que seria uma desaceleração frente ao 1,8% anterior.

·         Crise energética se espraia e Índia já começa a sentir efeitos

Agora é um fato que a Índia está à beira de uma crise de energia, em linha com o que tem acontecido com o mundo – vale conferir o vídeo produzido pela Empiricus sobre o tema. Só neste mês, 80% das 135 usinas movidas a carvão da Índia tinham menos de oito dias de abastecimento de carvão e mais de 50% das usinas tinham dois dias de combustível restantes – a média de quatro anos de estoque de carvão foi de pouco mais de duas semanas.

Ou seja, a escassez de carvão deixou as redes de energia com o pior déficit em anos, em linha com o que tem acontecido com a China e a Europa. Veja, muitas questões surgiram nas últimas semanas sobre o ritmo da transição energética à medida que uma crise de energia toma forma em todo o mundo. Todos parecem concordar que o mundo não está gastando o suficiente com as necessidades futuras de energia.

Neste contexto, há um risco iminente de mais turbulência para os mercados globais de energia. Os gastos com petróleo e gás natural foram reduzidos por colapsos de preços entre 2014 e 2015 e novamente em 2020. Se o lado da oferta se afastar do petróleo ou gás antes de os consumidores globais o fazerem, o mundo poderá enfrentar períodos de aperto e volatilidade do mercado.

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·         Anote aí!

Aqui, o grande destaque está na divulgação do Banco Central do IBC-Br, considerado como a prévia do PIB, do mês de agosto, enquanto o mercado aguarda desdobramentos novos de Brasília sobre a sequência das discussões fiscais (ontem, a falta de mobilidade neste sentido fez pressão sobre ativos de risco nacionais à medida que a percepção se deteriorava novamente).

Lá fora, além da temporada de resultados nos EUA e vendas no varejo americano, a Universidade de Michigan divulga seu índice de confiança do consumidor para outubro de amanhã, que deve entregar um patamar de 74,8, dois pontos a mais do que os números de setembro.

·         Muda o que na minha vida?

Apesar da leve correção ontem contra pares globais (medida pelo Dollar Index, ou DXY), o dólar americano continua a se beneficiar de ventos favoráveis – da mínima em 12 meses, o DXY já subiu mais de 5%. O movimento foi ajudado por uma corrida para a qualidade realizada em nível global nos últimos meses e mais recentemente reforçado com o temor fiscal norte-americano (a questão do teto da dívida) e a crise energética global, além da questão envolvendo a incorporadora chinesa Evergrande.

Nos próximos meses, a maior parte do mercado ainda enxerga tendências favoráveis ​​à moeda americana – não confundir exclusivamente com o movimento contra o real, no qual a força do dólar do mundo (DXY) exerce influência, mas não é a única variável impactante.

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Isso porque a recente alta nos rendimentos dos EUA parece destinada a continuar para algo entre a faixa de 1,75% e 2,25% para os juros dos títulos com vencimento em 10 anos, ampliando o prêmio do dólar sobre o euro, o franco suíço e o iene, cujos bancos centrais estão mais longe de políticas mais rígidas.

Além disso, com a desaceleração do crescimento global a partir do segundo semestre deste ano e do início do ano que vem, enxerga-se um enfraquecimento dos pares mais cíclicos do dólar, como o euro e o franco suíço. Sem falar nos aumentos dos preços da energia, que beneficiam os EUA como exportador líquido de combustível, em comparação com importadores líquidos, como a Ásia e grande parte da Europa.

Assim, no curto prazo, deveremos continuar a vendo um dólar forte no mundo, o que dificulta a estabilidade cambial brasileira e, consequentemente, poderá gerar mais inflação, forçando o Banco Central a subir mais a taxa de juros e prejudicar ainda mais o crescimento para o ano que vem.

Um abraço.

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