Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Acabou a molezinha: como a reforma do IR e a tributação dos dividendos afetam as ações na bolsa

Ponto positivo para as ações de empresas que atendem públicos de baixa renda. E negativo para aquelas que dependem de muletas tributárias, como a isenção dos dividendos

4 de setembro de 2021
7:33 - atualizado às 14:08
Montagem mostra leão gigante saindo pela porta da B3/Ibovespa, reprentando a Receita Federal e o Imposto de Renda
Imagem: Shutterstock, com intervenção de Andrei Morais

Nesta semana foi aprovada na Câmara dos Deputados a proposta de Reforma Tributária, com algumas alterações em relação ao texto-base. Agora, a proposta segue para a análise do Senado, que pode fazer mais alterações no texto. Dito isso, cabe já avaliar o que mudou para as empresas listadas em bolsa e como elas e nós, investidores, podemos nos adaptar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os três principais pontos da reforma aprovada, para o investidor de bolsa, foram: 

  1. a tributação dos dividendos à alíquota de 15%; 
  2. o fim dos juros sobre capital próprio (JSCP), que faziam as empresas pagarem menos imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ); e 
  3. a redução da alíquota do IRPJ em 7 pontos percentuais, de 25% para 18%, e do CSLL em 1 ponto percentual, de 8% para 7%.

No saldo, então, o investidor de bolsa está sendo mais tributado, com um aumento de 15 pontos percentuais do lado dos dividendos e uma diminuição de 8 pontos percentuais do imposto corporativo.

O impacto é maior nas boas pagadoras de dividendos, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e grandes bancos, em contraste com empresas que reinvestem seus lucros para fomentar crescimento. 

No novo cenário, essas empresas, assim como todas as outras da bolsa, (e os investidores também) deveriam ser indiferentes em relação a receber os proventos na forma de i) dividendos ou ii) ganho de capital, opção viabilizada por meio das recompras de ações, que diminuem o número de ações em circulação no mercado e, com isso, levam à valorização do papel.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso porque, na proposta aprovada, a alíquota de 15% sobre os dividendos é a mesma da taxa sobre ganho de capital, incorrida quando o investidor vende ações com lucro.

Leia Também

Com efeito, as boas pagadoras de dividendos passarão a se comportar, do ponto de vista tributário, da mesma forma que as empresas de crescimento — ou seja, não haverá mais benefícios fiscais para as “vacas leiteiras”.

O que significa, para o investidor, que a qualidade do negócio em análise, olhando para sua dinâmica futura, ganha mais importância.

Acabou a molezinha

Quem pagava muito dividendo não terá mais molezinha, é a tendência estrutural para a geração de caixa no futuro (de forma sustentável) que ditará as ações com potencial de valorização.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mais do que nunca, esse é o único fator que importa, independentemente do formato da distribuição do caixa gerado. Novamente, então, a profundidade na análise dos negócios pagará os maiores retornos.

Negócios de qualidade, cuja operação traz bons retornos e crescimento sustentável, levarão a melhor. Aliás, o fundo Oportunidades ESG está recheado desse tipo de empresa.

Um outro ponto da reforma que contribui para essa dinâmica é a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda pessoa física (IRPF), que subiu em 31%, e a flexibilização do limite de venda de ações para isenção de IRPF: agora, o investidor tem um limite de venda de R$ 60 mil trimestrais, em vez de R$ 20 mil mensais.

Isso permite o abatimento de prejuízos intra-trimestre na base de cálculo do IR do período de três meses. Além disso, a proposta amplia a opção pelo imposto de renda simplificado para qualquer faixa de renda, derrubando a restrição por limite salarial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As ações vencedoras

Essas mudanças no IRPF têm dois efeitos nas empresas listadas em bolsa. O primeiro é que as contas públicas pioram, já que todas as mudanças nessa frente têm o efeito de reduzir a arrecadação do Estado.

Com isso, o que é um cenário macroeconômico já estressado fica ainda um pouco pior pela deterioração da política fiscal.

Assim, as empresas de alta qualidade microeconômica, menos dependentes do cenário macro, mais uma vez, se sobressaem. A corrida para a qualidade, ou “flight for quality”, no jargão de mercado, intensifica o potencial de valorização de empresas excelentes na execução.

O segundo efeito das mudanças no IRPF é um aumento marginal da renda disponível para as classes sociais mais baixas. Isso beneficia as empresas que atendem as bases da pirâmide.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se o brasileiro médio passará a ter mais renda disponível, ele poderá, de repente, se dar ao luxo de contratar um plano de saúde, saindo do SUS para integrar os beneficiários da saúde suplementar – o que beneficia empresas como Hapvida (HAPV3), NotreDame Intermédica (GNDI3) e Raia Drogasil (RADL3).

O brasileiro poderá, também, investir mais na sua educação, o que beneficia nomes como Yduqs (YDUQ3). Por fim, também ajuda nos resultados de instituições financeiras como Banco Pan e Banco Inter, que são o destino de parte da poupança suada das camadas mais baixas da pirâmide.

Leia também:

As ações que perdem

Por fim, vale mencionar as mudanças setoriais que a versão aprovada trouxe. Caíram alguns benefícios fiscais como isenção de IR sobre o auxílio-moradia de servidores, sobre produtos químicos e farmacêuticos e sobre termelétricas a gás e a carvão (esse último ponto evidencia o benefício de ser uma empresa de energia limpa).

Por fim, foi aumentada, em 1,5 ponto percentual, a alíquota do imposto da Compensação Financeira por Exploração Mineral (Cfem), que incide sobre extrativistas de ferro, cobre, bauxita, ouro, manganês, caulim, níquel, nióbio e lítio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As consequências para os setores correspondentes são diretas; portanto, o leitor já pode imaginar que serão impactadas (negativamente) a indústria farmacêutica — como Hypera (HYPE3), as geradoras de energia baseadas em termelétricas — caso de Eneva (ENEV3) — e as mineradoras, como Vale (VALE3) e CSN (CSNA3), com variações na relevância das mudanças para os números de cada uma.

Como a proposta ainda segue para análise do Senado, pode ser que mais benefícios fiscais sejam revogados. Portanto, minha recomendação ao leitor é que fique atento às ações da sua carteira cujo resultado depende fortemente de benefícios fiscais. Melhor evitar essas teses por enquanto.

Em suma, as mudanças aprovadas direcionam as empresas para devolver seus ganhos aos acionistas na forma de ganho de capital, fazendo com que o investidor tenha, cada vez mais, que criar seus próprios dividendos por meio da venda periódica dos papéis.

Além disso, ponto positivo para as empresas que atendem públicos de baixa renda. E negativo para aquelas que dependem de muletas tributárias. Continuaremos conversando sobre as próximas mudanças.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Um abraço,

Larissa

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Quebrando a criptografia do pessimismo incondicional

8 de abril de 2026 - 20:05

Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As novas fronteiras do Nubank e o cessar-fogo nos mercados: tudo o que você precisa saber antes de investir hoje

8 de abril de 2026 - 8:49

A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A normalização da inflação e dos juros, o recorde de pedidos de RJ, mudanças na Petrobras (PETR4), e o que mais afeta a bolsa hoje

7 de abril de 2026 - 8:53

Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Entre a crise geopolítica e a rigidez inflacionária: volta ao normal no Brasil é adiada em um mundo fragmentado

7 de abril de 2026 - 7:17

Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A verdadeira diversificação nos FIIs, a proposta de cessar-fogo no Irã, e o que mais move as bolsas hoje

6 de abril de 2026 - 8:09

O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo

TRILHAS DE CARREIRA

Entre o que você faz e onde você está: quanto peso dar à cultura organizacional nas suas escolhas de carreira?

5 de abril de 2026 - 8:00

Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder elétrico na sua carteira, as novas ameaças de Trump, e o que mais move os mercados

2 de abril de 2026 - 8:30

Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Volta da inflação? Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico 

1 de abril de 2026 - 19:45

Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo momento da Boa Safra (SOJA3), o fim da guerra no Irã e o que mais você precisa ler hoje

1 de abril de 2026 - 8:28

A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os terremotos nos mercados com a guerra, a reestruturação da Natura (NATU3) e o que mais mexe com seu bolso hoje

31 de março de 2026 - 8:37

Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Da escalada militar à inflação global: o preço da guerra entre EUA e Irã não é só o petróleo

31 de março de 2026 - 7:24

Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Uma nova estratégia para os juros, eleições presenciais, guerra no Oriente Médio e o que mais move os mercados hoje

30 de março de 2026 - 8:10

O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente

DÉCIMO ANDAR

As águas de março geraram oportunidades no setor imobiliário, mas ainda é preciso um bom guarda-chuva

29 de março de 2026 - 8:00

Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O melhor emprego do mundo: as dicas de um especialista para largar o CLT e tornar-se um nômade digital 

28 de março de 2026 - 9:02

Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle 

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O corte de dividendos na Equatorial (EQTL3), a guerra em Wall Street, e o que mais afeta seu bolso hoje

27 de março de 2026 - 8:17

A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira

SEXTOU COM O RUY

Nem todo cão é de guarda e nem toda elétrica é vaca. Por que o corte de dividendos da Equatorial (EQTL3) é um bom sinal?

27 de março de 2026 - 6:01

Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O sucesso dos brechós, prévia da inflação, o conflito no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

26 de março de 2026 - 8:17

Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de março de 2026 - 20:00

Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As empresas nos botes de recuperação extrajudicial, a trégua na guerra do Oriente Médio, e o que mais move os mercados hoje

25 de março de 2026 - 8:00

Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger do cabo de guerra entre EUA e Irã, Copom e o que mais move a bolsa hoje

24 de março de 2026 - 8:10

Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia