Ibovespa flerta com alta, mas Petrobras e temor fiscal falam mais alto
A política de preços da estatal está mais uma vez em primeiro plano, apagando a influência positiva que chega do exterior

Os próximos dias prometem ser movimentados na bolsa brasileira, com uma agenda cheia de divulgações. Mesmo sem grandes eventos reservados para hoje, os investidores encaram um dia pra lá de agitado.
Desde cedo, os investidores brasileiros estão de olho na Petrobras e todos os ruídos que envolvem a política de preços da companhia. A petroleira confirmou um reajuste e o presidente Bolsonaro fez colocações que não ajudaram a aliviar o cenário. A queda de braço com os governadores para encontrar um "culpado" pela alta dos combustíveis segue, o que não agrada em nada o mercado.
Depois de passar parte da manhã no vermelho, o Ibovespa chegou a flertar com uma alta, acompanhando o ritmo visto no exterior e pesando a possibilidade dos avanços das reformas, mas não por muito tempo. A instabilidade é o que tem comandado os negócios hoje. Principalmente com novos temores que surgem no front fiscal.
Por volta das 16h50, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,50%, aos 119.642,37 pontos. O dólar chegou a cair mais de 1,4% apoiado no cenário externo, acompanhando a perspectiva por estímulos fiscais nos Estados Unidos, mas passou a operar em uma queda mais contida. No mesmo horário, a divisa recuava 0,15%, a R$ 5,3751.
Se pela manhã a Petrobras comandou o ritmo dos negócios, agora durante a tarde foram comentários do novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que aumentou a tensão local. Ao contrário do que espera o ministro da Economia, Pacheco não quer condicionar novas parcelas do auxílio emergencial a PECs que já estão no Congresso, ou seja, sem uma contrapartida que busca pelo ajuste fiscal.
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Com o cenário, o mercado de juros opera praticamente estávelna ponta mais curta, mas apresenta alta mais acentuada nos contratos mais longos. Confira as taxas do dia:
- Janeiro/2022: de 3,41% para 3,40%
- Janeiro/2023: de 4,94% para 4,95%
- Janeiro/2025: de 6,32% para 6,35%
- Janeiro/2027: de 6,97% para 7,00%
Do lado positivo, passou a pesar a sinalização de que o projeto de autonomia do Banco Central deve ser votado amanhã e o envio da reforma administrativa para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
"Efeito Petrobras"
O Ibovespa segue sentindo os reflexos das incertezas que rondam a Petrobras e uma possível interferência do governo federal em sua política de preço.
A situação é uma continuação do que vimos na semana passada. Mas agora cedo, declarações do presidente Jair Bolsonaro ajudaram a azedar ainda mais o clima. Bolsonaro disse que se dependesse dele, providências sobre o preço dos combustíveis seriam tomadas "a partir de agora". A declaração foi suficiente para levar o Ibovespa às mínimas logo no começo das negociações e tem mantido os papéis da companhia em queda firme desde então.
Mas nem tudo são más notícias. O mercado financeiro local também repercute de forma positiva a possibilidade de novidades com relação à reforma administrativa. O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse no Twitter que deve encaminhar o texto amanhã para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Mais tarde, também teremos uma reunião entre os comandantes do Congresso, o ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para discutir o projeto de autonomia do BC, que deve ser votado amanhã e é uma das prioridades do governo.
Lá fora, a história é outra
Enquanto o dia começa negativo por aqui, lá fora oas bolsas americanas e o mercado europeu tiveram um dia de ganhos.
No exterior, o que domina é o otimismo com a possibilidade de aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão e uma reabertura mais ampla da economia, com a vacinação contra a covid-19 avançando. Por isso, a velocidade da imunização na Europa segue sendo ponto delicado.
Na semana passada, o Congresso americano aprovou algumas resoluções que devem facilitar o andamento da pauta no Capitólio. Nos próximos dias, o presidente Joe Biden deve retomar a negociação com republicanos.
Durante o fim de semana, Janet Yellen, nova secretária do Tesouro, voltou a dizer que um pacote fiscal robusto é necessário. Yellen disse também que os benefícios de se aprovar o proposto pelos democratas é muito maior do que o risco fiscal.
Nas últimas horas, notícias sobre a possibilidade de que as companhias aéreas devem contar com um "socorro" especial dentro do pacote fsical fizeram as ações do setor dispararem em Wall Street.
Durante a madrugada, as bolsas asiáticas fecharam em alta, também apoiadas nas expectativas com o andamento das negociações em Nova York.
Sobe e desce
As siderúrgicas e mineradoras dominam as altas do dia, refletindo um aumento do preço do minério de ferro no mercado internacional. A commodity voltou a ser negociada no patamar dos US$ 160 por tonelada.
A Cosan também é um dos destaques positivos, após a Raízen concluir a compra da Biosev. Confira as maiores altas do pregão de hoje:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CSAN3 | Cosan ON | R$ 83,12 | 5,56% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 23,39 | 4,37% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 114,52 | 4,11% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 34,77 | 4,13% |
| CYRE3 | Cyrela ON | R$ 28,50 | 3,86% |
Em antecipação aos números do quarto trimestre de 2020, a Ambev aparece entre os destaques negativos do dia. As ações da Petrobras também reagem mal aos ruídos envolvendo a polítca de preços da companhia. Confira as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| ABEV3 | Ambev ON | R$ 15,04 | -3,09% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 28,80 | -2,96% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 6,74 | -2,46% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 4,53 | -2,16% |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 28,40 | -2,14% |
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