Segredos da Bolsa: Inflação é destaque em semana cheia de balanços e divulgações econômicas
Em semana cheia de divulgações locais, a inflação oficial deve ser destaque, com os investidores recalibrando apostas para o aumento da taxa Seli

Dois anos depois do início do governo Bolsonaro, Brasília parece pronta para finalmente viver dias de paz.
O motivo do otimismo com o cenário vem do resultado das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, quando Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, candidatos apoiados pelo governo federal, ganharam as cadeiras mais importantes da política nacional.
[captacao]
Lira e Pacheco serão os responsáveis por pautar as prioridades do Congresso brasileiro pelos próximos anos. Após dois anos de pouca evolução da agenda liberal defendida por Guedes e pelo mercado financeiro e uma pandemia que fragilizou de forma expressiva as contas públicas, a expectativa agora é de que as reformas caminhem, as privatizações enfim saiam do papel e que o país renove o seu compromisso com a questão fiscal e o teto de gastos.
Para reforçar essa leitura, os novos comandantes do Congresso mostraram estar alinhados aos planos do Executivo ao longo da semana. E foi essa sinalização que levou o Ibovespa a acumular uma alta de 4,50% na semana, fechando acima dos 120 mil pontos. O dólar também se beneficiou desse movimento, além de refletir dados da economia americana, acumulando um recuo de 1,66%, a R$ 5,3837, no mesmo período.
Se na semana passada foi o cenário político que brilhou, nos próximos dias são os números que devem ditar o ritmo dos negócios. Temos uma agenda carregada de divulgações de medidores da atividade da economia brasileira e um aquecimento da temporada de balanços, com grandes empresas do Ibovespa anunciando os seus resultados do quarto trimestre de 2020.
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A divulgação do IBC-Br, considerado a prévia do PIB do Banco Central, do IPCA, índice oficial de inflação, e das vendas no varejo em dezembro são os grandes destaques que devem trazer alguns ajustes na bolsa, câmbio e juros.
No entanto, Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, lembra que esses números são “uma fotografia do passado” e que o mercado deve seguir de olho Congresso pelos próximos dias, tentando entender como as prioridades serão pautadas. “Além da vacinação, a retomada econômica também depende da garantia de uma boa gestão do orçamento público e das reformas. Só isso seria um motivo razoável para melhorar o fluxo do investidor estrangeiro para o mercado doméstico, o que também contribui para a recuperação”.
Nesta semana, teremos como destaque em Brasília a discussão em torno da autonomia do Banco Central, uma das pautas prioritárias do governo. No domingo, o novo relator do projeto, o deputado Silvio Costa Filho, disse ter entregado o texto à Câmara, menos de uma semana depois de ter assumido o cargo. O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que deve se reunir na segunda-feira (08) com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para tratar do projeto.
No retrovisor
Em semana recheada de dados da atividade econômica, o grande destaque deve ser o Índice de preços no consumidor (IPCA) de fevereiro, que é o índice oficial de inflação.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, explica que os dados de atividade referentes a dezembro possuem uma defasagem muito grande. Ainda que sejam importantes, o IPCA ganha uma importância maior, já que traz um quadro mais próximo, de janeiro.
Além disso, o número deve guiar a decisão de política monetária do Banco Central. Até a próxima reunião, só teremos mais uma divulgação da inflação. Outro dado que o economista destaca como importante para a decisão do BC é o de vendas no varejo, que tem a capacidade de mensurar a ociosidade da economia.
O que esperar dos números?
Confira o calendário completo de divulgações no fim desta matéria.
IPCA
A semana começa com os números da inflação. Segundo dados do Projeções Broadcast, a estimativa do mercado é que o IPCA de janeiro apresente uma alta entre 0,24% e 0,54%, com a mediana das apostas sendo de 0,30%.
Em dezembro, o índice foi amplamente afetado pela retomada da bandeira vermelha nas contas de energia elétrica.
Abdelmalack aponta que o IPCA mais baixo deve refletir o ajuste promovido no ano passado, com a antecipação da tarifa de energia e uma desaceleração nos preços — principalmente com relação à alimentação. “Uma inflação mais tranquila em janeiro deve refletir na curva de juros, já que temos um início de apreensão com o processo de de aumento da taxa Selic”.
Dados do varejo
A economista da Veedha Investimentos acredita que a tendência agora é de um arrefecimento, com a preocupação voltada para o efeito do fim do auxílio emergencial, que sustentou a recuperação do setor durante a crise.
Para as vendas no varejo, a expectativa é que o ano feche com alta de 4,9%. Em dezembro, a alta deve ser de 0,4%.
IBC-Br
Ariane Benedito, economista da CM Capital, acredita que essa primeira leitura deve vir um pouco abaixo do esperado, o que pode fazer com que o indicador leve a bolsa a ter uma leve correção.
Uma projeção para a semana que vem é algo em torno de 119 mil a 121 mil pontos, com uma resistência importante nos 120 mil. A maior parte das projeções apontam para um crescimento de 0,50% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB.
Os números corporativos da semana
Na semana passada, os três principais bancos privados do país esquentaram o noticiário corporativo. Nos próximos dias, pelo menos 12 outras empresas do Ibovespa irão divulgar os seus resultados.
Ainda que os resultados anuais sejam fortemente afetados pelo coronavírus, os números do quarto trimestre são importantes para medir a velocidade da recuperação econômica
Enquanto por aqui estamos só começando, no exterior a temporada de balanços começa a desacelerar. Nos Estados Unidos, mais de 80% das empresas de capital aberto já divulgaram os seus números. Ainda assim, empresas importantes como Twitter, GM e Pepsico devem movimentar os próximos dias.
Confira um calendário completo:
Terça-feira (08):
- BTG Pactual (antes da abertura)
- TIM (depois do fechamento)
Quarta-feira (10):
- Klabin (antes da abertura)
- Totvs (depois do fechamento)
- GM
- Coca-Cola
Quinta-feira (11):
- Cosan (após o fechamento)
- Multiplan (após o fechamento)
- Rumo (após o fechamento)
- Engie (sem horário)
- Banco do Brasil (sem horário)
- Pepsico
- Walt Disney
- AstraZeneca
Sexta-feira (11):
- Usiminas (antes da abertura)
- Suzano (após o fechamento)
Uma dose de tensão
Não são só os balanços que devem mexer com o noticiário corporativo. A economista da CM Capital indica que a tensão em torno da Petrobras e Vale devem seguir fazendo preço nos mercados nos próximos dias.
No mesmo dia em que Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, afirmou que o governo “nunca interferiu” na política de preços da companhia, a petroleira anunciou que irá ampliar o prazo para cálculo de paridade internacional do preço dos combistíveis de três meses para um ano. A notícia pegou mal no mercado na sexta-feira, com as ações da Petrobras saindo de altas de até 4% para uma leve alta de 0,69%.
Em comentário sobre o caso, o time de Research da Ativa Investimentos reforçou uma visão negativa para a companhia diante do movimento. “Acreditamos que a decisão ótima sobre a precificação de seu portfólio deve caber apenas a Petrobras. Reforçamos que a veiculação de ruídos, como tal, distanciam a companhia do sucesso em sua trajetória, e tornam mais longínquos e improváveis a diminuição do desconto pelo qual transaciona perante seus pares globais”.
A Vale deve seguir vendo um ajuste após o anúncio do acordo com as autoridades em Minas Gerais sobre a tragédia de Brumadinho.
Raio-x internacional
Os gatilhos que podem mexer com os mercados lá fora seguem sendo os mesmos das últimas semanas.
Notícias com relação ao andamento do cronograma de vacinação pelo mundo tende a pesar nos negócios em dias de agenda fraca ou preocupação com o impacto da pandemia na atividade.
Outro tema que deve ser destaque é a negociação do trâmite para a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão nos Estados Unidos. Após dados piores do que o esperado da economia americana, o presidente Joe Biden reforçou sua pressa em aprovar o pacote e mostrou a necessidade do tema para que a economia realmente se recupere.
Agenda
Confira a agenda completa dos eventos desta semana:
Segunda-feira (08):
- Brasil: IPC-S de fevereiro (8h)
- Ásia: balança comercial chinesa
Terça-feira (09):
- Brasil: IPCA de fevereiro (9h)
- EUA: Relatório Jolts de emprego (12h)
- Ásia: Inflação chinesa (22h30)
Quarta-feira (10):
- Brasil: vendas no varejo (9h)
- EUA: inflação (10h30); estoque de petróleo (12h30)
Quinta-feira (11):
- Brasil: Volume de serviços (9h)
- Ásia: bolsas fechadas no Japão, China e Coreia do Sul
- Europa: projeções econômicas na zona do euro (07h)
- EUA: pedidos de auxílio-desemprego na semana (10h30)
Sexta-feira (12):
- Brasil: IBC-Br (9h)
- Ásia: bolsas fechadas em celebração ao Ano Novo Chinês
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