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Com a aprovação do pacote, as commodities de mercados emergentes, principalmente em meio à crise energética global, são ganhadoras bastante claras
Já tema de livros, como "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", escrito pelo economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., a nossa muito comentada "síndrome de vira-lata" ganha contornos cada vez mais firmes em meio ao descompasso de performance entre os ativos brasileiros e os demais produtos financeiros internacionais.
Resumidamente, o termo foi cunhado por Nelson Rodrigues e serviria para indicar a falta de autoestima dos brasileiros, que não estariam à altura do próprio país. Isso porque vemos o mundo inteiro galopar enquanto caminhamos gradualmente para a possibilidade de estagflação em 2022 (falta de crescimento com inflação elevada).
Se sofremos aqui, os investidores americanos mal conseguem esconder o sorriso. Ontem, mais uma vez, os índices dos EUA fecharam mais uma vez em suas respectivas máximas históricas. O S&P 500 e o Nasdaq Composite, por exemplo, estão em uma sequência de vitórias de oito dias seguidos, a mais longa desde 2019 para cada um deles. O S&P 500, por sinal, não batia oito recordes consecutivos desde 1997.
Em meio ao auge da temporada de resultados do terceiro trimestre, quando as empresas e os analistas começam a divulgar suas projeções para o ano seguinte, as discussões ficam cada vez mais focadas em 2022. Já adianto, há otimismo.
Note que estamos em um contexto no qual a pandemia de Covid-19 deve continuar a arrefecer, amenizando alguns desafios da cadeia de suprimentos à medida que desaparece.
Além disso, o crescimento econômico global deve ser robusto, principalmente nos EUA, e ainda há muito dinheiro injetado na economia, tanto no bolso dos consumidores quanto nas carteiras dos investidores.
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Mesmo diante do possível pico do crescimento econômico e resultados corporativos, paralelamente ao início das restrições de política monetária nos EUA, as taxas de juros no mundo desenvolvido continuarão extremamente baixas, suportando valuations de ações acima da média histórica.
Tal otimismo ganhou na semana passada mais um catalisador material, que deverá impulsionar ainda mais as ações.
Na noite da última sexta-feira, após meses de negociações e um impasse entre democratas progressistas e moderados, o pacote de US$ 1,2 trilhão em estradas, banda larga e outras melhorias de infraestrutura "pesada" foi aprovado na Câmara dos Representantes dos EUA.
Serão cerca de US$ 550 bilhões em novos gastos em estradas, pontes, ferrovias, hidrovias, rede elétrica, internet de alta velocidade e outras obras públicas.
Os investidores tiveram muito tempo para processar as implicações da legislação, aprovada no Senado há meses, mas que só agora conseguiu passar na Câmara. No entanto, as ações de empresas em setores afetados ainda têm espaço para subir.
E não se assuste, mas ainda há mais por vir. Os democratas ainda pretendem trazer um pacote maior de US$ 1,85 trilhão em infraestrutura social e iniciativas de mudança climática para a roda de debates. Ainda que desidratado dos US$ 3,5 trilhões originalmente concebidos, seria o maior aumento na rede de seguridade social desde 1960.
Vale notar que, embora os líderes democratas quisessem aprovar os dois projetos na Câmara na sexta-feira, o texto maior foi adiado depois que os centristas pediram uma contabilidade apartidária de seus custos.
A proposta deverá ser votada até 20 de novembro, com a condição de que a estimativa de custos do Gabinete de Orçamento do Congresso, apartidária, se alinhe com a previsão da Casa Branca.
Segundo a autoridade orçamentária, o projeto de lei de e Biden não deverá necessariamente aumentar o déficit, por mais maluco que isso possa soar.
A explicação está no fato de que os aumentos de impostos propostos na conta de gastos sociais e climáticos levantarão também US$ 1,5 trilhão em receitas ao longo de uma década, o que provavelmente não aumentaria o déficit a longo prazo.
Na agenda econômica de Biden, os gastos com infraestrutura devem ter "um impacto positivo nos próximos anos" à medida que projetos em estradas, pontes e ferrovias de alta velocidade estão em andamento. Ele não espera que a conta maior seja concluída até "mais perto do Natal do que do Dia de Ação de Graças".
Com isso, cresce a perspectiva sobre uma recuperação mais consistente da economia americana, dando inclusive fôlego para ações de commodities em outros países, como foi o caso da Vale (VALE3) aqui no Brasil, após uma queda forte na semana passada, e das siderúrgicas, como a Gerdau (GGBR4).
O cenário internacional esperado é de crescimento com inflação para os próximos anos, que é resumido pelo quadrante superior direito do esquema abaixo. Note que entre os setores beneficiados podemos citar mercados emergentes e ações de empresas ligadas a commodities e recursos naturais.
No meu entendimento, as commodities de mercados emergentes, principalmente em meio à crise energética global que já comentamos em outras edições desta coluna, são ganhadoras bastante claras dos pacotes de infraestrutura nos EUA.
Há um espaço para catch-up dos ativos brasileiros com o desempenho estrangeiro. O movimento poderia amenizar o agravamento de nossa "síndrome de vira-lata", que foi severamente afetada nos últimos meses.
Minha aposta são as empresas de commodities no Brasil e no mundo. Nos EUA, daria para compor bem uma combinação entre as famosas ações de tecnologia e empresas do setor de infraestrutura, em especial o de energia.
Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Os próximos anos ainda prometem sustentar o crescimento econômico.
Basta sabermos aproveitar.
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