Esquenta dos mercados: depois da sangria do Ibovespa com auxílio de R$ 400, Paulo Guedes vira foco da bolsa hoje, enquanto exterior olha Livro Bege
Além disso, os olhos do investidor internacional ficam nos balanços divulgados na noite de ontem e na divulgação dos resultados do dia

O susto do pregão de ontem com um auxílio emergencial turbinado e fora do teto fez a bolsa brasileira despencar e tocar os 110 mil pontos. Para a sessão de hoje (quarta-feira, 20), o Ibovespa deve recolher os cacos do dia anterior e focar mais uma vez no cenário doméstico, com Paulo Guedes no radar.
De maneira geral, os temores envolvendo o teto de gastos colocaram o investidor em compasso de espera, e existem alguns cenários possíveis para dissipar essa cortina: Guedes vir a público e tranquilizar o mercado sobre a manutenção da meta fiscal ou a equipe econômica controlar a ala política do governo.
Outro cenário possível é a equipe econômica perder esse cabo de guerra e a bolsa pode ter mais um período de sangria, além dos gastos públicos para 2022 extrapolarem o teto.
No panorama internacional, os balanços seguem animando os negócios, apesar da retomada econômica preocupar. Países como China e Estados Unidos estão com dificuldades na retomada das atividades e, se eles “pegam uma gripe”, por aqui, é uma “pneumonia”.
Paulo Guedes na corda bamba
O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem um importante desafio pela frente, que é conseguir manter a meta fiscal e apoiar os planos de aumento do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) do presidente da República, Jair Bolsonaro.
Enquanto a equipe econômica pretende fixar em R$ 30 bilhões o gasto fora do teto para financiar R$ 100 dos R$ 400 previstos para o benefício, membros da ala política querem engordar esse valor para R$ 200.
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O anúncio do Auxílio Brasil em R$ 400 pegou o mercado de surpresa e desagradou os investidores, que fizeram a bolsa cair mais de 3% em no dia. O anúncio do novo programa social também foi adiado pelo Ministério da Cidadania, o que fez o Ibovespa frear as perdas. A expectativa era de que Guedes pudesse atuar como um defensor do mercado e segurar a gastança do governo.
De boné na mão
O embate entre a ala política do governo e a equipe econômica já é de longa data e alguns membros da pasta já foram trocados ao longo dos últimos três anos. O novo auxílio voltou a reavivar as rusgas entre ambos, o que aumenta as chances de novas baixas na pasta.
Em várias reuniões, o secretário Especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, deixou claro que não assinaria nenhuma medida que envolvesse a edição de créditos extraordinários, que ficam fora do teto de gastos. O próprio ministro já ameaçou diversas vezes se retirar do cargo, apesar de o mercado não enxergar a possibilidade de isso acontecer no curto prazo.
De qualquer maneira, Paulo Guedes deve participar de dois eventos no final da tarde de hoje, ambos abertos à imprensa. O ministro tem evitado falar sobre as rusgas da equipe econômica, mas a expectativa é grande de que Guedes tente atuar como o bombeiro da vez do governo.
E a sessão para votação da PEC dos precatórios foi adiada para hoje. Se aprovada, a proposta deve abrir um espaço de R$ 89 bilhões no orçamento para financiar o novo benefício social, mas ainda faltarão recursos para o Auxílio Brasil. A aprovação da reforma do Imposto de Renda também deve auxiliar o governo para pagar o programa social.
China
Na noite da última terça-feira (19), a China manteve as taxas de referência para empréstimos de 1 a 5 anos pela 18ª vez seguida para este mês. Entretanto, a desaceleração econômica do país durante a retomada das atividades deve fazer o gigante asiático rever sua política de juros eventualmente.
Os últimos dados do PIB chinês vieram abaixo do esperado, o que coloca ainda mais pressão sobre a decisão de juros do PBoC. Enquanto isso, a retomada econômica segue pressionada pela alta da inflação e crise energética, além de constantes ameaças de calote das incorporadoras e imobiliárias, o que pode afetar diretamente o sistema financeiro mundial.
Livro Bege e balanços
O exterior deve digerir os balanços da noite de terça-feira, enquanto fica de olho nos resultados do dia. Antes da abertura, a Verizon deve divulgar os dados do terceiro trimestre e IBM e Tesla devem fazer o mesmo após o fechamento.
Mas o grande indicador da semana é o Livro Bege, a publicação do Federal Reserve, o Banco Central americano, que traz as perspectivas para a economia dos EUA. A expectativa está na visão da instituição sobre os próximos passos do tapering, a retirada dos estímulos da economia.
De maneira geral, os Estados Unidos vivem um panorama parecido com o resto do mundo: dificuldade de crescimento e inflação alta, momento conhecido como “estagflação”, além de gargalos estruturais no abastecimento interno.
Os bons resultados das empresas têm segurado o bom humor dos investidores, mas a retirada dos estímulos por parte do Federal Reserve pode reduzir a liquidez dos mercados e pressionar ainda mais a retomada econômica.
Bolsas pelo mundo
A China manteve os juros inalterados por mais um mês seguido, o que fez os principais índices da Ásia encerrarem o pregão sem uma direção única. Do lado positivo, pesou o bom desempenho das bolsas americanas ontem.
Na Europa, os dados inflacionários divulgados durante a madrugada no Brasil pressionaram a abertura e as bolsas do Velho Continente amanheceram em baixa. A cautela toma conta dos mercados antes da divulgação do Livro Bege nos Estados Unidos.
Por falar nos EUA, os futuros de Nova York operam próximos da estabilidade após os balanços positivos da última terça. As atenções do dia ficam voltadas para os resultados de hoje das empresas e da publicação do BC americano.
Agenda do dia
- CNC: Intenção de consumo das famílias em outubro (10h30)
- Congresso Nacional: Comissão especial da Câmara para PEC dos Precatórios tem sessão para discutir e votar parecer (14h)
- Banco Central: Fluxo cambial semanal (14h30)
- Estados Unidos: Fed divulga o Livro Bege (15h)
- Ministério da Economia: Ministro Paulo Guedes participa de evento da Abrainc (16h)
- Ministério da Economia: Ministro Paulo Guedes participa de evento da revista Exame (19h)
Balanços do dia
- Estados Unidos: Verizon (antes da abertura)
- Estados Unidos: IBM (após o fechamento)
- Estados Unidos: Tesla (após o fechamento)
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