Pré-mercado: reforma do IR e Paulo Guedes seguem no radar, em mais um dia de exterior negativo; ata do Fed e variante delta pressionam bolsas hoje
Além disso, uma nova lei de proteção de dados da China divide os analistas, enquanto o ano eleitoral aqui no Brasil já começa a influenciar o Congresso

O Ibovespa deve encontrar um terreno pouco fértil pela frente nesta sexta-feira (20). Sem maiores indicadores pela frente, a bolsa brasileira deve enfrentar o exterior em baixa e ficar de olho na agenda de Paulo Guedes, ministro da Economia.
No fechamento de ontem, o Ibovespa avançou 0,45%, aos 117.164 pontos. Já o dólar à vista também subiu 0,89%, a R$ 5,4228. Confira o que aconteceu no último pregão.
Brasil e uma reforma impossível
O último pregão da semana deve ser marcado pelas discussões envolvendo a reforma tributária. Com pouca novidade, o investidor deve analisar os debates da audiência entre o Senado e o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto.
O que começou como uma possibilidade de simplificação do sistema tributário, acabou como um pesadelo. Além de não mexer em pontos considerados importantes para os empresários, a reforma ainda conseguiu colocar o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) como um entrave para o avanço do texto.
Somado a isso, estados e municípios também são contra a proposta de reforma porque, de acordo com os secretários do tesouro desses entes federativos, a redução da alíquota do IR afetaria diretamente os recursos disponíveis para os próximos anos.
Guedes ainda participa de uma live da corretora Genial Investimentos no final da tarde de hoje. Os investidores devem ficar atentos a novas falas do ministro sobre a reforma e acusações de um possível “viés eleitoral” para aprovação de medidas populistas e, principalmente, caras aos cofres públicos.
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Precatórios
Ainda no cenário nacional, os investidores devem ficar atentos à participação do secretário do Tesouro, Bruno Funchal, em outra live sobre a PEC dos precatórios. O parcelamento das dívidas que o governo tem com o judiciário abrem um espaço no Orçamento para 2022 que deve ser usado de forma eleitoreira pelo presidente da República Jair Bolsonaro no ano que vem.
Os detalhes você confere clicando aqui.
Digerindo o Federal Reserve e variante delta
No panorama externo, as bolsas pelo mundo refletem a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve. O documento trouxe uma tendência dos dirigentes do Fed para retirada de estímulos da economia ainda este ano, o chamado tapering, antes do esperado.
A injeção de dinheiro na economia norte-americana movimenta os negócios pelo mundo, e uma retirada desses estímulos em um momento delicado da recuperação aumenta a cautela dos investidores. Além disso, vale lembrar que a variante delta ainda pressiona a reabertura completa, mesmo com a vacinação avançando.
China
O Banco do Povo da China (PBoC, em inglês) anunciou na noite de ontem (19) a manutenção das taxas de juros de referência (LRPs) para empréstimos de 1 e 5 anos.
O dado foi recebido com indiferença pelos investidores locais, focados no avanço da variante delta.
Mas a grande preocupação veio com uma nova medida de proteção de dados. O Gigante Asiático aprovou uma lei de privacidade que desestimula a coleta ampla de dados de usuários por empresas de tecnologia.
A Lei de Proteção de Informações Pessoais foi aprovada pelo principal órgão legislativo do país e é considerada uma das mais restritivas do mundo. Mesmo assim, especialistas duvidam da capacidade da medida de impedir a vigilância da população por parte do Estado.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos mantiveram a aversão ao risco ao longo do pregão e encerraram o dia em queda. O medo de que a variante delta volte a fechar a economia e o avanço regulatório da China pressionaram as bolsas na região.
Já na Europa, as principais praças operam no vermelho, de olho nos dados regionais de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha. Os investidores do Velho Continente ainda digerem a última ata do Fed, que trouxe novas perspectivas para a retirada de estímulos da economia norte-americana.
Por fim, os futuros de Nova York apontam para uma abertura em queda, também de olho no aumento de casos de covid-19 em virtude da variante delta.
Agenda do dia
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, e secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, participam de audiência do Senado sobre reforma tributária (11h)
- Tesouro Nacional: Secretário do Tesouro, Bruno Funchal, participa de live sobre a PEC dos Precatórios, no site Jota (16h)
- Ministério da Economia: Ministro Paulo Guedes participa de live da Genial Investimentos (17h)
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