Cautela pré-Copom, depoimentos na CPI e aversão a risco no exterior devem pesar sobre abertura do Ibovespa
Desempenho do setor bancário e andamento de reformas podem servir de contraponto à cautela ao longo do dia

Semana de Copom costuma ser assim, pelo menos há alguns anos. Os investidores sabem que raramente são pegos de surpresa. A comunicação da autoridade monetária ao mercado tem sido cada vez mais clara. E mesmo assim a cautela domina o mercado durante os dias que antecedem o encontro. Na dúvida, vai que…
Acontece que nem só de Copom se alimenta a cautela. Afinal, o mercado já contratou uma alta 75 pontos-base na reunião que começa hoje e termina amanhã. O movimento vem sendo antecipado pelo próprio Copom desde março, quando teve início o atual ciclo de aperto monetário.
Nas últimas semanas, vários diretores do Banco Central (BC), inclusive o próprio presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, afirmaram que apenas uma situação extraordinária levaria a um aperto maior.
Como nada de muito extraordinário aconteceu entre a reunião de março e a desta semana, a taxa Selic deve passar dos atuais 2,75% ao ano para 3,50% a partir de amanhã. Com a alta dada como certa, as atenções dos investidores estarão voltadas para o comunicado. Mas isto é conversa para amanhã e depois.
Ontem, no melhor estilo gato-escaldado-tem-medo-de-água-fria, o Ibovespa cravou uma alta modesta, de 0,27%, indo a 119.209,48 pontos. O índice, aliás, já anda flertando com os 120 mil tem um tempinho, mas parece que sempre aparece alguém pra atrapalhar o beijo na hora H do dia D. O dólar também deu sequência ao movimento de queda, recuando 0,24%, a R$ 5,4188, influenciado por indicadores econômicos abaixo das expectativas nos Estados Unidos.
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Teich e Mandetta depõem na CPI da covid-19
Hoje, no que depender da cautela observada nos mercados internacionais logo cedo e da expectativa em torno do teor dos depoimentos das testemunhas convocadas para a CPI da pandemia, de novo não vai ter final feliz. Está prevista para hoje a presença dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.
Ao mesmo tempo, encerrada a novela em torno do Orçamento para este ano, os investidores estarão atentos ao andamento das reformas tributária e administrativa – prometidas pelo governo e cobradas pelo mercado financeiro.
É esperada para a tarde de hoje a leitura do parecer do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) sobre a reforma tributária. Pressionado a apresentar seu relatório, a expectativa é de que Ribeiro entregue um parecer completo. Apesar disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), tem sinalizado a intenção de fatiar a reforma.
Balanços e indicadores na agenda
Entre os balanços corporativos, o Itaú Unibanco (ITUB4) superou as expectativas mais otimistas e lucrou R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
Para hoje, a expectativa em torno dos balanços do Bradesco (BBDC3/BBDC4), da Minerva (BEEF3) e da Iguatemi (IGTA3) devem agitar os negócios com os papéis e setores dessas companhias. Nos EUA, serão conhecidos os resultados trimestrais da XP e da Pfizer.
No campo dos indicadores, o IBGE divulga pela manhã seu índice de preços ao produtor (IPP).
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