Ibovespa avança 1% mesmo com dança das cadeiras em Brasília e aversão ao risco em NY; dólar recua
A pandemia avança e pressão do Centrão deve retirar mais ministros de suas cadeiras. Mercado digere de forma positiva a reforma ministerial, focando na possibilidade de andamento das reformas

O bingo da aversão ao risco parecia completo nesta terça-feira (30). No cardápio, temos uma nova alta do rendimento dos títulos públicos americanos, queda nos preços do petróleo, bolsas americanas no vermelho, uma reforma ministerial que estava fora do radar dos investidores e uma debandada dos oficiais que comandam as Forças Armadas, o que coloca ainda mais pressão em Brasília.
No entanto, o mercado financeiro tem procurado enxergar os pontos positivos dessa movimentação. Bruno Madruga, sócio da Monte Bravo Investimentos, afirma que o ganho de espaço do Centrão dentro do governo pode até desagradar os militares, mas, para os investidores, indica uma maior abertura para que as reformas e outras pautas prioritárias sejam encaminhadas.
Por isso, o Ibovespa consegue se desvencilhar das nuvens pesadas que tomam conta da capital federal e também da cautela que toma conta das bolsas internacionais. Por volta das 16h, o principal índice da bolsa brasileira operava em alta de 1,06%, aos 116.640 pontos.
O dólar à vista também reverteu o sinal inicial e recua 0,57%, a R$ 5,7346. Mais cedo, a moeda americana chegou a bater novamente a casa dos R$ 5,80 enquanto Paulo Guedes afirmava que gastos com a pandemia podem sim ficar fora do teto de gastos.
[captacao]
O mercado não está otimista somente com um alívio político em Brasília, mas também com o ritmo de vacinação contra a covid-19. Ainda que o número de doses seja incerto, o país tem acelerado o ritmo de imunização, o que faz os investidores anteciparem uma recuperação melhor do que o esperado.
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Depois da pressão inicial no começo do dia, o mercado de juros futuros também passa por um alívio diante da perspectiva de um maior apoio político ao Executivo e de vacinação em massa. Com isso, temos um recuo dos principais contratos de DI, o que acaba beneficiando as empresas do setor imobiliário e de consumo. Confira as taxas de hoje:
- Janeiro/2022: de 4,76% para 4,68%
- Janeiro/2023: de 6,56% para 6,56%
- Janeiro/2025: de 8,26% para 8,19%
- Janeiro/2027: de 8,77% para 8,76%
Foco no positivo
A melhora da bolsa brasileira coincide também com a divulgação de dados melhores do que o esperado do mercado de trabalho. Segundo o Caged, o país criou 401.639 vagas de trabalho em março, superando o teto das estimativas dos analistas ouvidos pela Broadcast. A projeção era de 283.936 vagas.
Com tantas variáveis no radar, os investidores devem apostar em uma postura de espera. Ninguém estava preparado para a reforma ministerial de ontem (29), ainda que a saída de Ernesto Araújo do Ministério das Relações Exteriores já fosse aguardada e desejada. Com as seis trocas anunciadas ontem, quem saiu ganhando (mais uma vez) foi o Centrão.
No radar das incertezas, as preocupações com o texto do Orçamento 2021, aprovado com quatro meses de atraso, persiste. A pauta deve ser auditada pelo Tribunal de Contas da União, mas o mercado segue incomodado com a “festa de emendas” e a possibilidade de pedaladas fiscais nas despesas obrigatórias causa desconforto até mesmo entre membros da equipe econômica.
Além do pano de fundo que nunca melhora, o mercado doméstico também tem uma agenda cheia para digerir. O primeiro número é do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), conhecida como a inflação do aluguel. O indicador subiu para 2,94%, mas ficou abaixo do esperado pelo mercado.
No vermelho
No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em alta, com a perspectiva de uma recuperação global e apesar das dificuldades enfrentadas por um fundo de investimento dos EUA, que atingiu grandes bancos no pregão de ontem. Os incentivos fiscais, com o pacote trilionário norte-americano, sinalizações sobre o pacote de infraestrutura e o avanço da vacinação deram tom positivo às bolsas.
Na Europa, temos também um otimismo com a reabertura econômica de alguns países, após a preocupação com a terceira onda de contágio, o que melhora a confiança econômica da zona do euro. Já nos Estados Unidos, as principais bolsas operam no vermelho, na esteira da alta das perspectivas de inflação e da pressão sobre os juros futuros.
Sobe e desce
Com uma visão um pouco mais otimista sobre o desenrolar da pandemia no exterior e o crescimento do ritmo de vacinação no Brasil, as empresas do setor de consumo e turismo, muito descontadas, aproveitam o momento para recuperar parte das perdas. As construtoras pegam carona também no alívio dos juros futuros. Confira as maiores altas de hoje:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 14,14 | 7,77% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 22,07 | 7,29% |
| MRVE3 | MRV ON | R$ 18,44 | 6,47% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 38,80 | 6,36% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 32,08 | 6,05% |
Confira também as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 71,13 | -2,62% |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 92,28 | -2,25% |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 10,35 | -1,15% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 97,04 | -0,96% |
| GNDI3 | Intermédica ON | R$ 83,37 | -0,88% |
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