Ibovespa sobe mais de 2% e retoma o patamar dos 118 mil pontos; dólar também sobe
Dados da economia americana, divulgados agora pela manhã, aliviaram parte da cautela que dominava aqui e lá fora

A bolsa brasileira, que começou o dia com grande instabilidade, parece ter se firmado em alta firme nesta quinta-feira (28), deixando um pouco de lado a cautela internacional e a preocupação doméstica com a saúde fiscal do país.
Essa melhora no clima dos negócios acompanha uma recuperação também das bolsas americanas. Os índices futuros em Wall Street indicavam um dia no vermelho, mas eles também conseguiram se recuperar e as bolsas operam em alta de quase 2%.
[captacao]
Depois de seis pregões no vermelho, o principal índice da B3 sustenta uma recuperação. Por volta das 17h, o Ibovespa tinha alta de 2,25%, aos 118.461,42 pontos.
O motor para essa virada de sentimento no exterior está ligado aos novos números um pouco mais animadores que chegam dos EUA.
Os pedidos de auxílio-desemprego caíram 67 mil na semana, a 847 mil, abaixo da previsão do mercado. Tivemos também a divulgação da primeira leitura do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no quarto trimestre, que mostrou um crescimento de 4%, muito próximo do esperado pelos analistas. Os resultados corporativos abaixo do esperado e o discurso pessimista de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, sobre a velocidade de recuperação da economia americana ficaram em segundo plano.
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A recuperação das bolsas americanas também conta com uma ajuda dos tão sonhados e queridos estímulos fiscais. O líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a Casa começará a analisar o pacote fiscal proposto pelo governo Biden já na semana que vem.
Os investidores também repercutem de forma positiva a "contenção" do movimento especulativo que tomou conta dos mercados nos últimos dias. Em Nova York, as bolsas observam um verdadeiro cabo de guerra entre pequenos investidores e os grandes tubarões do mercado, os investidores institucionais. Após um intenso movimento especulativo, plataformas de investimentos locais começaram a impor restrições para conter as operações.
Na Europa, as principais praças operaram no vermelho durante boa parte do dia, com a preocupação com o coronavírus e suas novas variantes e o impacto que essas medidas devem ter na atividade econômica falando mais alto. No entanto, a melhora do quadro global também fez com que as bolsas locais busassem recuperação.
A pulga atrás da orelha
A bolsa brasileira tenta uma recuperação depois de tantos dias no vermelho, mas nem por isso os temores recentes são ignorados. E é possível os ver refletidos no dólar. A moeda americana até aliviou a alta, mas ainda avança 0,53%, a R$ 5,4357.
Mais de um milhão de pessoas já foram vacinadas no Brasil, mas nem por isso o temor com a pandemia - e seu impacto na atividade econômica - dá trégua. Os investidores seguem receosos não só com a velocidade da imunização, mas também do crescimento do número de casos da nova variante identificada em Manaus.
A média móvel de mortes por covid-19 continua na casa dos milhares e uma necessidade de extensão do auxílio emergencial parece cada vez mais provável. Como o mercado tem dúvidas sobre como o governo pretende financiar o benefício, a piora do risco fiscal faz peso nos negócios. Principalmente com o imbróglio que ainda cerca as vacinas em solo nacional.
As eleições para a presidência da Câmara e do Senado na semana que vem ganham cada vez mais força, já que o resultado determinará os responsáveis por pautar temas que mexem com o equilíbrio fiscal do país.
O cenário mais positivo se refletiu também no mercado de juros, que fechou o dia em queda. Confira o desempenho do mercado de juros futuros nesta tarde:
- Janeiro/2022: de 3,45% para 3,36%
- Janeiro/2023: de 5,06% para 4,93%
- Janeiro/2025: de 6,55% para 6,46%
- Janeiro/2027: de 7,21% para 7,14%
Números da crise
Não foi só a economia americana que apresentou números importantes na manhã desta quarta-feira. No Brasil também tivemos divulgações de peso.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desocupação no Brasil alcançou a marca de 14,1% no trimestre encerrado em novembro de 2020, uma alta de 4%.
Tivemos também mais um sinal de que a inflação segue escalando de tamanho. O IGP-M, indicador de referência para reajuste de contratos de aluguel, subiu 2,58% em janeiro, puxado principalmente pelas commodities e combustíveis.
Sobe e desce
As ações da resseguradora IRB aparecem na ponta da tabela, no que parece ser um movimento que "imita" o cabo de guerra promovido pelos investidores de varejo e fundos de hedge nos Estados Unidos.
Um dos setores mais prejudicados pela pandemia do coronavírus é hoje o grande destaque positivo. As ações das companhias aéreas brasileiras são puxadas pelo bom desempenho da American Airlines no 4º trimestre. A companhia americana apresentou um prejuízo menor do que o esperado.
Já as empresas de shopping, muito descontadas por conta da pandemia, também aproveitam o bom dia da bolsa para se recuperarem. Confira a lista completa com as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 7,37 | 13,21% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 96,05 | 6,60% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 24,52 | 6,42% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 35,06 | 5,76% |
| MULT3 | Multiplan ON | R$ 21,56 | 5,48% |
A Bradespar libera as quedas após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretar que a companhia deve uma indenização de R$ 1,4 bilhão para fundos de pensão. Confira também a lista com as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 65,57 | -3,17% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 4,11 | -1,20% |
| WEGE3 | Weg ON | R$ 87,30 | -1,08% |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 74,03 | -0,05% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 28,20 | 0,00% |
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