Commodities e melhora do humor em Nova York deixam Ibovespa mais perto dos 124 mil pontos; dólar recua
A bolsa brasileira encostou novamente nos 124 mil pontos e o dólar à vista foi a R$ 5,31

Eu sei que mais uma vez as festas juninas, julinas e até mesmo as famosas retardatárias que costumam rolar no mês de agosto não serão possíveis em 2021. Sei também que eu talvez esteja cinco dias adiantada para que seja apropriado começar a fazer referência às quermesses e quadrilhas que não acontecerão.
Mas eu não consegui me segurar. Isso porque o Ibovespa já está no aquecimento e, aparentemente, dançando sua própria quadrilha.
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O comandante dessa dança tem sido o mercado internacional e a bolsa tenta acompanhar. “Olha a inflação americana!”, e o Fed afirma “é temporária”. E as commodities? Tem dia que pesam, tem dia que puxam. Os setores que lideram as altas do Ibovespa hoje realizam e ficam na parte de baixo da tabela amanhã. Dados que patrocinam a queda de um dia são esquecidos no próximo. E nessas idas e vindas o principal índice da bolsa brasileira tenta se aproximar do seu patamar recorde em meio à aparente calmaria.
As bolsas americanas fecharam no azul e o índice VIX, considerado o índice do medo, recuando quase 8% em Nova York, permitiu uma recuperação das quedas recentes. O Nasdaq subiu 0,59%, o Dow Jones teve alta de 0,03% e o S&P 500 avançou 0,19%
Mas o Ibovespa conseguiu fôlego para ir além, embora não tenha se firmado acima dos 124 mil pontos, patamar perdido na sessão de ontem. Dados do Caged divulgados nesta manhã, mostram que o país criou 120.935 novas vagas em abril. O dado ficou abaixo da mediana das projeções dos analistas consultados pela Broadcast, mas dentro das estimativas.
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O principal índice da B3 teve alta de 0,81%, aos 123.989 pontos. O dólar à vista chegou a operar pontualmente em alta, mas acompanhou o alívio externo e a entrada de fluxo estrangeiro, recuando 0,45%, a R$ 5,3133.
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Os bastidores da festa
No Brasil, as reformas estão de volta aos holofotes, com a administrativa passando pela CCJ e a tributária sendo discutida nos corredores do Congresso. Causa certo desconforto a insistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, em retomar a discussão com relação a criação de um imposto sobre transações financeiras, mas não preocupa.
Em evento realizado ontem, o ministro destacou que a reforma tributária será "a mais simples possível". Já sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial que vem sendo ventilada na imprensa, Guedes afirmou que tudo irá depender do comportamento da pandemia.
Os juros futuros seguem refletindo uma melhora na percepção fiscal, com base nas revisões feitas pelo governo, e também na confiança na desaceleração da inflação no país. O anúncio do Tesouro de que irá ampliar a oferta de papéis indexados à inflação em detrimento aos prefixados aliviou as taxas de médio e longo prazo.
- Janeiro/2022: de 4,99% para 4,98%
- Janeiro/2023: de 6,71% para 6,64%
- Janeiro/2025: de 8,15% para 8,06%
- Janeiro/2027: de 8,76% para 8,68%
Na toada delas
A queda dos DIs impacta diretamente nas ações do setor de construção - que teve um bom dia nesta quarta-feira.
E as commodities mais uma vez foram determinantes para o andamento do dia. O minério de ferro recuou, após o governo chinês pedir aos bancos que restrinjam produtos financeiros ligados a futuros de commodities para clientes do varejo e liquidem suas posições nesses produtos.
E, conforme o cerco se fecha no que o governo acredita que seja uma possível manipulação no preço, a Vale e as siderúrgicas tendem a acompanhar. Hoje o impacto foi positivo, com a mineradora subindo quase 2%.
Para a equipe da Ajax Capital esse recuo das commodities metálicas pode ser apenas de curto prazo dado que a maior demanda originada da aceleração econômica da China e de outros mercados da região não pode ser desprezada. Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, vai no mesmo sentido e afirma que a demanda ainda se mostra em um nível saudável para a oferta.
Sobe e desce
Os papéis da Azul seguem repercutindo o fim do acordo de compartilhamento de voos com a Latam e a especulação de que a companhia, que está em recuperação judicial nos EUA, seja alvo de uma fusão. A Latam já negou as tratativas, mas o rumor segue movimentando o mercado.
A Gol aparece logo na sequência, após divulgar projeções positivas para o ano de 2021. Locaweb, acompanhando a alta das empresas de tecnologia nos Estados Unidos, também teve um desempenho de destaque. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 46,60 | 10,93% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 27,47 | 6,68% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 25,65 | 6,12% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 30,40 | 3,51% |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 28,95 | 3,39% |
As ações da Suzano acabaram acompanhando a queda do dólar e fecharam o dia na parte de baixo da tabela, mas vale destacar também as units do Banco Inter.
O banco digital, que está com as malas quase prontas para desembarcar na Nasdaq, realizou um desdobramento de ações de três para um e hoje foi o primeiro dia de negociação dos papéis com o novo valor. Depois de saltar mais de 3% no começo da manhã, o Inter passou boa parte do dia como a maior queda do Ibovespa, mas acabou fechando a sessão com perdas mais modestas. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 62,20 | -3,80% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 4,05 | -2,88% |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 67,41 | -2,64% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 16,85 | -2,43% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 57,85 | -2,35% |
PESSIMISMO CONTINUA
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