Ibovespa perde força de olho no Orçamento e volta para o vermelho; dólar recua
Com prazo para o Orçamento 2021 expirando e a CPI da Covid, os olhos dos investidores se voltam para Brasília

A bolsa brasileira parecia ter engatado o que seria a sua sexta alta consecutiva, mas acabou perdendo força nos últimos minutos. O que azedou o humor dos investidores foi novamente ruídos vindos de Brasília
Depois de encostar nos 122 mil pontos na máxima do dia,o principal índice da bolsa brasileira recuava cerca de 0,28%, aos 120.773 pontos, por volta das 16h30. O dólar à vista recua 0,36%, a R$ 5,5640, em linha com o comportamento da divisa no mercado internacional.
O sopro de otimismo que sustentou o otimismo durante boa parte do dia veio do novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, em seu primeiro discurso na chefia da companhia. O escolhido do governo federal para o controle da estatal disse em sua cerimônia de posse que a paridade internacional dos preços não será prejudicada - um dos pontos mais delicados para o mercado com relação à interferência do governo.
As ações da Petrobras, que vivem uma espécie de limbo enquanto há incertezas na formação da nova diretoria, saltaram 7% após o pronunciamento, puxando junto o Ibovespa.
A segunda reviravolta do dia veio com a declaração da ministra Flávia Arruda de que o governo deve vetar R$ 10,5 bilhões em emendas do orçamento, número considerado baixo pelo mercado.
A tensão em torno do cenário fiscal brasileiro persiste, mas o mercado de juros também encara um dia de alívio. Confira as taxas do dia:
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- Janeiro/2022: de 4,66% para 4,65%
- Janeiro/2023: de 6,33% para 6,28%
- Janeiro/2025: de 7,98% para 7,85%
- Janeiro/2027: de 8,63% para 8,45%
O que dita o ritmo
Lá fora, temos um exterior sem fôlego, com as bolsas americanas no vermelho. Na semana passada, os índices em Wall Street renovaram as suas máximas históricas repetidas vezes. Por aqui, os investidores aguardam o fim da novela do Orçamento de 2021, o início da CPI da Covid e encaram a pressão extra do vencimento de opções, o que deve trazer uma maior volatilidade à bolsa brasileira.
- VÍDEO: O repórter Victor Aguiar traz um resumo completo do que esperar para o mercado na próxima semana. Clique aqui.
Com o prazo final para sanção do orçamento se encerrando no dia 22, mas um desfecho foi prometido para esta segunda-feira (19). O mercado aguarda ansioso para saber se o presidente Jair Bolsonaro irá ou não vetar os trechos polêmicos do texto, que vem sendo criticado pela grande quantia destinada às emendas parlamentares e a subestimação das despesas obrigatórias. A orientação da equipe econômica é pelo veto, mas a expectativa é que Bolsonaro mantenha o veto apenas parcialmente, como forma de conciliação entre Congresso e Executivo.
Não é só o Orçamento que movimenta Brasília. A CPI da Covid, que irá investigar a atuação do governo federal durante a pandemia e as razões que levaram o estado do Amazonas ao colapso, deve ouvir diversos membros do governo já nesta semana. Segundo informações do jornal O Globo, a comissão deve tratar de quatro pontos principais: compra de vacinas, colapso da saúde em Manaus, insumos para tratamentos de enfermos e repasse de recursos.
Dentre tantas pautas que inspiram cautela, os bons sinais da economia brasileira pode equilibrar os negócios. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB do BC, teve um crescimento de 1,70% em fevereiro. A mediana das estimativas dos analistas indicava uma alta de 0,90%.
Sobe e desce
O discurso de posse de Silva e Luna animou os investidores e "libertou" as ações da Petrobras da pressão dos últimos meses. A petroleira lidera as altas do dia após o novo chefe da companhia afirmar que a volatilidade dos preços será resolvida sem que seja prejudicial à política de preços.
Na sequência, temos outras duas companhias que movimentam o noticiário corporativo. É o caso da Braskem. A notícia de que o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, tem interesse em adquirir uma fatia da empresa que pertence a Odebrecht tem animado o mercado
Outro destaque importante fica com a JBS, após a aquisição de uma empresa de produtos à base de plantas, a Vivera. O acordo foi fechado por R$ 341 milhões. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PETR4 | Petrobras PN | R$ 24,24 | 5,62% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 23,74 | 4,81% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 34,78 | 4,10% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 51,58 | 3,20% |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 24,26 | 2,84% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 22,71 | -2,82% |
| SBSP3 | Sabesp ON | R$ 41,80 | -2,77% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 35,42 | -2,50% |
| ELET3 | Eletrobras ON | R$ 34,82 | -2,05% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 62,99 | -1,85% |
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