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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Não deu

Goldman Sachs melhora avaliação de Cosan (CSAN3) após IPO da Raízen, mas mantém recomendação neutra para o papel

IPO da Raízen abre espaço para melhora do preço-alvo de Cosan, mas este ainda se encontra abaixo do atual preço de mercado de CSAN3

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
4 de agosto de 2021
13:18 - atualizado às 19:51
Base da Raízen em Rondonópolis (MT)
Base da Raízen em Rondonópolis (MT). - Imagem: Divulgação

Agora que o mercado definiu o preço da ação da Raízen (RAIZ4) no seu IPO (oferta pública, os analistas correm para suas pranchetas para refazer seus cálculos acerca do valor da holding da companhia, a Cosan (CSAN3).

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A expectativa era de que a avaliação de Raízen separada da Cosan fosse "destravar" valor desta última, ou seja, que o valor atribuído pelo mercado à Raízen fosse maior que a avaliação da empresa dentro de Cosan.

Para os analistas do Goldman Sachs, isto de fato ocorreu, pelo menos em relação às previsões deles - o que os levou a avaliar que a ação da Cosan teria espaço para se valorizar em R$ 1,31 ante o preço-alvo da instituição para o papel, de R$ 21,90 em 12 meses.

Entretanto, este preço ainda está acima do preço atual de mercado da Cosan. Hoje, a ação fechou em queda forte de 4,06%, a R$ 24,55.

Assim, o Goldman não recomenda a compra das ações da Cosan, mantendo sua indicação como neutra. "Os riscos chave, na nossa visão, incluem níveis de atividade econômica acima ou abaixo do esperado, preços mais altos para o petróleo tipo Brent, mudanças na produção maiores que o esperado, risco cambia e intervenção do governo nos preços da gasolina e do diesel.

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Explicação para a melhora na avaliação de Cosan

Com o preço da ação estabelecido em R$ 7,40, piso da faixa indicativa para o IPO, a Raízen chegará à bolsa avaliada em R$ 74,4 bilhões, o que implica um enterprise value (EV ou valor da firma) de R$ 87 bilhões. O EV considera, além do valor de mercado da companhia, também sua dívida líquida, e no caso da Raízen, foi levada em conta a dívida líquida do primeiro trimestre de 2021.

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O valor da firma de R$ 87 bilhões, diz o Goldman Sachs, está 6% acima do valor que o banco atribuiu à Raízen dentro de Cosan. Ou seja, os analistas do Goldman vinham considerando que a Raízen, dentro de Cosan, tinha um EV de uns R$ 82 bilhões.

Assim, eles avaliaram que há um potencial de alta de R$ 1,31 por ação em relação ao preço-alvo atribuído à Cosan, de R$ 21,90 por ação em 12 meses, mantidas todas as demais condições. Entretanto, mesmo com a melhorada avaliação da companhia, os analistas ainda mantiveram a recomendação neutra.

Ação da Raízen pode se valorizar até 50% após IPO. Veja a análise:

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Para quem gosta de Cosan, porém, é hora de comprar

Muitos analistas e gestores, porém, viram no IPO da Raízen uma boa oportunidade de comprar (mais) Cosan para surfar a melhor precificação de Raízen e o destravamento de valor. Alguns gestores com quem eu conversei inclusive avaliavam aumentar sua posição em Cosan ou já o tinham feito em razão da abertura de capital da Raízen.

Para Felipe Miranda, sócio e CIO da Empiricus, a queda de hoje nas ações da Cosan, inclusive, é uma "bela oportunidade de compra" de CSAN3. "Raízen mostrou o quanto a companhia está barata, se posiciona para o crescimento e mostra como isso é de fato um caso ESG. Nesses níveis, acho que é para raspar", diz.

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