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Discurso de Powell animou os mercados emergentes já que levou a um recuo dos títulos de 10 anos. No Brasil, a bolsa subiu 1,39% e o dólar recuou 1,82%
Se você, assim como eu, divide o seu tempo entre as notícias de economia e entretenimento, já está careca de saber que no último domingo aconteceu o dia mais importante do ano para os amantes da sétima arte: a cerimônia do Oscar.
Todos os anos alguns filmes acabam conquistando o público com novas técnicas, narrativas e atuações surpreendentes e podem até acabar conseguindo uma indicação da Academia, mas frequentemente o prêmio acaba indo parar nas mãos daqueles filmes que apostam em um roteiro clássico mais tradicional, sem muita inovação.
O que não significa que eles não possam ser um sucesso absoluto de crítica. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (o Banco Central americano) mostrou que mesmo um roteiro adaptado seguidas vezes ainda pode gerar muita expectativa no público, cumprir o que era esperado e ainda assim tirar vigorosos aplausos da plateia.
Como previsto, o BC americano manteve sua taxa básica de juros na faixa entre 0% e 0,25% ao ano e voltou a reforçar um discurso que já é um "velho amigo" do mercado: a entidade está comprometida em utilizar todas as ferramentas necessárias para que a economia americana se recupere da crise da covid-19 que ainda assola o país.
Enquanto Nova York segurava o fôlego, o Ibovespa subia no desenrolar de outra trama - os bons resultados das empresas brasileiras no primeiro trimestre. Hoje, o principal destaque ficou com o Santander. O bancão levou junto todo o setor financeiro e patrocinou um dia dourado para o índice.
A alta se acelerou após o discurso de Powell e o saldo final foi uma alta de 1,39% do Ibovespa, aos 121.052 pontos. Em Wall Street, as bolsas chegaram a virar para o positivo, atingindo novas máximas, mas acabaram fechando o dia no vermelho. O Dow Jones recuou 0,48%, o S&P 500 caiu 0,08% e o Nasdaq teve queda de 0,28%.
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A bolsa brasileira brilhou, mas o câmbio não ficou atrás. O dólar à vista registrou uma forte queda ao longo de todo o dia, motivado pelo enfraquecimento da divisa no exterior - com a perspectiva de manutenção e, quem sabe, mais estímulos na economia americana -, e também pelo fluxo de entrada de recursos estrangeiros, que tiveram origem nas últimas captações externas e IPOs. Ao fim do dia, a moeda recuou 1,82%, a R$ 5,3616. Na mínima do dia, a divisa tocou os R$ 5,35, menor nível desde 12 de fevereiro.
A troca de cargos de confiança no Ministério da Economia azedou os mercados ontem, mas hoje foi mero coadjuvante. Ainda assim, os ruídos em Brasília continuam reverberando e limitaram o movimento de alívio dos juros futuros. Confira:
O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) repetiu o discurso que já vem se mantendo há algum tempo. A autoridade monetária manteve a sua taxa básica de juros entre 0,00% e 0,25% na decisão de hoje e afirmou que aceitará uma inflação acima da meta "por algum tempo", já que o movimento deve ser transitório, mesmo diante dos sinais cada vez mais claros de que a economia americana está de fato se recuperando do baque do coronavírus.
Por isso, as atenções se voltaram mesmo para a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, logo após a divulgação da decisão. O discurso não trouxe novidades, mas Powell foi um pouco mais enfático em seus pontos.
Enquanto o mercado aposta que os juros irão se elevar mais cedo do que o inicialmente esperado, Powell tratou de reforçar que não compra essa narrativa. Para o comandante do Fed, não é hora de discutir redução de estímulos. A inflação? Será temporária. E a economia? Ainda sente a crise deixada pelo vírus nos setores mais vulneráveis. O resultado foi um enfraquecimento do dólar e um recuo dos juros dos títulos americanos de 10 anos.
Outro acontecimento que ajudou na depreciação da moeda, mas que também não é nenhuma novidade para o mercado, é a postura assistencialista do governo Biden, que deve tentar emplacar mais um pacote de socorro às famílias americanas.
Nesta manhã, o democrata anunciou uma proposta de ajuda para famílias no valor de US$ 1,8 trilhão. A notícia já era esperada e deve andar lado a lado com a proposta de aumento de impostos anunciada na semana passada.
O pacote, no entanto, não deve ter vida fácil. Os dados da inflação americana, que devem ser divulgados ainda esta semana, e a decisão da política monetária podem pressionar a tramitação do projeto.
Ontem o Ministério da Economia foi o grande protagonista do dia, mas, nesta terça-feira, a mudança promovida por Paulo Guedes na pasta ficou em segundo plano.
Guedes confirmou a troca de cargos de confiança no ministério após uma série de embates em torno da sanção do Orçamento de 2021. O governo teve que ceder em diversos pontos para conseguir aprovar o projeto e, segundo o Estadão, Guedes foi pressionado pela ala ideológica do presidente da República, Jair Bolsonaro, para a troca dos cargos. A mudança mais significativa ficou com a saída de Waldery Rodrigues da Secretaria de Fazenda.
Enquanto a nuvem carregada ronda o ministério, Guedes também gera polêmica além das fronteiras. O ministro afirmou que "o chinês" criou a covid-19 e ainda produziu vacinas de eficácia mais baixa do que aquelas desenvolvidas por farmacêuticas dos Estados Unidos, um comentário que não pega nada bem, principalmente em um momento de dificuldade para a importação de vacinas e insumos para a produção de imunizantes por aqui.
Do lado positivo, quem ficou em segundo plano, mas animou o mercado, foram os números do mercado de trabalho brasileiro. O Caged mostrou uma recuperação acima das expectativas. Em março, o país criou 184 mil vagas formais, no terceiro mês consecutivo de alta.
Nesta manhã, a negociação de algumas ações ficou paralisada após uma falha técnica nos sistemas da B3. Entre as ações afetadas estavam Natura, Movida, Marfrig, Porto Seguro, Aeris, CVC e CSN Mineração. A companhia que administra a bolsa brasileira não informou quantos ativos ficaram paralisados por cerca de meia hora no começo do pregão.
A cerimônia de domingo decidiu inovar e mudou as categorias de ordem. Aqui no Seu Dinheiro, no entanto, sabemos que não se mexe em time que tá ganhando - o melhor ficou de fato para o final.
Subvertendo a narrativa de que os bancões estão em desvantagem ao enfrentarem o time de vilões formado por fintechs, pandemia e revolução digital, o Santander registrou um lucro de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre de 2021 - o maior já registrado pela companhia - e uma rentabilidade sobre o patrimônio de 20,9%. O prêmio foi uma alta de 8% das units do banco.
Com os holofotes voltados para SANB11, o restante do setor financeiro também buscou tirar uma casquinha desse sucesso. Bradesco e Itaú subiram cerca de 5% no pregão de hoje.
Na seleta lista de melhores do dia, a Cemig pinta na segunda colocação. O gatilho para a valorização da companhia foi o comentário do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobre a possibilidade de privatização da estatal. Confira as maiores altas da sessão:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| SANB11 | Santander Brasil units | R$ 40,75 | 8,46% |
| CMIG4 | Cemig PN | R$ 14,13 | 6,00% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 21,56 | 5,17% |
| LCAM3 | Locamérica ON | R$ 25,86 | 5,16% |
| BBDC4 | Bradesco PN | R$ 24,53 | 5,10% |
Enquanto os bancos foram um sucesso absoluto de crítica, as companhias exportadoras - representadas aqui pelos frigoríficos e empresas do setor de papel e celulose - ficaram na ponta contrária do ranking, seguindo o movimento de alívio expressivo do dólar e também realização das altas recentes.
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 31,61 | -6,17% |
| SUZB3 | Suzano ON | R$ 67,40 | -4,90% |
| MRFG3 | Marfrig ON | R$ 19,02 | -4,85% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 28,20 | -3,69% |
| CIEL3 | Cielo ON | R$ 3,54 | -3,01% |
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