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Nem o pronunciamento de Jerome Powell, presidente do BC americano, conseguiu reverter a turbulência. O Ibovespa fechou longe das mínimas, mas ainda assim recuou 0,64%, aos 129.259 pontos
Projeções mais otimistas para a economia americana e a garantia de que o Federal Reserve irá manter a sua política monetária acomodatícia por mais algum tempo atormentaram o mercado financeiro nesta "Super Quarta".
A tão aguardada decisão de juros do Banco Central americano veio em linha com as expectativas do mercado - a taxa permanecerá entre 0% e 0,25% ao ano -, mas a nova revisão das projeções para o longo prazo azedou o humor dos investidores.
O primeiro número que chama a atenção é a estimativa para a inflação em 2021 medida pelo índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), que passou de 2,4% no trimestre anterior para 3,4%. Com os preços em disparada e o Fed confirmando que vê os efeitos positivos da vacinação em massa e dos estímulos na economia, o temor de uma alta de juros, que já atormenta o mercado há algum tempo, voltou a falar mais alto.
Dessa vez, essa desconfiança foi confirmada pelas projeções dos próprios dirigentes do BC americano. Se antes era possível ver mudanças nos juros somente a partir de 2024, agora pelo menos nove dos 18 participantes estimam que as taxas subam entre 0,5% e 1,25% já em 2023.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, a manutenção dos estímulos por parte do Fed para que a economia ganhe tração deve forçar os dirigentes ainda mais para antecipar essa elevação de juros.
Essa leitura é compartilhada com a maior parte do mercado e não repercutiu positivamente. Se antes da divulgação do Fed as bolsas já operavam com cautela, a decisão fez com que as bolsas globais acelerassem o movimento e tocassem as mínimas. O cenário só foi amenizado quando Jerome Powell entrou em campo e apontou as fragilidades que ainda persistem no cenário.
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Por aqui, o Ibovespa conseguiu se recuperar parcialmente e fechou o dia com um recuo de 0,64%, aos 129.259 pontos. Daqui a pouco, às 18h30, conheceremos também a decisão do Banco Central brasileiro, mas essa repercussão fica para amanhã.
O dólar à vista, que chegou a tocar os R$ 4,99 pela primeira vez em um ano, inverteu o sinal e passou a subir após o anúncio. Uma economia mais aquecida leva a um fortalecimento da moeda americana. Ainda que o movimento de alta tenha se amenizado, a divisa terminou o dia com um avanço de 0,34%, a R$ 5,0600.
Depois do mau humor generalizado que se instalou nos mercados com a divulgação da decisão do BC americano, a coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed, veio para tentar acalmar um pouco os mercados.
No pronunciamento, Powell, claro, reforçou os pontos expressos pelo comunicado da decisão, mas trouxe algumas falas que detalharam os pontos de fraqueza que ainda persistem na economia americana.
Para ele, a recuperação econômica ainda não está completa e não se podem descartar os perigos que a covid-19 ainda impõe. Além disso, na leitura da instituição, existe uma melhora desigual no mercado de trabalho e um grande número de desempregados, o que prejudica a atividade. Sobre o futuro da política monetária, Powell apontou que o Fed prosseguirá com a compra de ativos e que uma discussão sobre alta de juros é prematura.
As palavras foram suficientes para acalmar a alta do rendimento dos Treasuries e afastar as bolsas das mínimas. Em Nova York, o Nasdaq recuou 0,24%, o S&P 500 caiu 0,54% e o Dow Jones teve queda de 0,77%.
Por aqui, o mercado agora aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A aposta é de um aumento de, no mínimo, 0,75 ponto percentual na taxa Selic - conforme já havia sido sinalizado na última reunião -, e que o BC se mostre mais duro quanto a sua atuação para ancorar a inflação em 2022.
Porém, com a sinalização de uma alta dos juros mais cedo do que o esperado nos Estados Unidos, os economistas e analistas começam a rever também as suas projeções de longo prazo para a taxa de juros brasileira. Isso porque o país precisará encontrar formas de se manter atrativo para o investidor estrangeiro.
Com a alta do rendimento dos títulos do Tesouro americano e a antecipação aos movimentos do BC brasileiro, os principais contratos de DI terminaram o dia em alta. Confira as taxas do dia:
O dólar à vista, que acabou o dia em alta, teve dois momentos muito distintos no pregão de hoje. Antes da decisão do Fed, a moeda americana atingiu o menor nível em um ano ante o real.
Na parte da tarde o movimento deu uma pausa devido à valorização da divisa no mercado internacional, mas, no curto prazo, a tendência de queda que se viu na parte da manhã deve prevalecer.
Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, estamos vivendo uma ‘janela de oportunidade’ para o alívio no câmbio. Isso se deve aos dados positivos tanto no lado comercial - com recorde de exportações -, quanto no financeiro. Esse quadro acaba sendo revertido em uma menor percepção da taxa de risco.
O credit default swap (CDS) de 5 anos, um dos termômetros do risco-país, tem recuado expressivamente com uma melhora do cenário político e o aumento da arrecadação nos últimos meses influenciando nessa percepção de melhora.
“Não temos nada alarmante em Brasília e nada alarmante com relação às contas públicas, muito pelo contrário. O noticiário recente é benéfico com a melhora da arrecadação. Mas isso é no curto prazo. Não acredito que seja uma melhora consistente”, aponta a economista.
Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso corretora, destaca que além dos dados econômicos robustos dos últimos dias, que levam a aumento consistente do PIB, temos observado o desmonte de posições compradas e zeragem de hedges impulsionando o movimento.

Além da decisão de política monetária, o mercado doméstico também monitora o Congresso. O novo parecer da MP que abre caminho para a privatização da Eletrobras está na pauta desta quarta-feira.
O tema tem gerado polêmica em meio às novas emendas apresentadas pelos parlamentares e a pressão herdada da crise hídrica em que o país se encontra. Segundo algumas consultorias, as mudanças no texto devem trazer dificuldades para que o governo consiga todos os votos necessários para a aprovação do tema.
Com a aposta na alta da Selic, o setor financeiro puxa as altas do dia. Nesse movimento, o Banco Inter acabou se saindo melhor que seus pares, com os investidores corrigindo a queda de ontem e precificando pontos da nova oferta de ações proposta pela companhia. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 66,35 | 6,42% |
| SULA11 | SulAmérica units | R$ 36,52 | 3,37% |
| SANB11 | Santander Brasil units | R$ 46,02 | 2,47% |
| ITUB4 | Itaú Unibanco PN | R$ 33,40 | 2,33% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 27,18 | 1,99% |
Acompanhando a queda de mais de 3% do minério de ferro no mercado internacional, a Vale e as siderúrgicas recuaram forte neste pregão. A Embraer também figurou entre as maiores quedas do dia, em um movimento de realização de lucros após as altas recentes. Confira as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 30,25 | -4,75% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 20,41 | -4,54% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 42,59 | -4,29% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 67,46 | -3,35% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 13,97 | -3,32% |
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