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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Alívio no câmbio

Dólar fica abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez em mais de um ano — e o empurrão veio dos BCs

O dólar à vista terminou o dia em R$ 4,96, ficando abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 10 de junho de 2020. O Ibovespa caiu

Victor Aguiar
Victor Aguiar
22 de junho de 2021
18:05 - atualizado às 20:02
Dólar real 5 reais câmbio
Imagem: Shutterstock

Voltemos ao dia 10 de junho de 2020. Uma rápida consulta aos jornais do dia nos conta que a Assembleia do Rio autorizou o processo de impeachment de Wilson Witzel; que o governador do Pará, Helder Barbalho, foi alvo de uma operação da PF; e que o Brasil se aproximava de 40 mil mortes por causa da Covid-19.

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10 de junho de 2020 também foi a última vez que o dólar à vista tinha encerrado abaixo dos R$ 5,00 — uma marca que durou até hoje. Nesta terça-feira (22), a moeda americana terminou em forte queda de 1,13%, a R$ 4,9661, encerrando a sequência que durou exatos 377 dias.

De lá para cá, muita coisa mudou: Witzel, de fato, foi afastado do cargo; a investigação sobre Barbalho não deu em nada; e o Brasil, infelizmente, já supera os 500 mil mortos pela Covid-19. E, para o câmbio, alguns fatores estão radicalmente diferentes — em especial, a postura dos Bancos Centrais.

Afinal, lá em junho do ano passado, a ordem dos BCs era nítida: baixar os juros e injetar liquidez, de modo a impedir uma paralisia completa da economia global. Só que agora, com parte do mundo já voltando ao normal, esse cenário de super estímulo traz alguns problemas.

Em especial, o da inflação: com tanto dinheiro disponível, a tendência é de alta nos preços — e as autoridades monetárias já começam a colocar as mangas de fora, de modo a conter o despertar do dragão.

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O último capítulo dessa batalha se desenrolou hoje: no Brasil, a ata do Copom mostrou uma postura agressiva do BC no combate à inflação, deixando a porta aberta para uma alta de um ponto percentual na Selic já na reunião de agosto — a taxa, que estava em 2% ao ano no começo de 2021, já está em 4,25%.

Mas, nos Estados Unidos, o Federal Reserve ainda hesita em mexer na política estimulativa: por lá, a ideia é manter as coisas como estão até que a economia se recupere de forma mais robusta. A inflação mais alta, assim, fica em segundo plano.

Essa combinação de juros em alta por aqui e continuidade dos estímulos nos EUA deu forças ao real versus o dólar — mas não foi só isso que levou a moeda americana para baixo dos R$ 5,00.

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dólar

Mudança de cenário

"Nesse ano e no ano que vem, ainda teremos muita liquidez", diz Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank. "Há uma conjunção de mercado bastante favorável".

O processo de alta de juros no Brasil — e a perspectiva de continuidade desse movimento de ajuste ao longo do ano — e a manutenção das taxas dos EUA em patamares quase nulos gera um cenário que atrai recursos estrangeiros ao país.

Para explicar melhor, pense no contexto do começo do ano. A Selic estava em 2% e os juros dos EUA entre 0% e 0,25%, uma diferença relativamente pequena. Nessas condições, havia pouco estímulo para que um investidor estrangeiro trouxesse seus recursos ao Brasil — o retorno era incompatível com o risco do país.

Mas, hoje, essa diferença cresceu: os juros aqui estão em 4,25% e, nos Estados Unidos, seguem na mesma. Ou seja, a relação entre risco e retorno está mais balanceada — e tende a ficar ainda mais favorável conforme a Selic for aumentando.

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Há outros fatores que mudaram bastante ao longo do último ano. As commodities exportadas pelo Brasil, como minério de ferro, soja ou milho, passaram por um intenso processo de valorização, o que elevou os ganhos dolarizados das exportadoras. Captações de recursos lá fora também estão cada vez mais comuns entre as empresas.

Por fim, há a percepção de melhora da dinâmica da economia brasileira. As projeções para o PIB em 2021 passaram por revisões positivas, ao mesmo tempo que as preocupações fiscais diminuíram, ajudadas pelos resultados fortes de arrecadação do governo.

O humor do estrangeiro [em relação ao Brasil] mudou. O Real não é mais o pária das moedas

Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank

Ajuste nos juros

O posicionamento mais duro do Banco Central na ata da última reunião do Copom também provocou um forte movimento de ajuste no mercado de DIs. Com a possibilidade de uma alta de um ponto na Selic na reunião de agosto, o mercado já começa a considerar níveis mais altos para a taxa ao fim desse ano.

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Como resultado, a ponta curta da curva de juros passou por uma abertura mais intensa; os vencimentos mais longos também subiram, mas em menor intensidade:

  • Janeiro/22: de 5,61% para 5,73%;
  • Janeiro/23: de 7,11% para 7,25%;
  • Janeiro/24: de 7,81% para 7,87%;
  • Janeiro/25: de 8,19% para 8,20%.

E a bolsa?

Com o dólar ficando abaixo de R$ 5,00 depois de tanto tempo, as movimentações da bolsa acabaram sendo ofuscadas. O dia foi negativo na B3, mas, ao fim do pregão, o resultado não foi tão ruim.

O Ibovespa terminou o dia em queda de 0,38%, aos 128.767,45 pontos, após chegar a bater os 127.802,73 pontos mais cedo (-1,13%). E boa parte do alívio na bolsa local ocorreu em paralelo à melhora de humor lá fora.

Nos Estados Unidos, as principais praças acionárias também começaram o dia no campo negativo. No entanto, com as sinalizações do Fed de que continuará com sua política estimulativa no curto prazo, os investidores respiraram aliviados: o Dow Jones fechou em alta de 0,20%, o S&P 500 subiu 0,51% e o Nasdaq avançou 0,79%.

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Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta terça-feira:

CÓDIGONOMEPREÇOVARIAÇÃO
PCAR3GPA ONR$ 41,552,90%
CVCB3CVC ONR$ 28,902,45%
TOTS3Totvs ONR$ 37,652,42%
HAPV3Hapvida ONR$ 15,772,27%
BIDI11Banco Inter unitR$ 70,251,58%

GPA ON (PCAR3) continuou subindo hoje, com o mercado reagindo às notícias de que o Casino estaria interessado em se desfazer de sua posição na empresa — na semana, os papéis já acumulam ganhos de mais de 11%. Já Totvs ON (TOTS3) foi ajudada pela visão positiva do Credit Suisse em relação à empresa.

Confira também as cinco maiores baixas do índice hoje:

CÓDIGONOMEPREÇOVARIAÇÃO
TIMS3Tim ONR$ 12,05-3,96%
CIEL3Cielo ONR$ 3,76-3,09%
CCRO3CCR ONR$ 13,57-2,93%
VIVT3Telefônica Brasil ONR$ 43,90-2,75%
ECOR3Ecorodovias ONR$ 12,77-2,74%

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