“Pronto para o crescimento”: Banco Pan (BPAN4) tem espaço para subir 35%, diz Bradesco BBI
O Bradesco BBI iniciou a cobertura de Banco Pan PN (BPAN4) com recomendação de compra, citando as boas perspectivas e valuation atrativo

Já faz um tempo que o setor de bancário tem ficado para trás na bolsa. Aumento na competição com fintechs e bancos digitais, incerteza relacionada à economia doméstica, desconfiança quanto às provisões para clientes inadimplentes — tudo isso têm afetado o desempenho dos papéis na B3. Mas, para o Bradesco BBI, há uma ação que apresenta perspectivas bastante interessantes: Banco Pan PN (BPAN4).
A instituição iniciou hoje a cobertura para os papéis com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 26,00 — o que, considerando o fechamento da última sexta-feira (20), de R$ 19,22, implica num potencial de alta de 35%. E olha que as ações BPAN4 já dobraram de valor desde o começo do ano.
O otimismo do Bradesco BBI se deve ao ecossistema que vem sendo desenvolvido pelo Banco Pan, com foco nas classes C, D e E — um mercado que representa mais de 85% da população brasileira. Mais que isso: o Pan já apresenta um ritmo acelerado de crescimento, com mais de 40 mil clientes sendo adicionados por dia à base de usuários no segundo trimestre.
No lado do valuation, os analistas do Bradesco BBI também destacam que BPAN4 está barato, tanto em relação a sua média histórica quanto em comparação com os pares do setor bancário.
A visão positiva do Bradesco contagiou o mercado: por volta de 12h15, BPAN4 operava em alta de 3,17%, a R$ 19,85; o Ibovespa, por outro lado, apresenta um desempenho ligeiramente negativo neste início de semana.
Banco Pan: fundamentos atrativos
O relatório, assinado por Gustavo Schroden, Otavio Tanganelli e Eric Ito, tem o sugestivo título de "Pronto para um longo período de forte crescimento". E a base da análise é a posição estratégica ocupada pelo Banco Pan, com foco numa classe consumidora bastante ampla e que com adesão ainda limitada aos produtos financeiros.
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Os analistas lembram que, ao final de 2020, 161 milhões de pessoas no Brasil faziam parte do sistema bancário, o que equivale a 96% da população adulta do país. Considerando apenas as classes C, D e E, chegamos a um universo endereçável de 138 milhões de clientes para o Banco Pan — atualmente, o banco tem 12,5 milhões de correntistas.
Para o Bradesco BBI, o Banco Pan tem um trunfo para avançar sobre os potenciais novos usuários: a oferta de serviços mais adequados ao perfil desses clientes, com foco na concessão de crédito e empréstimos consignados, financiamento de veículos e empréstimos pessoais.
"Considerando apenas os produtos de crédito, estimamos que o mercado total endereçável seja de R$ 1,2 trilhão, dos quais o Banco Pan possui apenas 2,8% de market share", escrevem os analistas. "Isso significa que ainda há muito espaço para a expansão da carteira de crédito".
Levando em conta o potencial de avanço da carteira de crédito, o Bradesco BBI se diz otimista quanto à monetização da base de clientes: a receita líquida de juros (NII, na sigla em inglês) do Banco Pan deve chegar a R$ 424 por cliente em 2030. É um avanço significativo em relação à estimativa de R$ 307 para 2023 — e que, embora ainda esteja abaixo dos grandes bancos, é superior aos R$ 197 do Inter.
BPAN4: valuation atrativo
Em relação ao comportamento de BPAN4 na bolsa, o Bradesco BBI destaca que há espaço para ganhos adicionais. Mesmo com a forte valorização vista nos últimos meses, as ações apresentam métricas de valuation atrativas. O índice preço/lucro em crescimento (PEG, na sigla em inglês) é de 0,8x, considerando o preço-alvo de R$ 26,00 — abaixo da média de três anos do papel, de 1,15x.
Veja como essa métrica se compara com a de outros bancos:
- Inter: 105,7x
- Grandes bancos: 7,7x, em média
Vale lembrar que BPAN4 foi incluída na primeira e segunda prévias da nova carteira do Ibovespa — se a entrada for confirmada, a liquidez dos papéis tende a aumentar. A terceira e definitiva prévia do portfólio será divulgada no dia 2 de setembro.

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