Menu
2020-04-30T13:51:28-03:00
Estadão Conteúdo
AMÉM

Bolsonaro pressiona Receita Federal a perdoar dívidas da igreja evangélica

Um eventual perdão das dívidas traria prejuízo às contas públicas. A Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada por R. R. Soares (com quem o presidente já se encontrou em outras ocasiões), acumula R$ 144 milhões em débitos inscritos na Dívida Ativa da União.

30 de abril de 2020
13:22 - atualizado às 13:51
shutterstock_1367398886
Imagem: Shutterstock

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na última segunda-feira no Palácio do Planalto com o deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do missionário R. R. Soares, e com o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, no encontro, a portas fechadas, o presidente cobrou uma solução para dívidas tributárias que as igrejas possuem com o Fisco. Bolsonaro já ordenou à equipe econômica "resolver o assunto", mas a queda de braço continua por resistência do órgão.

Um eventual perdão das dívidas traria prejuízo às contas públicas. A Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada por R. R. Soares (com quem o presidente já se encontrou em outras ocasiões), acumula R$ 144 milhões em débitos inscritos na Dívida Ativa da União - terceira maior dívida numa lista de devedores que somam passivo de R$ 1,6 bilhão.

A mesma igreja ainda tem outros dois processos em curso no Carf, tribunal administrativo da Receita, que envolvem autuações de R$ 44 milhões em valores históricos, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

Em um vídeo divulgado em redes sociais em outubro de 2016, R. R. Soares aparece em um evento ao lado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, hoje preso após condenação na Operação Lava Jato, citando multas aplicadas às igrejas que chegavam a R$ 600 milhões até 2014.

A ordem do presidente foi recebida na área econômica como mais uma tentativa de interferência do presidente em assuntos internos de um órgão para atender o seu eleitorado.

Na última semana, Sérgio Moro deixou o governo acusando o presidente de exigir relatórios de investigações sigilosas da Polícia Federal e, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar uma ordem de Bolsonaro para revogar portarias do Exército.

Tentativas de interferir na Receita já resultaram em crises políticas. No governo Luiz Inácio Lula da Silva, a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff foi acusada pela secretária do órgão Lina Vieira de pedir para aliviar uma investigação que envolvia a família Sarney. Lina deixou o cargo e Dilma precisou se explicar ao Congresso.

Não é a primeira vez que Bolsonaro tenta impor à Receita a revisão das multas das igrejas. O ex-secretário da Receita Marcos Cintra disse a interlocutores que não ceder a essa ordem foi um dos motivos para ter deixado o cargo.

O deputado David Soares preferiu não se manifestar sobre a reunião com o presidente que constou em agenda oficial. "Isso aí é uma reunião com o presidente, eu não tenho nada a declarar", disse. A Igreja Internacional da Graça de Deus não retornou até a publicação desta edição. O Planalto não respondeu às perguntas enviadas à Secretaria de Comunicação. A Receita disse que não se manifestaria.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

reta final de negociações

Senado americano aprova “pacote Biden” de US$ 1,9 trilhão

Agora, o pacote voltará para a Câmara dos Representantes, que analisará as alterações feitas no texto pelos senadores. Se for aprovado, o projeto será enviado à Casa Branca para a sanção do presidente

entrevista

‘Episódio Petrobras deu um susto grande nos investidores’, diz economista do Itaú

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, diz também estar preocupado com as incertezas políticas, que ameaçam o crescimento do PIB

Dificuldades À vista?

Deputados falam em reduzir medidas de ajuste fiscal do texto da PEC do auxílio

Embora defenda celeridade na análise da proposta, Albuquerque admite que o texto pode ser enxugado

escolha da CEO

Investir no Brasil: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Confira uma seleção de matérias feita pela CEO do Seu Dinheiro, Marina Gazzoni

Efeitos da pandemia

PEC do auxílio aprovada no Senado prevê abater R$ 100 bi da dívida pública

Pelos cálculos do governo, a necessidade de financiamento da dívida pública federal (DPF) neste ano é de R$ 1,469 trilhão, valor que aumentou por causa do maior volume de títulos de curto prazo que o governo precisou emitir para conseguir captar recursos

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies