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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

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As ações favoritas para o mês de setembro, segundo 13 corretoras

Três companhias tradicionais da bolsa brasileira voltam mais uma vez ao pódio de favoritas do mercado. Confira as principais apostas dos analistas para o mês de setembro

Jasmine Olga
Jasmine Olga
4 de setembro de 2020
5:27 - atualizado às 15:58
Selo Ação do mês
Selo Ação do mês - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O que faz de um clássico um clássico? Tenho a certeza que essa pergunta já foi discutida e revisitada infinitas vezes desde a origem do universo. Seja na Academia, na escola ou na mesa do bar, um método universal para a definição de clássicos nunca foi encontrado.

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A única certeza é que quando falamos em clássicos é quase certo que sua mente vague diretamente até os grandes nomes da literatura, os filmes da era de ouro do cinema americano ou o Álbum Branco dos Beatles. Mas esses não são os únicos.

No mercado financeiro, também temos grandes clássicos: setores fortes e consolidados, empresas sólidas que possuem a confiança dos investidores e que se destacam por anos a fio e ativos de confiança para os momentos de crise. Assim como no mundo das artes, esses também estão longe de ser uma unanimidade.

Na bolsa de valores, as ações "clássicas" também são chamadas de "blue chips": empresas fortes, consolidadas, com grande nome no mercado e um grande volume de negociação diária.

Aqui no Seu Dinheiro já é tradição consultarmos os principais bancos e corretoras para conhecer as três principais apostas para o mês. O resultado sempre é uma surpresa, mas algumas empresas já se tornaram verdadeiros clássicos no nosso ranking.

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É claro que tudo depende do momento. Um ano atrás era quase certo que o topo do pódio seria da Petrobras e que um dos bancões certamente apareceria na lista, enquanto uma Vale pós-Brumadinho aparecia de forma esporádica entre as favoritas. No momento em que o petróleo desabou e a crise do coronavírus obrigou as empresas a se adaptarem da melhor forma, o jogo virou, e a Vale já apareceu por aqui em 7 outras ocasiões em 2020.

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Uma hora ou outra uma surpresa sempre aparece. Mas só o tempo poderá nos dizer se estamos diante de um novo clássico. Por agora, o que podemos afirmar é que, depois de anos complicados, a Via Varejo (VVAR3) segue fazendo a cabeça dos analistas e aparece no topo do pódio das queridinhas do mercado pelo terceiro mês consecutivo, com quatro indicações.

Para setembro, a lista completa é composta por empresas tradicionais - que já marcaram presença aqui no mês passado. Além da varejista, temos um empate entre duas empresas clássicas do Ibovespa: a mineradora Vale (VALE3) e o Bradesco (BBDC4).

Outras companhias, citadas mais de uma vez pelos analistas, também merecem destaque. É o caso da empresa de software Totvs (TOTS3), o Banco Itaú (ITUB4) e a Direcional Energia (DIRR3).

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Antes de você descobrir o que os analistas do mercado andam dizendo, um lembrete. Uma estratégia inteligente de investimentos envolve também uma diversificação maior - assim você pode aproveitar melhor as chances de alta e minimizar possíveis prejuízos. Como diz a velha máxima: nunca coloque todos os ovos em uma única cesta.

Confira o Top 3 de cada corretora na tabela abaixo.

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro Premium consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são as principais apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.

Abrindo vantagem

Se você nos acompanha mensalmente, sabe que nos últimos meses o topo do pódio tem sido dominado por aquelas empresas que souberam se destacar durante a pandemia — principalmente quando o assunto é e-commerce. 

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A Via Varejo (VVAR3), que neste mês recebeu quatro indicações — Ágora Investimentos, Planner, Necton e Toro Investimentos — tem sido figurinha carimbada por aqui. Depois de alguns anos complicados e um começo de ano igualmente negativo, a companhia virou a chave do seu negócio em plena pandemia - e parece estar saindo vitoriosa.

Até o dia 2 de setembro, a ação da companhia acumulava uma alta de 83,89%, a R$ 20,54. Mesmo com a valorização expressiva dos últimos meses, os analistas ainda acreditam que a varejista pode ir além.

Para Mario Mariante, analista-chefe da Planner Corretora, a pandemia deve seguir influenciando a aceleração das vendas online da Via Varejo. No primeiro semestre, a empresa, dona de marcas como Casas Bahia e Ponto Frio, teve um crescimento de 47% no seu e-commerce. 

O faturamento líquido nos primeiros seis meses do ano, de R$ 11,6 bilhões, ficou abaixo do registrado em 2019, mas refletiu o bom funcionamento da companhia durante o período mais crítico da pandemia, quando quase todo o comércio do país ficou fechado e precisou de uma boa estrutura de comércio eletrônico — e a Via Varejo foi rápida na mudança de chave, garantindo um ganho expressivo de mercado. 

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A Toro Investimentos vê todo o setor de bens de consumo com bons olhos e acredita nas companhias que possuem uma grande penetração nas vendas via e-commerce. Com o foco da Via Varejo totalmente voltado para a transformação digital, os analistas da Toro enxergam grande potencial para a companhia. 

Em teleconferência com jornalistas, após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, o CEO da companhia, Roberto Fulcherberguer, disse que a companhia tem conseguido superar a barreira tecnológica. O plano agora é expandir, contratar e firmar parcerias importantes. Em outro evento, Fulcherberguer disse não acreditar que somente uma empresa saia vitoriosa no comércio online.

Embora o cenário seja bem promissor no segmento online, a Ágora Investimentos ressalta que a Via Varejo opera em um espaço de comércio eletrônico altamente competitivo — e, por isso, deve ser creditada pela forma como executou a sua transformação digital. 

“Acreditamos que a Via Varejo, portanto, entra no segundo semestre do ano com forte impulso, o que deve ajudá-la a continuar a recuperar o terreno perdido para os concorrentes ao longo de vários anos” — Ágora Investimentos

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Reconquistando confiança

Nem mesmo os clássicos estão imunes aos efeitos do tempo. Não é raro que eles percam espaços nas prateleiras para as novidades do momento ou sejam revisitados com uma leitura crítica mais moderna e atualizada. 

Os grandes bancos talvez sejam as figuras mais tradicionais e clássicas do mercado financeiro. E eles não têm tido vida fácil: o número cada vez maior e a popularização das fintechs chacoalham cada vez mais o segmento e obrigam os bancões a correrem atrás do prejuízo e se modernizarem cada vez mais, ao mesmo tempo que lutam para manter a sua solidez. 

Antes mesmo da crise do coronavírus as ações dos grandes bancos já sofriam em bloco. A crise só piorou a situação. Em 2020, as ações dos principais bancos acumulam quedas superiores a 30% (no acumulado até a última quarta-feira): Itaú (32%), Santander (38%), Banco do Brasil (35%) e Bradesco (35%).

Mas um clássico é sempre um clássico e o Bradesco (BBDC4), que passou um bom tempo longe da lista de queridinhas, está emplacando pela segunda vez consecutiva entre as favoritas do mercado. A tradicional instituição financeira vem mostrando aos investidores que tem fôlego não só para lidar com a crise mas também para ir além. Neste mês, o bancão foi indicado por três instituições: Toro Investimentos, Banco Santander e Terra Investimentos.

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Para se defender dos efeitos da pandemia, o banco protegeu fortemente o seu balanço de possíveis efeitos do coronavírus, fazendo provisões contra perdas no crédito. No primeiro trimestre, foram R$ 2,7 bilhões. No segundo, mais R$ 3,8 bilhões foram reservados. A redução das despesas operacionais é outra medida anti-crise destacada pelos analistas. 

Com o efeito das provisões para perdas no crédito esperadas com retração da economia, o banco viu o seu lucro cair para R$ 3,873 bilhões, queda de 40,1% e a rentabilidade sobre patrimônio ir para 12%. O Bradesco, no entanto, já tem planos para o pós-crise.

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o presidente da instituição, Octavio de Lazari Junior, disse que espera retomar um retorno superior a 20% após a retomada. Além disso, caso a recuperação da economia aconteça de forma melhor do que o esperado, as provisões podem ser revertidas. 

Mesmo com a queda no lucro e na rentabilidade, a Terra Investimentos destaca o crescimento da margem financeira total (15,3%) e a expansão da carteira de crédito (14,9%). A Toro Investimentos ressalta ainda a melhora nos índices de inadimplência e a boa performance e crescimento da operação de seguros, previdência e capitalização. 

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Se antes da crise os analistas do Santander esperavam que o Bradesco tivesse um crescimento de 10% no lucro, agora a expectativa é de que a queda seja de 9% em 2020, o que levou a uma mudança no preço-alvo das ações, para R$ 35. No entanto, mesmo com a correção, os analistas seguem vendo o Bradesco como o maior potencial de alta entre os bancos privados. 

Presença constante

Os dias de terror pós-Brumadinho ainda não ficaram definitivamente para trás. Mas a Vale (VALE3) segue como uma das ações favoritas do mercado. Neste mês, foram três indicações: Guide Investimentos, CM Capital e Necton.

Durante a crise, não foi raro ouvir as palavras "resiliência" e "adaptabilidade" como adjetivos para a força de uma das maiores mineradoras do mundo. Não é à toa que a empresa já é um clássico por aqui, figurando sete vezes entre as favoritas em 2020. Neste ano, a companhia acumula uma valorização superior a 13% — enquanto o Ibovespa cai mais de 10%.

A solidez da companhia é reforçada pelos bons fundamentos que seguem sendo os gatilhos para a aposta dos analistas na companhia. O foco segue na reestruturação da gestão da companhia, com foco no controle de custos, redução do capex e do endividamento.

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Além das melhorias operacionais, uma série de fatores que favorecem a Vale ajudam a compensar os efeitos negativos da queda de produção provocada pela crise do coronavírus, segundo Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. 

E uma boa dose desse otimismo segue sendo a expansão da indústria chinesa, que mostra força e segue a sua trajetória de recuperação. Além disso, o país tem investido em obras de infraestrutura para estimular a economia. Os dois fatores geram uma alta demanda por minério de boa qualidade - e parte dela deve ser suprida pela Vale. 

No começo deste ano, o minério de ferro se estabilizou acima dos US$ 100 e desde então segue com uma forte onda de valorização, atualmente na faixa dos US$ 127 por tonelada. 

“Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.8x EV/Ebitda, contra uma média de 6.5x do setor” - Guide Investimentos

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Retrospectiva

O mês de agosto foi o primeiro mês negativo para o Ibovespa desde março, no início da crise do coronavírus. O principal índice da bolsa brasileira fechou o mês com queda acumulada de 3,44%. O mês foi marcado pela volta das tensões políticas em Brasília e uma grande preocupação dos investidores com a situação fiscal do país e o cumprimento do teto de gastos diante da pandemia do coronavírus.

Das quatro ações no topo do ranknig de agosto, apenas a Via Varejo teve retorno positivo, de 3,06%. O restante — Vale (-3,52%), Bradesco (-8,48%) e B3 (-6,62) — seguiu a tendência de queda do principal índice da bolsa brasileira.

Confira o desempenho completo das ações indicadas.

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