Menu
2020-05-08T08:14:41-03:00
em brasília

Bolsonaro pressiona o STF com ‘marcha empresarial’

Atitude foi interpretada na própria Corte como um gesto de marketing. Na prática, o presidente quis fazer chegar ao Judiciário a pressão que vem sofrendo para “reabrir o País”

8 de maio de 2020
8:14
49867549851_58bfc50588_c
(Brasília - DF, 07/05/2020) Conversa com imprensa após a reunião no STF. Foto: Marcos Corrêa/PR -

Depois de sofrer uma série de derrotas na arena judicial, o presidente Jair Bolsonaro levou nesta quinta-feira uma comitiva de empresários à sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e fez pressão para que o presidente da Corte, Dias Toffoli, amenizasse as medidas de isolamento social decretadas por Estados para combater a pandemia do coronavírus. Acompanhado de ministros, parlamentares e empresários, Bolsonaro atravessou a Praça dos Três Poderes e, numa visita surpresa, fez um apelo a Toffoli para que fosse permitida a reabertura do comércio, sob o argumento de que há riscos de o Brasil "virar uma Venezuela".

Os ministros Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Fernando Azevedo (Defesa) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, integraram a comitiva. Mais tarde, Bolsonaro disse que tomou aquela atitude porque não poderia ficar "esperando" de braços cruzados uma decisão do Supremo.

"Parte da responsabilidade disso tudo também é dele. É do Supremo. Tem de jogar no mesmo time", afirmou ele. No mês passado, a Corte decidiu que Estados e municípios têm autonomia para decretar quarentena, como forma de enfrentar o coronavírus. O parecer contrariou Bolsonaro, que defende a "flexibilização" do isolamento social. "O dinheiro do governo está acabando. Se endividar muito, eleva taxa de juros, acaba perdendo a confiança na capacidade do estado de arrecadar."

A decisão de Bolsonaro de "marchar" até o Supremo, após se reunir com vários empresários do setor produtivo, no Palácio do Planalto, foi interpretada na própria Corte como um gesto de marketing. Na prática, o presidente quis fazer chegar ao Judiciário a pressão que vem sofrendo para "reabrir o País", depois de ouvir ontem que a indústria está "destroçada".

Na reunião com Toffoli, o governo traçou um cenário desolador. Guedes afirmou que "economia pode se desintegrar", está perdendo os "sinais vitais" e alertou para os riscos de desabastecimento. Bolsonaro, por sua vez, demonstrou preocupação com saques e manifestações populares com o avanço do desemprego. A estratégia do Palácio do Planalto é afrouxar o distanciamento social para reativar a economia, apesar de o País ainda não ter chegado ao pico da doença, segundo o Ministério da Saúde. "Economia é vida. Um país em que a economia não anda, a expectativa e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) vão lá pra baixo. Queremos que o Brasil ocupe um lugar de destaque no mundo", afirmou Bolsonaro.

Apesar da pressão, o presidente teve de ouvir de Toffoli recados sobre governança. O presidente do STF propôs um "comitê de crise" para acompanhar os desdobramentos da pandemia. Foi uma crítica à falta de política centralizada por parte do governo. Toffoli também defendeu uma saída do isolamento de "maneira coordenada com Estados e municípios" e lembrou que a Constituição garante competências específicas para os entes da federação.

A mensagem do ministro foi interpretada por auxiliares como um "puxão de orelha" em Bolsonaro, que está em um cabo de guerra com prefeitos e governadores para a reabertura do comércio. Toffoli ainda observou que as medidas de combate ao novo coronavírus devem ser tomadas a partir de "critérios científicos".

O presidente da associação das indústrias de brinquedos, a Abrinq, Synesio Batista, disse que a conversa com o presidente do Supremo foi feita a pedido de Bolsonaro. Batista afirmou, porém, que os empresários não apresentaram qualquer reivindicação à Corte. "A indústria não tem que pedir nada (ao STF). Nosso ambiente de relacionamento empresarial é com o Executivo, não é com a Corte máxima", observou ele.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, as demandas só foram levadas até o Supremo porque Bolsonaro ficou "preocupado" com o relato dos industriais. "Não houve constrangimento. Foi quem quis", argumentou.

O movimento do presidente também foi visto no STF como "um jogo de cena" para terceirizar responsabilidades e dividir com a Corte o ônus da crise política, econômica e sanitária que abala o seu governo. Causou incômodo, ainda, a transmissão ao vivo da reunião, feita por Bolsonaro em seu perfil no Facebook, sem conhecimento prévio do Supremo. Nos bastidores, ministros do tribunal também criticaram o fato de Toffoli ter permitido que o presidente usasse a Corte como uma espécie de "palco".

Dois dos ministros militares que acompanharam Bolsonaro na reunião com Toffoli (Braga Netto e Ramos) foram convocados para depor no âmbito do inquérito aberto pelo tribunal para investigar acusações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de que o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal. O outro auxiliar de Bolsonaro que terá de prestar depoimento é Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Os militares se disseram ofendidos com a decisão do ministro Celso de Mello, para quem os depoimentos devem ser tomados até por "condução coercitiva" ou "debaixo de vara". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Dados atualizados

Mortes por coronavírus no Brasil vão a 34.973; infectados são 643.766

Na quinta-feira, havia 34.021 mortes registradas, segundo o Ministério da Saúde. O balanço diário totalizava 614.941 infectados

Números da pandemia

‘Acabou matéria no Jornal Nacional’, diz Bolsonaro sobre atraso em dados do coronavírus

Questionado sobre o terceiro dia com atraso seguido na divulgação de mortos e infectados pela covid-19 pelo Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira, 5, que “acabou matéria no Jornal Nacional”, telejornal da TV Globo

seu dinheiro na sua noite

A crise do coronavírus vai ser uma marolinha?

Em 2008, ao ser questionado sobre a crise financeira, o ex-presidente Lula disse que o tsunami sobre a economia global chegaria ao Brasil como uma “marolinha”. O resultado você e eu conhecemos. Pois bem, com a rápida recuperação dos mercados nas últimas semanas já vejo muita gente resgatar a tese da marolinha. Na nova versão, […]

Marcelo Guaranys

Ninguém voltará para fila do Bolsa Família após fim do auxílio emergencial, diz secretário

Depois de o governo transferir quase R$ 84 milhões do Bolsa Família para publicidade institucional, secretários do Ministério da Economia disseram que o programa está com a fila zerada

Isso é que é alívio

Dólar despenca 6,52% na semana e fica abaixo de R$ 5,00; Ibovespa dispara mais de 8%

O dólar à vista terminou a semana a R$ 4,99, indo ao menor nível desde 26 de março, enquanto o Ibovespa cravou a sexta alta seguida e voltou ao patamar de 94 mil pontos. Entenda o que motivou toda essa onda de otimismo nos mercados

Secretário especial da fazenda

Bolsa Família não foi prejudicado com transferência de recurso à Secom, diz Waldery

Ele lembrou que o governo decidiu prorrogar o auxílio emergencial por duas parcelas “em princípio” e que, depois da medida provisória que previa o pagamento permanente do 13º para o Bolsa Família caducar, o governo analisará o espaço orçamentário para esse medida neste ano

Efeito coronavírus

Varejo de SP tem perdas de R$ 16 bilhões durante quarentena, diz Fecomercio

O cálculo é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), levando em consideração 72 dias de quarentena até ontem

Menos frequência, mais gasto

Redes de supermercados e atacarejos faturam 12,5% a mais em maio

Os dados são de um levantamento da GS Ciência do Consumo, empresa de inteligência analítica e soluções de tecnologia para indústria e varejo

YDUQ3 salta 10% na bolsa

BTG mantém-se neutro sobre Yduqs, mas vê ‘gatilho valioso’ após aquisição de R$ 120 milhões

Yduqs salta mais de 10% no Ibovespa; para BTG, o fraco ímpeto de lucros da companhia e a falta de catalisadores ainda justificam a cautela na recomendação

Dono da Warner Music

Len Blavatnik: o bilionário que apostou na indústria fonográfica e se tornou um dos homens mais ricos do mundo

Com o bem-sucedido IPO da Warner Music, na Nasdaq, Blavatnik, que apostou na empresa quando a indústria fonográfica desmoronava, saltou quase 20 posições na lista dos mais ricos do mundo

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements