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O professor João destaca a necessidade dos seguidores do presidente (e dele próprio) de ter, o tempo todo, inimigos a combater.

O êxito do bolsonarismo, com sua paixão mobilizadora nas redes sociais e nas ruas, inviabiliza o governo Jair Bolsonaro, diagnostica o professor João Cezar de Castro Rocha, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Titular de Literatura Comparada a instituição, ele aponta o paradoxo do discurso bolsonarista no livro Guerra Cultural e Retórica do Ódio (Crônicas do Brasil), que lançará em julho.
Ele destaca a necessidade dos seguidores do presidente (e dele próprio) de ter, o tempo todo, inimigos a combater, um fator que, prevê, levará a administração ao colapso. Isso estaria evidente no combate à covid-19. " É muito claro: a morte não é um meme, e vida não se reduz à disputa de narrativas", afirmou, em entrevista ao Estadão. Leia trechos da entrevista a seguir.
O sr. se refere em seu livro a uma forma brasileira de guerra cultural empreendida pelo governo Bolsonaro. O que é isso?
Em nenhuma circunstância estou negando que a guerra cultural bolsonarista lance mão de diversos recursos utilizados sobretudo pela extrema direita norte-americana. Não estou negando que seja possível fazer um estudo da guerra cultural bolsonarista que valorize a proximidade de tudo que o governo Bolsonaro realiza e que pode ser encontrado em governos da Turquia, da Hungria.
A guerra cultural é o objetivo do governo?
A guerra cultural é o eixo do governo. Por isso mesmo, a guerra cultural não deixa que haja governo. Esse é o paradoxo. Este governo vai entrar em colapso administrativo. A guerra cultural assegura o êxito do bolsonarismo e impossibilita a ação do governo.
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Isso explica a ação, ou não ação, do governo as pandemia?
Justamente. O que está acontecendo agora na pandemia é desastroso. Em lugar de administrar a crise, de vislumbrar um futuro difícil e se antecipar a ele, Bolsonaro gasta o tempo inteiro criando inimigos políticos.
O senhor cogitou que os grupos digitais bolsonaristas ficariam mais extremistas, não?
Estão ficando. E não somente isso, as milícias digitais estão indo para as ruas. O caso absurdo deste grupo dos 300 (grupo extremista que acampou em Brasília). É muito claro: a morte não é um meme, e a vida não se reduz à disputa de narrativas. Então, infelizmente, esta peste nos confronta com a necessidade de observar com cuidado dados objetivos da realidade.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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