Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

Calçado de cara nova

Após troca de marcas e pandemia, Vulcabras quer deixar prejuízos de vez para trás

Agora repaginada e com foco em artigos esportivos, a Vulcabras espera agora virar a página da crise, segundo Pedro Bartelle, CEO da companhia

Kaype Abreu
Kaype Abreu
23 de novembro de 2020
5:58 - atualizado às 20:42
Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras
Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras - Imagem: Divulgação / Vulcabras

Um dos nomes mais tradicionais da indústria brasileira de calçados, a Vulcabras passou por um longo inferno astral. Agora repaginada e com foco em artigos esportivos, a empresa espera virar a página da crise.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entre as mudanças no portfólio, a companhia repassou a Azaleia à Grandene e comprou a Mizuno no Brasil. A marca japonesa se juntou a Olympikus e à Under Armour, enquanto a empresa se prepara para dar fim à Dijean, de caçados femininos. Anunciadas recentemente, essas mudanças eram negociadas há pelo menos dois anos.

A Vulcabras fez sucesso nos anos 1970 e 1980 com os sapatos masculinos da linha "752". A empresa inovou no marketing ao escalar como garotos-propaganda gente como Paulo Maluf, Leonel Brizola e Hebe Camargo. Mas no início da década de 2010, diante de mudanças do mercado, a empresa fez novas apostas — errou e correu até o risco de quebrar.

O avanço de marcas que produzem na Ásia, com países que cresciam ao mesmo tempo em que os europeus enfrentavam uma crise, mexeu com as empresas brasileiras do setor. A Vulcabras optou por adquirir em 2007 a Azaleia (e com ela a Olympikus), investiu recursos e triplicou de tamanho, em uma tentativa de concorrer com estrangeiras. Não deu totalmente certo.

"A gente se preparou para um crescimento que não aconteceu", conta o atual CEO da Vulcabras, Pedro Bartelle, em entrevista ao Seu Dinheiro. O executivo assumiu os negócios da família em 2015, depois da reestruturação promovida pelo consultor Claudio Galeazzi, especialista em corte de custos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Vulcabras chegou a ter 29 fábricas e 45 mil funcionários. Hoje são dois espaços de fabricação no Brasil e 13 mil pessoas trabalhando para a companhia — incluindo os colaboradores do centro administrativo e do centro de tecnologia e desenvolvimento. Há ainda duas filiais e centros de distribuição no Peru e na Colômbia.

Leia Também

Com os cortes, a empresa saiu de cinco anos de prejuízo, entre 2010 e 2015. Embora afetada na pandemia, a empresa voltou a dar lucro no terceiro trimestre, com um resultado de R$ 43,4 milhões — alta anual de 3,9%.

Bartelle defende que o portfólio da Vulcabras é adequado ao bolso do brasileiro — com produtos que, segundo ele, duram mais e não são caros — e que a covid-19 ainda deixa o legado da aceleração da digitalização das vendas. “Nossos custos diminuíram muito, com viagens para feiras, por exemplo”, diz.

O executivo conta que a empresa foi surpreendida com a velocidade de retirada de pedidos, durante o último lançamento da coleção. "Hoje temos 300 pessoas na nossa força de venda, 'disparando' conversas e videoconferências", diz Bartelle. "A gente tem catálogos digitais e consegue mostrar o produto em três dimensões."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No passo do faturamento

Ao se desfazer apenas da Azaleia, em um contrato de ao menos três anos, a Vulcabras abriu mão de uma marca que fatura R$ 100 milhões por ano, mas o movimento complementaria a entrada da Mizuno — que tem receita anual de R$ 44 milhões. A empresa desembolsou R$ 200 milhões para ficar com a marca esportiva.

"Nós vamos usar todos recursos do feminino [da Azaleia, que foi repassada à Grandene] adaptados para a produção de calçados esportivos", explica o executivo da companhia.

O negócio ainda precisa de aprovação do Cade, mas Bartelle diz que, passada essa etapa, a companhia espera realizar contratações e investimentos para a capacidade produtiva — a Vulcabras é responsável por todas as etapas envolvendo as marcas, da pesquisa à produção, e do marketing à venda para os lojistas.

A atuação da empresa hoje, segundo o CEO, é muito mais de gestão de marca, e não apenas de fabricação. "As marcas nacionais antigamente eram de vender mais, em volume, e não fazer licenciamento", lembra. "Com o passar do tempo, a Olympikus precisou fazer produtos para performance esportiva, pensando em uma coleção de acessórios [e não só o calçado]."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dona de marcas estrangeiras no País, a Vulcabras é definida pelo CEO como uma incentivadora da indústria nacional. "Outros países não têm uma produção local tão forte, então a marca internacional opera diretamente", afirma. "O Brasil é um país de dez Brasis. É muito mais vantajoso ter um parceiro local que já desenvolveu um conhecimento de capilarização no País".

Bartelle ainda cita como um movimento positivo para indústria local a compra da Nike no Brasil pela Centauro. "Você tem uma parceria com uma empresa nacional comprometida em dar resultado. Isso ajuda a disciplinar o mercado, a não tornar o país um lugar em que estrangeiras escoam produção excedente".

Ações penalizadas

Na bolsa de valores, uma oferta de ações está por ora descartada, segundo Bartelle. "Acredito que seria até desrepeitoso com o nosso acionista, levando em consideração o preço das ações da Vulcabras hoje — que, acredito, não estão com um valor justo", afirma.

A empresa também não paga dividendos aos acionistas por conta dos prejuízos acumulados. Os papéis da Vulcabras são negociados nos últimos dias na faixa de R$ 7, com um desconto de 24% neste ano e de 62% nos últimos 10 anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para se ter uma ideia da gangorra que enfrenta o acionista de longo prazo da empresa, em fevereiro de 2000 as ações da Vulcabras valiam R$ 25. No mesmo mês de 2015 o preço era de R$ 1,08.

Analistas costumam ser cautelosos com a empresa, mas dizem ver como positiva as mudanças no portfólio. O BTG Pactual, por exemplo, lembra que a Vulcabras é dependente do cenário macroeconômico doméstico — o alto desemprego e a baixa intenção de consumo das famílias seriam fatores de risco, na visão dos analistas.

A avaliação considera que o legado da covid-19 sobre a economia ainda não muito claro. A pandemia também seria razão pela qual a companhia é mal avaliada no site Reclame Aqui pelos consumidores diretos — e não os lojistas, que compram da Vulcabras —, segundo o CEO.

"As vendas aumentaram bastante. Mas o serviço de atendimento aos consumidores pode ter caído um pouco, algo que a gente já tem corrigido." A empresa tem uma nota de 4,2/10,0 no site de reclamações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
PONTO DE VIRADA

Depois de cortar 80% da dívida, Ocyan mira novos contratos da Petrobras (PETR4); estratégia pode até gerar dividendos

23 de abril de 2026 - 16:32

Ocyan entra em nova fase após reestruturação, com foco em contratos da Petrobras e crescimento sustentável no setor de óleo e gás

PRESSÃO MADE IN CHINA

Localiza (RENT3) sofre com invasão de carros chineses, mas há esperanças; ação pode subir até 25%, segundo o BTG

23 de abril de 2026 - 16:03

O banco mantém a recomendação de compra para a ação, além de ser a ação preferida do setor — ela é negociada a 13 vezes o preço da ação sobre o lucro estimado

O ‘PLANO GALÁXIA’

‘Não vai ser fácil’: o recado da CEO do Banco do Brasil (BBAS3) sobre 2026 — e o que vem depois da crise

23 de abril de 2026 - 14:25

Após forte pressão nos balanços, o BB reformula a estratégia de crédito rural — e quer destravar crescimento em um mercado ainda pouco explorado; veja o que dizem os executivos

O CONTRA-ATAQUE DO BB

O “novo Banco do Brasil” (BBAS3): como o banco tenta virar a página da inadimplência no agro — e saltar no crédito privado

23 de abril de 2026 - 12:34

Após forte pressão nos balanços, o BB reformula a estratégia de crédito rural — e quer destravar crescimento em um mercado ainda pouco explorado; veja o que dizem os executivos

EM RECUPERAÇÃO

Indefinido: veja o que a Raízen (RAIZ4) disse à CVM sobre as negociações com credores

23 de abril de 2026 - 10:31

Entre as propostas apresentadas também estaria a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan (CSAN3), da presidência do conselho da Raízen

OI SOLUÇÕES

Última joia da coroa? Oi (OIBR3) coloca ativo bilionário à venda e movimenta gigantes das telecom; veja detalhes

23 de abril de 2026 - 10:01

Unidade de tecnologia e conectividade da Oi pode valer até R$ 1,6 bilhão, atrai interesse de grandes teles e marca nova etapa na reestruturação da companhia, que ainda prepara a venda de outros ativos bilionários

NÚMEROS INCERTOS

Investidores no escuro? Veja por que a Oncoclínicas (ONCO3) descontinuou a divulgação das projeções de lucro e Ebitda

23 de abril de 2026 - 9:33

A decisão tem em vista fatores macroeconômicos que o setor de saúde vem enfrentando ao longo dos últimos anos, associado ao desempenho financeiro da companhia

REORGANIZANDO A CASA

Após saída de Tanure, Light S.A. (LIGT3) troca CEO em subsidiária e nomeia novo diretor de RI

22 de abril de 2026 - 19:46

A mudança acontece em meio a uma sequência de ajustes na governança da elétrica, que tenta se reequilibrar após a recuperação judicial da controladora

PROVA DE RESISTÊNCIA

O grande teste das incorporadoras: quem aguenta mais um ano de crédito caro no setor? Itaú BBA responde

22 de abril de 2026 - 18:32

Ambiente mais restritivo favorece empresas com balanços mais sólidos e expõe incorporadoras mais alavancadas

DE PATINHO FEIO A PROTAGONISTA

Após apanhar na bolsa, distribuidoras de energia podem dar a volta por cima. XP diz o que você deve colocar na carteira

22 de abril de 2026 - 18:05

Depois da compressão de retornos e desempenho abaixo do mercado, setor pode se beneficiar de agenda regulatória e queda da Selic

ENTENDA

A estreia deste banco na bolsa foi um balde de água fria, mas o futuro pode guardar alta de 80%, segundo o BTG

22 de abril de 2026 - 17:06

Após a estreia na bolsa, Agibank acumula queda superior a 30%; apesar da revisão para baixo nas projeções, analistas ainda veem potencial de alta, em meio a pressões externas e impactos no crédito consignado

LUZ NO FIM DO TÚNEL?

Gestora resgatou o BRB: conheça a Quadra Capital, que comprou R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master

22 de abril de 2026 - 16:32

A operação inclui participações societárias em empresas listadas, como Oncoclínicas e Ambipar

HORA DE ABANDONAR OS PAPÉIS

Ação da Braskem (BRKM5) ainda pode cair pela metade: Bradesco BBI faz alerta para ‘situação insustentável’

22 de abril de 2026 - 15:11

Banco projeta queima de caixa bilionária e alerta para risco na estrutura de capital mesmo com melhora dos spreads petroquímicos

VAREJO FARMACÊUTICO

A virada da Pague Menos (PGMN3): o que está por trás da recomendação de compra do BTG Pactual

22 de abril de 2026 - 14:31

Banco vê espaço para crescimento consistente, ganho de produtividade e impacto relevante dos medicamentos GLP-1

NOVA ESTRUTURA

Sai um, entram dois: Azzas 2154 (AZZA3) reorganiza a casa após baixas no alto escalão; veja como fica agora

22 de abril de 2026 - 13:01

Após saída de executivo-chave e sequência de baixas no alto escalão, companhia reestrutura área de Fashion & Lifestyle e retoma divisão entre masculino e feminino

COSTURANDO UM APORTE

Energisa (ENGI11) anuncia acordo de R$ 1,4 bilhão com Itaú (ITUB4) — e banco entra como sócio em divisão estratégica

22 de abril de 2026 - 11:00

Entrada do Itaú via Denerge dá exposição indireta a distribuidoras e reforça estrutura de capital da elétrica

À FRENTE DA REESTRUTURAÇÃO

Quem devem ser os novos líderes na Braskem (BRKM5), que tentarão recuperar a petroquímica após venda de fatia da Novonor para a IG4

22 de abril de 2026 - 10:27

Os nomes ainda não foram divulgados pela companhia, mas já há especulação no mercado. O mais provável é que os cargos de CEO e CFO sejam ocupados por profissionais ligados à gestora IG4

O QUE FAZER COM A AÇÃO?

Construtora ‘queridinha’ do Minha Casa, Minha Vida se prepara para acelerar em 2026 — e ação deve saltar mais de 34%, segundo o BTG Pactual

22 de abril de 2026 - 10:02

Avaliação do BTG Pactual indica vendas resilientes no início do ano e aponta que mudanças no MCMV podem impulsionar lançamentos e demanda ao longo de 2026

“ELEFANTE BRANCO” SAI DE CENA

Adeus, e-commerce: Sequoia (SEQL3) ‘joga a toalha’ no varejo digital e vende operação ao Mercado Livre (MELI34)

22 de abril de 2026 - 9:12

Após anos de pressão no caixa, empresa se desfaz de ativo-chave e aposta em modelo mais leve; entenda o que muda na estratégia

TEM FUNDAMENTO?

Alta de 115% é pouco? A preocupação de R$ 500 milhões que ronda a Tenda (TEND3), construtora queridinha do momento

22 de abril de 2026 - 6:01

Parte do mercado acredita que essa valorização poderia ser ainda maior se não fosse pela Alea, subsidiária da construtora. É realmente um problema?

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia