Menu
2020-02-06T18:53:11-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Negócio fechado

Just do it: Centauro compra a Nike do Brasil por R$ 900 milhões e ações vão às máximas históricas

As ações ON da Centauro (CNTO3) dispararam quase 15% e chegaram a patamares inéditos de preço, com o mercado aprovando a compra da Nike do Brasil. Desde o IPO, os papéis já saltaram quase 300%

6 de fevereiro de 2020
11:37 - atualizado às 18:53
Loja da Centauro
Imagem: Reprodução

A Centauro foi derrotada pelo Magazine Luiza na disputa pela Netshoes, mas não desistiu dos planos de expansão nessa área. Na manhã desta quinta-feira (6), o grupo SBF — controlador da rede de artigos esportivos — deu uma tacada inesperada e anunciou a compra da Nike do Brasil, por R$ 900 milhões.

O mercado aprovou a ousadia: as ações ON da Centauro (CNTO3) fecharam em forte alta de 14,7%, a R$ 49,71, nas máximas do dia. Trata-se de um novo recorde de encerramento para os papéis.

Vale lembrar que as ações da Centauro estrearam na bolsa brasileira em 17 de abril do ano passado, a R$ 12,50 — assim, considerando o desempenho de hoje, os papéis acumulam uma valorização de quase 300%.

Pelo acordo, a Centauro será a operadora do canal de vendas online da Nike no país, além de atuar como distribuidora exclusiva dos produtos da marca — incluindo aí os itens de vestuário e calçados, além de acessórios e equipamentos.

As lojas da Nike no Brasil também ficarão sob responsabilidade da Centauro — decisões quanto à abertura ou não de novas unidades caberão ao grupo SBF.

Endividamento

Mas como a Centauro fará para pagar os R$ 900 milhões da compra da Nike do Brasil?

Em mensagem à CVM, a empresa diz que irá financiar uma parte desse montante, já tendo, inclusive, contratado o Santander Brasil, o Itaú BBA e o Bradesco BBI para ajudá-la a estruturar a operação.

A companhia não revelou a fatia que será financiada, mas uma análise de seu balanço trimestral revela que boa parte dessa cifra deverá ser obtida junto aos bancos. Ao fim de setembro de 2019, a Centauro possuía pouco mais de R$ 45 milhões em caixa e uma dívida líquida ajustada de R$ 212,7 milhões.

À primeira vista, esses números podem indicar uma situação financeira frágil e gerar preocupação quanto à viabilidade da compra da Nike do Brasil. No entanto, a geração de Ebitda — isto é, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — da Centauro traz bastante tranquilidade nesse front.

Entre julho e setembro de 2019, o Ebitda da companhia totalizou R$ 117 milhões, um aumento de 42,8% na base anual — nos primeiros nove meses do ano passado, o Ebitda chegou a R$ 374 milhões, avançando 122,9% em um ano.

Assim, a relação entre dívida líquida ajustada da Centauro e o Ebitda gerado nos últimos 12 meses estava em 0,5 vez ao fim de setembro — no mesmo mês de 2018, essa relação era de 3,4 vez. Um patamar que abre espaço para um salto no endividamento sem maiores dores de cabeça.

Vale ressaltar, ainda, que a dívida da Centauro era muito maior em setembro de 2018, ultrapassando os R$ 800 milhões. Mas, com o IPO em abril, a companhia conseguiu levantar mais de R$ 700 milhões, e boa parte desses recursos foram usados para abater os compromissos financeiros.

Contra-ataque

No ano passado, a Centauro travou uma batalha com o Magazine Luiza pela compra da Netshoes. Inicialmente, o Magalu propôs US$ 2,00 por ação do site de artigos esportivos, mas o grupo SBF tentou atravessar a operação, oferecendo um valor maior.

A partir daí, as duas concorrentes foram dando lances crescentes, até que o Magazine Luiza saísse vitorioso ao ofertar US$ 3,70 por ação, em 14 de junho. Desde então, a Centauro não havia dado novos passos no campo das fusões e aquisições — uma história que mudou hoje, com a compra da Nike do Brasil.

A tacada da Centauro também vem com uma pitada de vingança, uma vez que, ao deter a exclusividade dos produtos da Nike, a empresa irá afetar a prateleira da Netshoes — e, consequentemente, impactar os planos de expansão do Magazine Luiza no comércio online de artigos esportivos.

Numa rápida consulta ao site da Netshoes, é possível encontrar mais de dois mil artigos da marca sendo comercializados:

Enquanto os investidores aplaudiram a jogada da Centauro, a reação foi mais cautelosa em relação ao Magazine Luiza. Sem saber ao certo qual será o efeito da transação para a Netshoes, as ações ON do Magalu (MGLU3) fecharam em queda de 2,57% hoje.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Crise da Covid-19

Brasil ultrapassa marca de 10 mil casos de coronavírus

Em 24 horas, o Brasil notificou mais de mil novos casos de coronavírus e outros 72 casos fatais. A taxa de mortalidade no país está em 4,2%

Em conversa com o setor de varejo

Governo faz o máximo para o dinheiro chegar à ponta final, diz Guedes

O ministro Paulo Guedes, participou de conferência com líderes do setor de varejo neste sábado, detalhando as inciativas do governo na crise do coronavírus

Guerra de preços

Arábia Saudita e Rússia continuam trocando farpas e trazem preocupação ao mercado de petróleo

Arábia Saudita e Rússia voltaram a trocar acusações no âmbito da guerra de preços do petróleo — e já se começa a falar que a reunião emergencial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) da próxima segunda-feira foi por água abaixo

Impactos

Crise do coronavírus reduz consumo de carne e já paralisa 11 frigoríficos no país

A indústria da carne já começa a sentir os primeiros efeitos da crise do coronavírus, com uma menor demanda por produtos — o que paralisa alguns frigoríficos no país

Seu Dinheiro no Sábado

MAIS LIDAS: Um bilionário na luta contra o coronavírus

A notícia a respeito das iniciativas do bilionário Elon Musk no combate à pandemia de coronavírus foi a mais lida dessa semana no Seu Dinheiro

Ano difícil

Braskem fecha 2019 com prejuízo líquido de R$ 2,8 bilhões, revertendo o lucro de 2018

A Braskem encerrou 2019 com um prejuízo bilionário e contração nas receitas e no Ebitda em relação a 2018

LIÇÕES PARA AVALIAR UM NEGÓCIO

8 formas de saber se é um bom investimento

Na escola, seu boletim é a marca do seu sucesso. Nos negócios, são as demonstrações financeiras. Se você quer ser bem-sucedido, precisa saber como tirar conclusões sobre a saúde da empresa e seu potencial.

Queda do petróleo

Distribuidoras de gás natural pedem à Petrobras antecipação na redução do preço

Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) solicitou à Petrobras uma antecipação para 1 de abril na redução do preço do gás natural que vai ocorrer em maio deste ano, da ordem de 10%

Vendendo aéreas

Warren Buffett vende US$ 390 milhões em ações de companhias aéreas americanas

Buffett reduziu de seu portfólio o número de papéis da Delta Air Lines em 13 milhões, e da Southwest Airlines, em 2,3 milhões

Seu Dinheiro na sua noite

Produtos em falta: máscaras, álcool em gel e reais

A pandemia do coronavírus provoca desabastecimento de produtos como máscaras cirúrgicas e álcool em gel. Mas no mercado financeiro, a corrida para a proteção em dólar pode colocar outro item em falta: o real. Isso mesmo. E não estou falando só da falta de reais na carteira. Nos preços atuais, vai faltar moeda brasileira para […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements