Para brigar com rivais, Via Varejo vira sócia do ‘hub’ de inovação Distrito
Ao adquirir participação na Distrito, Via Varejo passa a ter contato com cerca de 300 empresas

Após comprar três empresas neste ano, a Via Varejo anunciou nesta segunda, 9, um aporte na firma de inovação aberta Distrito. A dona da Casas Bahia e do Ponto Frio pagou um valor não revelado para ficar com 16,7% do 'hub' de companhias nascentes. Trata-se de uma tentativa da varejista para recuperar terreno em uma corrida tecnológica no seu setor, cada vez mais disputado no Brasil não só por rivais locais, como o Magazine Luiza, mas também por gigantes da tecnologia como Amazon e Alibaba.
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Segundo o presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, a estratégia é fazer parte de um "hub de inovação" em vez de buscar aquisições "startup a startup". Com o aporte na Distrito, a varejista terá contato direto com cerca de 300 empresas, estima o mercado. Para o executivo, as inovações geradas na Distrito podem trazer avanços em vertentes para além do varejo. Ele não especificou quais outros setores seriam esses, mas rivais como o Magalu já investem em logística, venda de publicidade e meios de pagamento.
A julgar pelas aquisições recentes da empresa, as apostas também devem se concentrar nas áreas de logística e finanças. Em abril, a companhia adquiriu a AsapLog, de entregas. Em maio, arrematou 100% das ações da conta digital BanQi, fundada em 2019 pela varejista com uma companhia do Vale do Silício. Em outubro, foi a vez da dona da Casas Bahia colocar para dentro de casa a plataforma de e-commerce I9XP.
Além do Magalu, a Via Varejo tem de enfrentar gigantes globais, que também têm ampliado investimentos por aqui. A Amazon anunciou ontem três novos centros de distribuição no País, enquanto a chinesa Alibaba prepara uma grande ação local para o Dia dos Solteiros, data tradicional na China que agora está sendo trazida para o País e é comemorada nesta quarta-feira, 11.
A própria Via Varejo admite que está atrás na corrida e precisa ter pressa. "Estamos tirando a diferença do que tem no mercado e avançando", afirmou Fulcherberguer. O setor atento às tentativas da gigante rumo a uma atuação mais tecnológica. No ano, os papéis da empresa acumulam alta de 66% na Bolsa.
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Para Guilherme Fowler, professor de empreendedorismo do Insper, a transação reduz o risco de inércia da Via Varejo no mundo digital. "A Distrito vai servir como intermediário qualificado, fazendo curadoria para a Via Varejo, olhando não só compras, mas também parcerias, fornecedores e exclusividades", diz.
Crescimento
O investimento da Via Varejo é o primeiro aporte externo recebido pela Distrito, fundada em 2014 e com trabalhos em diferentes áreas, como finanças, marketing e varejo. Com o dinheiro, a Distrito espera acelerar o seu plano de atender startups e empresas.
Antes da pandemia, as startups que participavam dos programas de aceleração da Distrito precisavam estar em uma das quatro sedes físicas - três em São Paulo e uma em Curitiba. Agora, o programa Distrito for Startups ocorre digitalmente com empresas de todo o Brasil. Com isso, a Distrito dobrou sua rede, saltando de 144 startups, em abril, para 300, hoje.
Da mesma forma, o time da Distrito deve crescer em breve - hoje, a empresa tem 88 pessoas e 30 vagas abertas. Mas a companhia projeta crescer mais: "Vamos contratar mais gente, buscando um comando mais sênior", disse Gustavo Gierun, cofundador da Distrito. O movimento já começou: na semana passada, a empresa anunciou David Laloum, ex-CEO da agência Young & Rubicam, como sócio.
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
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