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Operações de e-commerce da empresa cresceram 72,6%; em teleconferência, Trajano disse que ainda não está otimista com a reabertura econômica, mas que a empresa tem caixa para dois anos de crise

O presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, disse nesta terça-feira (26) que o investimento em plataformas digitais é a única forma de conciliar o avanço da economia e a preservação da saúde da população.
As operações de e-commerce da empresa cresceram 72,6% nos três primeiros meses deste ano, em relação ao primeiro trimestre de 2019. Em abril e maio, o avanço foi de 138%, segundo balanço divulgado ontem. Nesta terça, as ações da varejista fecharam em alta de 6,75%.
Segundo Trajano, todos os países que tinham participação digital relevante na economia sentiram menos o baque da crise do novo coronavírus. "A lógica do digital não é só para empresas grandes — por isso o parceiro Magalu", disse, referindo-se à plataforma de venda para empreendedores criada pela companhia.
Para o executivo, o avanço do e-commerce é resultado de cinco semanas de trabalho e de ao menos dois anos de investimento no ambiente digital. "Em março, montamos um modelo novo de gestão e criamos 12 comitês para avaliar o que seria necessário fazer".
O Magazine Luiza fechou todas as lojas no dia 30 daquele mês. Em 22 de abril, a empresa iniciou a reabertura dos espaços. Segundo Trajano, há cidades em que, mesmo com a autorização local, a companhia optou por não operar as lojas.
"A gente monitora por conta o risco, levando em consideração o crescimento da taxa de mortes e de casos por habitantes, a taxa de contaminação, a lotação das UTIs e a situação dos planos de saúde que atendem nossos colaboradores", disse o executivo.
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"Lembrando que o Brasil é o único país do mundo que vai reabrir o comércio mesmo com expansão de casos [de covid-19]. Ainda não estou otimista com isso", disse o CEO do Magazine Luiza.
O Brasil registrou 374 mil casos de coronavírus nesta segunda-feira, de acordo com o Ministério da Saúde. São 23,4 mil mortes — mas há estudos que apontam para alta subnotificação. A despeito disso, autoridades locais anunciam a retomada das atividades de comércio e serviços não essenciais.
Trajano disse que 70% da lojas do Magazine Luiza estão em cidades com menos de 400 mil habitantes e que 90% dos espaços estão em ruas, não em shoppings. Hoje a empresa tem 40% das lojas reabertas.
O executivo classifica o desempenho desses espaços como surpreendente, mas diz que tem evitado campanhas para levar as pessoas para as lojas.
Desde o início da crise, a varejista aderiu à medida provisória 936, que permite a redução de salários e jornadas de trabalho — mesmo tendo levantado R$ 4,3 bilhões no ano passado. "A gente queria primeiro preservar o caixa e com isso manter os empregos", disse o CEO do Magalu.
Segundo ele, a equipe trabalhou como se não houvesse caixa porque o plano era usar os recursos da oferta para investimentos. "Mas hoje teríamos dinheiro para dois anos de crise", disse, não descartando aquisições.
O executivo ainda destacou desempenho da empresa na categoria de mercado e sortimentos, com parcerias com a Ambev, Nivea e Ypê. "A gente acelerou em categorias essenciais", disse.
"Na China, você vê que o setor de alimentos, bebidas e cuidados para casa estão em um patamar forte tanto no 'on' quanto no offline", disse, sobre o país que agora retoma as atividades.
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