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Com uma queda de 77% em suas ações desde novembro, a empresa mudou seu presidente e anunciou que prepara uma capitalização
Atingida em cheio pela paralisação das atividades decorrente da pandemia da covid-19, a CVC vem enfrentando também o desafio de reconquistar a credibilidade do mercado e avançar em sua transformação digital para tentar sair da crise. Com uma queda de 77% em suas ações desde novembro, a empresa mudou seu presidente - que assumiu em meio à quarentena e ainda não deu expediente na sede da companhia - e anunciou que prepara uma capitalização.
A tormenta na CVC começou quando o balanço da empresa indicou um lucro menor do que o esperado entre julho e setembro de 2019. No dia seguinte à publicação do resultado, as ações da empresa caíram 14%. A situação se agravou com a pandemia e, ainda mais, com a informação, divulgada no início de março, de que a companhia cometeu erros contábeis que podem reduzir em R$ 250 milhões a receita líquida acumulada entre 2015 e 2019. A avaliação do mercado, dizem fontes, é que a gestão da CVC vinha apresentando problemas e, agora, precisa reverter o jogo justo no pior momento.
A decisão de mudar o comando da empresa foi anunciada após o problema contábil se tornar público. Ex-presidente da Smiles, da Credicard e da Losango, Leonel Andrade assumiu a companhia em abril, numa mudança bem recebida pelo mercado. Quando o nome do executivo foi anunciado, o Bradesco BBI destacou o papel de Andrade na transformação digital da Smiles, que se tornou "líder no uso de ferramentas e produtos digitais". O analista Richard Cathcart, que assinou o relatório, disse ainda que a indicação do executivo permitiria à CVC apresentar uma solução ao mercado diante dos problemas recentes, como a "resposta lenta" à quebra da Avianca Brasil e a descoberta dos erros contábeis.
A transformação digital - um processo muito atrasado na CVC, segundo fontes - é justamente o foco da companhia para crescer no pós-pandemia. Hoje, de acordo com Andrade, a empresa não tem condições de oferecer um produto a um consumidor com base em seu comportamento prévio. "O mundo digital não é só uma plataforma digital. O mais importante é oferecer uma viagem para Salvador a um cliente que sabemos que gosta de ir para o Nordeste, que prefere ir de ônibus e que gosta de hotéis de determinado estilo. Isso ainda não temos construído na CVC", diz.
Para chegar nesse ponto, porém, a companhia terá, antes, de atravessar a crise da pandemia, que resultou em uma queda de pouco mais de 85% em suas vendas. "Acredito que, se houver um crescimento agora, será marginal. A partir de junho, pode começar a voltar, mas sou conservador. Só no último trimestre do ano, vamos ter movimentos mais consistentes", acrescenta.
Andrade afirma que, mesmo com vendas muito baixas, a empresa tem caixa para sobreviver por pouco mais de um ano. Como vai queimar recursos nos próximos meses, a CVC decidiu fazer a capitalização. Segundo fontes, a intenção é levantar cerca de R$ 1 bilhão.
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"Não basta sobreviver. Estamos trabalhando para tentar viver muito melhor quando a crise acabar. Por isso, lançamos o projeto de capitalização", diz Leonel, que acrescenta não saber qual o volume de recursos necessário para esse projeto. Com o capital, a empresa pretende, por exemplo, comprar diárias em hotéis a preços inferiores para revender quando a demanda retornar, garantindo margens maiores.
O consultor André Castellini, da Bain & Company, avalia que, apesar de o turismo ser um dos setores mais afetados pela crise, a CVC pode se beneficiar no futuro por ser forte no mercado doméstico, segmento que deve sofrer menos ou até se fortalecer com a debilidade esperada para o mercado internacional. Outro fator que pode ajudar a recuperação da companhia é a resiliência apresentada pelo turismo na crise passada, diz ele. "A CVC vai ter muita dificuldade neste ano, mas é um ativo com potencial para crescer, com custo fixo mais baixo que companhias aéreas."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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