Azul tem prejuízo líquido de R$ 6,1 bilhões no 1º trimestre de 2020, com forte pressão da alta do dólar
O resultado ajustado, que exclui da conta o efeito cambial sobre a dívida da empresa, traz uma perda de R$ 975 milhões.

A companhia área Azul divulgou nesta quinta-feira (14) um prejuízo líquido de R$ 6,136 bilhões no primeiro trimestre, fortemente pressionado pela alta do dólar no período. O resultado ajustado, que exclui da conta o efeito cambial sobre a dívida da empresa, traz uma perda de R$ 975 milhões.
A receita líquida da Azul somou R$ 2,8 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi puxado por uma forte demanda nos meses de janeiro e fevereiro, que tiveram um crescimento de 12% na capacidade.
A partir do mês de março a empresa sentiu o impacto das medidas de isolamento social e restrição de voos diante do coronavírus. O oferta de voos diários foi reduzida em 50% em março e em 90% em abril.
Por volta das 11h30, a ação da Azul registrava uma queda de 3,8%, acima da retração do Ibovespa, de 1,90%. Acompanhe aqui a cobertura dos mercados nesta quinta-feira.
O setor aéreo foi um dos mais afetados pelo coronavírus, com as restrições dos voos e queda na demanda por viagens. A Gol divulgou um prejuízo líquido de R$ 2,28 bilhões no primeiro trimestre.
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O peso do dólar
A desvalorização cambial de 33% pesou no resultado, elevando o custo operacional da companhia e o seu endividamento.
A conta financeira
A regra contábil exige que as empresas corrijam no seu balanço sua dívida em dólar pela variação cambial. Apenas a alta do dólar levou a Azul a reportar uma perda financeira de R$ 4,23 bilhões no primeiro trimestre. Esse "prejuízo" é contábil e não tem efeito caixa.
Ao todo, a empresa teve uma perda financeira de R$ 6,386 bilhões. Além da variação cambial, a Azul também somou perdas de R$ 1,3 bilhão em operações de derivativos financeiros (hedge) para se proteger de variações no preço do combustível e de R$ 618 milhões com a redução da avaliação da sua participação na companhia área portuguesa TAP.
Custo operacional maior
A alta do dólar pesou também no custo operacional da companhia, que somaram R$2,6 bilhões no primeiro trimestre, representando um aumento de 19,8% sobre o ano anterior. Parte desse aumento se deve à variação cambial. O preço do combustível e a manutenção de aeronaves, por exemplo, são contas dolarizadas.
O custo por assento da companhia aérea subiu 7% no período. "Normalizado pelo combustível, moeda e o impacto do covid-19, o CASK (custo por assento) reduziu 2,1% ano contra ano".
Reação ao coronavírus
A Azul anunciou uma série de medidas para ajustar sua malha e preservar o caixa da empresa diante da queda da demanda do coronavírus.
Negociação com a Embraer
Na quarta-feira (13) à noite, a empresa comunicou que está negociando com a Embraer o adiamento da entrega de 59 aeronaves para a partir de 2024. Essas aeronaves estavam previstas para entrar em operação entre 2020 e 2023.
Corte de salários
A companhia espera reduzir em 50% o seu custo com salários no segundo trimestre. A Azul abriu um programa de licenças não remuneradas, que teve a adesão de mais de 10.500 pessoas, 78% da sua equipe. Além disso, a empresa reduziu salários de gerentes e executivos entre 25% e 100% por 90 dias, em linha com a flexibilização da lei trabalhista prevista na medida provisória aprovada pelo governo.
Redução de voos
Em comentário da administração sobre o resultado da companhia, o presidente da Azul, John Rodgerson , disse que a companhia pretende operar 115 voos diários com aproximadamente 20 aeronaves para 38 destinos em maio.
"Esperamos aumentar nossa malha gradualmente nos próximos meses à medida em que a economia volte a entrar em funcionamento", afirmou.
A estratégia da Azul é adotar uma operação mínima, priorizando rotas que tenham receitas suficientes para suportar os custos variáveis dos voos. A empresa espera uma redução de capacidade entre 75% a 85% no segundo trimestre de 2020 comparado com o mesmo período de 2019.
"Graças às iniciativas implementadas até o momento, encerramos abril com uma posição de caixa ligeiramente acima da realizada em março e esperamos uma queima líquida de caixa em maio e junho de R$3 milhões a R$4 milhões por dia, incluindo despesas com juros. Com a nossa posição de caixa atual esperamos suportar o atual ambiente de demanda por mais de um ano", afirmou o presidente da Azul.
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