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2020-05-14T15:47:11-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Volatilidade

Dólar perde força e vira para leve queda; Ibovespa tem sessão instável

Os ativos brasileiros têm uma sessão bastante volátil, com os investidores mudando rapidamente de posição em meio às diversas incertezas que permanecem no horizonte

14 de maio de 2020
10:41 - atualizado às 15:47
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A volatilidade típica dos momentos de incerteza elevada se faz presente na sessão desta quinta-feira (14). Após chegar aos R$ 5,97 mais cedo, o dólar à vista foi perdendo força e, neste meio de tarde, já opera no campo negativo; o Ibovespa se afastou das mínimas e tenta se firmar em alta, mas ainda atravessa bastante turbulência.

Por volta de 15h30, o dólar à vista recuava 0,48%, a R$ 5,8723, depois de tocar os R$ 5,9718 na máxima (+1,20%) — um novo recorde nominal em termos intradiários. Lá fora, a divisa americana também perdeu força em relação às demais moedas de países emergentes, mas o real se destaca na comparação com os pares.

Na bolsa, o Ibovespa chegou a cair 2,67% mais cedo, aos 75.696,95 pontos. O índice ganhou terreno ao longo do dia, indo aos 78.390,01 pontos na máxima (+0,79%) — agora, tem leve alta de 0,25%, aos 77.967,74 pontos.

  • Eu gravei um vídeo para explicar um pouco da dinâmica dos mercados brasileiros nesta quinta-feira. Veja abaixo:

Essa melhoria dos ativos domésticos ocorreu em linha com o fortalecimento dos mercados internacionais: nas bolsas, o Dow Jones (+0,80%) e o S&P 500 (+0,22%) viraram para alta; nas commodities, o petróleo WTI (+8,54%) e o Brent (+6,58%) aceleraram os ganhos.

Mas não há um grande catalisador para essa mudança de rumo lá fora. Trata-se mais de um movimento de ajuste e correção, considerando as perdas recentes nas bolsas — e as notícias de que há esforços mais intensos para a reabertura das economias da Europa e dos EUA surge como pretexto para os compradores atuarem.

Isso não quer dizer, no entanto, que o clima esteja melhorando de maneira concreta no exterior. As declarações dadas ontem pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, afirmando que uma recessão mais forte ainda está porvir no país e descartando a adoção de juros negativos, elevaram a aversão ao risco entre os investidores.

E mesmo a reabertura econômica é fonte de estresse, considerando que a China e outros países asiáticos começam a registrar novos casos do coronavírus — assim, cresce o temor quanto a uma 'segunda onda' da doença na região e a um fenômeno semelhante no Ocidente.

No câmbio, o dólar à vista já tinha passado por uma primeira fase de alívio ainda durante a manhã: assim que a moeda tocou os R$ 5,97, o Banco Central convocou um leilão extraordinário de swap cambial no montante de até R$ 1 bilhão, de modo a injetar recursos novos no sistema.

A operação afastou a divisa das máximas, mas não foi suficiente para provocar uma virada do dólar ao campo negativo — o que ocorreu apenas durante a tarde, com o alívio externo.

Tensão contínua

No Brasil, o clima em Brasília permanece sem grandes alterações: a turbulência tornou-se o novo normal. Por lá, segue a expectativa quanto à divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 — um material cujo conteúdo pode ter implicações negativas ao presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, também continua a novela do veto presidencial ao reajuste de servidores, previsto na PEC do auxílio financeiro emergencial a Estados e municípios — Bolsonaro tem sinalizado desde a semana passada que irá barrar o aumento, mas, até agora, não há uma decisão oficial.

Nesse ambiente cheio de incertezas, é natural que os investidores assumam uma postura mais defensiva, aguardando maior visibilidade no cenário político — e, para os mercados, isso implica em busca por dólares para proteção e diminuição das posições em bolsa, de modo a evitar uma exposição desnecessária ao risco.

Juros avançam

Considerando os níveis ainda elevados do dólar e a sinalização de que o BC americano não vai mais cortar juros, os DIs curtos operam em leve alta — os longos, por outro lado, têm perdas moderadas.

Trata-se de um movimento de ajuste às condições desfavoráveis ao mercado brasileiro: a perspectiva de diminuição do diferencial nas taxas em relação aos EUA, num cenário de dólar já bastante estressado, faz os investidores reduzirem as apostas quanto à magnitude do próximo corte na Selic:

  • Janeiro/2021: de 2,64% para 2,65%;
  • Janeiro/2022: de 3,64% para 3,67%;
  • Janeiro/2023: de 4,91% para 4,89%;
  • Janeiro/2025: de 6,88% para 6,85%.

Agenda cheia

No front corporativo, diversas empresas que fazem parte do Ibovespa reportaram seus números trimestrais desde a noite de ontem. Em destaque, aparece Azul PN (AZUL4), em baixa de 5,70% — a empresa fechou o período com um prejuízo líquido de R$ 6,1 bilhões.

Via Varejo ON (VVAR3) apresenta uma reação tímida ao balanço trimestral: a ação tem alta de 0,77%, após a companhia reverter o prejuízo reportado há um ano e encerrar os primeiro três meses de 2020 com lucro líquido de R$ 13 milhões.

Outras companhias que integram o índice, como GPA e Ultrapar, também divulgaram seus números — veja aqui um resumo dos resultados.

Confira abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CSNA3CSN ON8,33 +10,77%
UGPA3Ultrapar ON14,56 +8,01%
BRDT3BR Distribuidora ON18,45 +6,65%
CYRE3Cyrela ON13,41 +6,51%
CMIG4Cemig PN8,43 +6,44%

Veja também as maiores quedas do índice no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
SULA11SulAmérica units36,63 -9,96%
PCAR3GPA ON59,51 -6,87%
SUZB3Suzano ON47,32 -6,46%
AZUL4Azul PN11,59 -5,70%
PETR3Petrobras ON17,40 -4,03%
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