Após bolha no crédito de veículos, BV se reinventa como investidor de fintechs e lança IPO
Controlado pelo Banco do Brasil e pela família Ermirio de Moraes, o antigo Banco Votorantim perdeu bilhões no início da década e passou por reestruturação

Uma década depois de amargar perdas bilionárias com a "bolha" do crédito de veículos, o BV — o antigo Banco Votorantim — se prepara para estrear na bolsa com uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
A instituição controlada pelo Banco do Brasil e pela família Ermirio de Moraes desejava abrir o capital no começo do ano, mas os planos foram interrompidos pela crise do coronavírus.
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Na época, a expectativa era que o IPO movimentasse R$ 5 bilhões. A maior parte do dinheiro deve ir para o bolso dos sócios que vão aproveitar a oferta para vender parte de suas ações.
Afetado pela pandemia, o BV registrou lucro líquido de R$ 443 milhões no primeiro semestre deste ano, queda de 36% em relação ao mesmo período de 2019. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 8,8%, índice menor que o dos grandes bancos privados.
A bolha
O IPO pode acontecer dez anos depois de o BV atingir o auge — e logo depois o fundo do poço. Em 2010, a instituição alcançou a liderança do mercado de financiamento de veículos usados, superando concorrentes muito maiores como Itaú Unibanco e Santander.
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No auge da bolha de crédito, em junho de 2011, a carteira de crédito do BV chegou a quase R$ 80 bilhões. Mas a estratégia agressiva de conceder empréstimos sem entrada e com prazos de até 90 meses para pagar provocou um verdadeiro estrago no balanço com a explosão da inadimplência.
Diante do prejuízo, o banco precisou ser socorrido pelos sócios com um aporte de capital de R$ 2 bilhões. Mesmo assim, passou os três anos seguintes amargando perdas.
Ainda hoje, o saldo dos financiamentos do BV segue abaixo dos patamares da época da bolha e atingiu R$ 68,8 bilhões em junho deste ano — um avanço de 11% em 12 meses.
Fintechs
Após o processo de reestruturação, o BV voltou parte de suas atenções para as novas empresas de tecnologia financeira (fintechs) e startups, atuando como liquidante e custodiante para companhias como Neon, Nubank e Stone.
O BV também possui investimentos em fintechs como o próprio Neon, na assistente financeira virtual Olivia e na plataforma de empréstimos online Just.
Na parcela do dinheiro do IPO que vai para o caixa do banco, o BV pretende usar os recursos no crescimento da carteira de crédito e investimentos nas fintechs, incluindo rodadas adicionais de aporte de capital em investidas.
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