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Estadão Conteúdo

Mudança de foco

Após 3 anos, CPFL deixa mercado de geração distribuída solar residencial

Grupo, controlado pela estatal chinesa State Grid, optou por focar os seus esforços no mercado de GD solar para grandes consumidores por meio da CPFL Soluções

Estadão Conteúdo
25 de maio de 2020
19:26 - atualizado às 9:27
Painéis solares
Imagem: shutterstock

Pouco mais de três anos após o lançamento da marca Envo, a CPFL Energia anunciou, por meio das suas redes sociais, a saída do mercado de geração distribuída (GD) solar para clientes residenciais. De acordo com informações disponíveis no Linkedin da empresa e no próprio site da Envo, o Grupo, controlado pela estatal chinesa State Grid, optou por focar os seus esforços no mercado de GD solar para grandes consumidores por meio da CPFL Soluções.

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Lançada em 2017, aproveitando-se do boom no mercado de geração distribuída no Brasil após a publicação da resolução nº 482/12, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Envo representou o primeiro movimento de uma grande empresa do setor elétrico no setor de GD solar para clientes residenciais, mercado até então dominado por empresas independentes. De início, a empresa focou a sua atuação na região metropolitana de Campinas, sede do Grupo, e região de Jundiaí, expandido no ano passado para as regiões de São Carlos e Ribeirão Preto.

A feroz competição em preços com outras empresas instaladoras de painéis solares pode estar por trás do fracasso da estratégia da CPFL Energia no mercado de GD residencial. O grupo não abre dados mais atualizados sobre o número de clientes da Envo, mas, no relatório anual de 2018, a empresa informou que a marca tinha mais de 250 clientes ao final de 2018. Na época, isso representava 0,4% do número total de unidades consumidoras com GD no Brasil à época (57,8 mil clientes) - hoje, os dados da Aneel apontam que o mercado total subiu para 239,1 mil unidades com GD solar.

Atualmente, a resolução nº 482/12 está em processo de revisão, e, no ano passado, a Aneel chegou a apresentar uma proposta que retirava boa parte dos incentivos para os investimentos em novas instalações - hoje, os usuários de GD não pagam pelo uso da rede de distribuição, o que passaria a ser cobrado com a sugestão do regulador. O tema causou enorme reação negativa na cadeia da energia solar, e o tema parou no Congresso Nacional, onde se discute uma lei sobre o tema.

Apesar das incertezas da nova regulamentação e da pandemia do novo coronavírus, os dados da Aneel mostram que o mercado de GD solar no Brasil segue em franco crescimento. Entre janeiro e maio de 2020, 62,334 mil novos consumidores passaram a ter painéis fotovoltaicos em suas instalações. Esse número representa um expressivo crescimento de 97,2% em relação os 31,607 mil novos clientes em igual período em 2019.

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O último grande investimento da Envo foi a inauguração de uma fazenda solar na cidade de Americana (SP), com 1,12 MW de capacidade instalada. Esse foi o primeiro projeto de geração compartilhada do Grupo CPFL, funcionando como um consórcio entre clientes parceiros e a companhia. Com o fim da marca Envo e saída do mercado de GD residencial, todos os clientes existentes da antiga empresa serão atendidos pela CPFL Soluções.

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No mercado de GD para grandes clientes, a CPFL Soluções tem como projetos uma fazenda solar em Uberlândia (MG), fornecendo energia para 280 estações da Algar Telecom, e um projeto solar no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (CADEG), no Rio de Janeiro, entre outros.

Procurada, a CPFL Energia respondeu por meio de nota que, "a partir de 15 de maio, todos os seus serviços e sua carteira de clientes (da Envo) passam a ser CPFL Soluções que focará, exclusivamente, em empresas de médio e grande porte, para torná-las cada vez mais competitivas e sustentáveis". Com isso, o "Grupo CPFL Energia unifica suas forças comerciais e áreas técnicas para oferecer um portfólio de produtos e serviços que conta com soluções para comercialização e gestão de energia, eficiência energética, geração distribuída e infraestrutura energética para clientes B2B".

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