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2020-03-23T17:52:31-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
De falcão para pombo

BC durão fica para trás e mercado vê novo corte de 0,5 ponto na Selic

Após a publicação da ata da reunião do Copom com um tom bem mais brando, o mercado financeiro praticamente sacramentou um novo corte nos juros em maio

23 de março de 2020
17:41 - atualizado às 17:52
Diretores do Banco Central em reunião do Copom
Diretores do Banco Central - Imagem: Raphael Ribeiro/Flickr/Banco Central

O Banco Central durão do comunicado que acompanhou a decisão de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual na semana passada ficou para trás.

Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que cortou os juros para 3,75% ao ano, o BC claramente baixou o tom. Com isso, o mercado financeiro praticamente sacramentou um novo corte de meio ponto na Selic.

A postura do BC sofreu uma espécie de metamorfose de “falcão” – como são conhecidas as autoridades com postura mais rígida – para “pombo”, consideradas mais condescendentes. O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 5 e 6 de maio.

O BC assustou parte do mercado no comunicado da semana passada, principalmente aqueles que defendem um corte de juros mais agressivo em resposta à crise do coronavírus.

Na ocasião, o Copom informou que a “atual conjuntura prescreve cautela na condução da política monetária, e neste momento vê como adequada a manutenção da taxa Selic em seu novo patamar”. Ou seja, sinalizou que o corte de juros para 3,75% ao ano poderia ser o último.

Na ata da reunião, porém, o BC apontou que para lidar com a retração da demanda diante da maior incerteza e das restrições impostas pela pandemia “seria necessária uma redução da taxa básica de juros superior a 0,50 ponto percentual”.

O Copom também destacou na ata que um choque nos custos de produção, mensurado pela variação de preços das commodities e de importantes ativos financeiros, implicará em forte impacto desinflacionário no curto prazo.

Por outro lado, os diretores do BC consideraram que uma redução da Selic além de 0,50 ponto percentual poderia tornar-se contraproducente e resultar em apertos nas condições financeiras, com resultado líquido oposto ao desejado.

“No entanto, o Comitê reconhece que novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos”, informou o BC, na ata da reunião.

Na avaliação do banco norte-americano Goldman Sachs, o tom da ata é mais ameno do que o do comunicado da semana passada. “Há uma grande possibilidade de que o BC corte mais as taxas, uma vez que nós esperamos que a economia enfraqueça significativamente em 2020”, escreveu Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman para América Latina.

Em relatório, os economistas do Banco MUFG Brasil apontaram que esperam um novo corte de 0,50 ponto da Selic na próxima reunião do Copom. “O aumento acentuado de preocupações e medidas para conter o surto de coronavírus levará a um cenário de recessão econômica no primeiro semestre deste ano”, escreveram.

Juros “empinam”

No mercado de juros futuros, os investidores reagiram à ata do Copom e às medidas do “arsenal” do BC contra a crise de forma ambígua.

De um lado, os contratos de depósito interfinanceiro (DI) de prazos mais curtos caíram. As taxas mais longas, contudo, tiveram mais um dia de alta, o que levou a chamada curva de juros a “empinar”.

Isso significa que os investidores apostam que a queda das taxas terá de ser compensada em algum momento com a elevação da Selic para conter eventuais pressões inflacionárias de uma política monetária mais frouxa. Confira a seguir como ficaram as taxas:

  • Janeiro/2021: de 4,00% para 3,77%;
  • Janeiro/2022: de 5,85% para 5,58%;
  • Janeiro/2023: de 7,14% para 7,19%;
  • Janeiro/2025: de 8,29% para 8,63%;
  • Janeiro/2027: de 9,00% para 9,32%.
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