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Por melhor que você seja em modelagem financeira, e por maior que seja o seu controle emocional, é impossível conter os equívocos. Eles vão acontecer.
“Todo mundo vai falhar, mas se você fizer isso com a mente aberta, conseguir mapear bem, aprender e melhorar, aumentará a probabilidade de acertar - e isso leva ao sucesso. Essa é a fórmula.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADERay Dalio, em Princípios para o Sucesso.
Dor + Reflexão = Progresso
Desde pequeno, sempre levei muito a sério a ideia de “aprender com os erros”.
Desconfio, aliás, que uma das primeiras lições que a vida dá a todos nós é justamente a percepção de que vivemos de altos e baixos.
E que, por meio da experiência, somos capazes de diminuir o tamanho (ou a dor) desses vales.
No mercado financeiro, a mesma lógica se aplica.
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Por melhor que você seja em modelagem financeira, e por maior que seja o seu controle emocional, é impossível conter os equívocos. Eles vão acontecer.
2020, até aqui, foi um ano muito desafiador. E tudo bem se a sua performance está aquém do que você almejava.
“Onde foi que errei? Estava muito comprado em ações e FIIs antes da crise? Por quê? Qual era a tese?”
Vendeu tudo no desespero em março? O que te incomodou?
Estudar os erros do passado é uma das melhores formas de evitar desacertos futuros.
Lembre-se que performance é algo que você não controla. Porém, o que você coloca no seu portfólio, sim.
Dito isso, mais do que perder tempo analisando cada um dos acontecimentos que se acumularam nesse semestre para lá de turbulento, resolvi, com a ajuda do Antonyo Giannini, um dos especialistas que trabalha comigo aqui na Inversa, consolidar tudo em um só gráfico:

Se você ainda não entendeu como o mercado funciona, esse gráfico é uma bela oportunidade.
Note que notícias ruins se acumularam ao longo do semestre e, mesmo assim, o mercado não fez outra coisa senão subir desde março.
Entenda de uma vez por todas: a Bolsa opera expectativa, os riscos e oportunidades adiante, não necessariamente o que se passa na economia real.
As oportunidades de ganhos, portanto, estão justamente na visão de mundo do que vem depois.
Quem teve a frieza de olhar para as empresas em março e refletir que este evento do coronavírus, apesar de sem precedente, também era passageiro, conseguiu se antecipar à conclusão que vários investidores chegaram semanas depois.
Dito isso, a melhor forma de limitar os riscos e melhorar a probabilidade de ter bons resultados com seus investimentos é gastando tempo na reflexão sobre os riscos futuros.
Por isso, separei aqui 6 deles, 3 domésticos e 3 globais, que devem perseguir os investidores nos próximos meses e anos. São riscos que você deveria entender melhor antes de definir quanto investir em ativos de risco:
6 riscos que vão te perseguir o resto do ano...
Estima-se que a dívida pública do Brasil alcance o patamar de 100% do PIB e que o déficit primário (o que o governo arrecada subtraindo o que gasta, sem considerar juros da dívida pública) deve alcançar algo como 15% do PIB.
São dados realmente preocupantes e que colocam em risco a recuperação da economia que está em curso desde 2017. Parte desse risco é claramente precificado, explicando o porquê do Ibovespa, em reais, ter caído tanto quanto o S&P 500 em março e não ter se recuperado na mesma magnitude nos meses seguintes.
Atenuam esse risco, por outro lado, a robusta posição em reservas internacionais do país, acima de 300 bilhões de dólares, e a trajetória da taxa de juros brasileira, que barateou o custo da dívida pública.
O próprio governo vem substituindo títulos pré-fixados de longo prazo por títulos pós-fixados, diminuindo, assim, o custo de carrego da dívida no curto prazo.
Também bastante claro, a queda da popularidade de Jair Bolsonaro, os conflitos internos em meio à crise e os escândalos em investigações que relacionam o presidente e aqueles em seu entorno, o risco político/institucional tem sido um dos principais riscos de curto prazo e que, de certa forma, acaba por afetar o risco fiscal, muito ligado à agenda reformista.
Claro, os riscos de escândalos pessoais ou de pessoas próximas, que poderiam se materializar no caso de uma delação premiada do Fabrício Queiroz, continuam na mesa e, na minha opinião, já estão sendo precificados pelo mercado.
Atenuam esse risco a aproximação recente do governo com o Centrão e a forte e fiel base eleitoral de 30% do presidente Jair Bolsonaro.
Fechando os riscos domésticos, coloco esse como um risco menos claro, hoje, no mercado. Por isso, você deveria dar ainda mais importância.
Como todos sabemos, a forte queda na demanda e na oferta de bens e serviços por conta da pandemia está levando o mundo todo, não só o Brasil, a um quadro deflacionário de curto prazo.
No entanto, entendo que o risco de um repique da inflação no período subsequente, entre 2021 e 2022, é subestimado pelo mercado.
Em virtude da crise, vimos a coleta de preços ser prejudicada, o que polui a qualidade dos dados mais recentes. Além disso, índices que agregam a economia como um todo e não só a cesta do consumidor já mostram o impacto da depreciação do câmbio, o que pode gerar alguma pressão de repasse de preços mais adiante.
Por isso, tenho sugerido aos meus assinantes a diminuição da posição em títulos públicos indexados e pré-fixados e a compra de ações de empresas que possuam parte de suas receitas corrigidas, como as transmissoras de energia elétrica, ou com capacidade de repasse de preço.
Vamos então aos riscos globais:
Um risco que deve manter em alta a volatilidade dos mercados ao longo do ano é a guerra comercial entre os EUA e a China, mas não só.
Em virtude da crise sanitária que surgiu na China, já é possível notar algumas retaliações no ambiente internacional que podem trazer à campo um quadro ainda mais complexo do que a, até então, relação bilateral conturbada.
Nas últimas semanas, por exemplo, líderes indianos voltaram a falar sobre sanções comerciais à China, incentivando substituição de importações do vizinho.
Vale lembrar que, apesar de não figurar entre os países desenvolvidos e potência econômica, a Índia possui a segunda maior população do mundo (perto de 1,4 bilhão de pessoas).
E mais, possui uma população mais nova do que a China, o que a coloca como um polo importante em termos de interesse econômico global nas próximas décadas.
As próximas eleições norte-americanas acontecerão no final deste ano e, em função da situação conjuntural, aquele cenário do final de 2019, que sinalizava uma fácil reeleição de Trump, foi alterado substancialmente, com Joe Biden, candidato democrata, figurando como um forte adversário, à frente de Trump em várias pesquisas eleitorais.
A postura mais “gastona” dos democratas é um risco que me parece ainda pouco antecipado pelo mercado, que deu pouca moral às pesquisas mais recentes e engatou novas máximas.
O risco de retrocesso no processo de globalização (repique inflacionário).
Nos últimos 20 anos, o mundo se globalizou e se tornou muito mais interligado, o que ficou evidente com a recente crise sanitária. Os conflitos diplomáticos, no entanto, podem levar a um retrocesso no processo de globalização, que poderia trazer consigo outros riscos, como o de reversão do processo deflacionário que havia comentado.
Mesmo que modesta, uma retração do comércio internacional geraria uma pressão por substituição de importações, levando a um aumento generalizado dos preços (inflação) que, assim como no cenário doméstico, me parece um risco pouco precificado no mercado.
Pronto, agora pare e reflita. Você está preparado para o caso de estas bombas estourarem?
Aproveito para indicar a leitura do livro “30 Lições do Mercado” de Ivan Sant’Anna. Esta é uma leitura obrigatória para qualquer nível de investidor, basta clicar aqui.
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